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O guia do exercício na era digital

A busca por atividade física online explode com a pandemia. Em aplicativos, sites e nas redes sociais, opções vão de aulas gratuitas a personal virtual

Por Angélica Banhara Atualizado em 21 Maio 2021, 19h00 - Publicado em 21 Maio 2021, 14h02

O ano de 2020 representou uma revolução. A pandemia do coronavírus mudou, em vários aspectos, o comportamento humano. E o universo fitness não ficou de fora. Em primeiro lugar, o planeta reconheceu a importância de movimentar o corpo para manter a saúde em alta. “A ciência já comprovou que a atividade física reduz o risco de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, obesidade e vários tipos de câncer, além de fortalecer os ossos, beneficiar o cérebro, ajudar a dormir melhor e proporcionar energia e disposição”, lista o fisiologista do exercício Bruno Gualano, da Universidade de São Paulo (USP). Ele destaca que os exercícios ainda contribuem para aprimorar a imunidade e diminuir o estresse, a ansiedade e os sintomas depressivos — tudo que vem a calhar em tempos de Covid-19.

Mas, diante do fechamento de academias e estúdios, novas formas de se mexer precisaram entrar em cena. Foi aí que os treinos virtuais ganharam terreno. Mesmo quem tinha preconceito contra a atividade física pela internet ou por aplicativos de celular se rendeu — e isso não ficou restrito ao Brasil. Todo início de ano, o Colégio Americano de Medicina do Esporte, uma das entidades mais respeitadas do planeta, divulga uma lista de tendências fitness. Agora em 2021, os treinos online despontaram em primeiro lugar. Para ter ideia, no ranking anterior eles estavam na 26ª posição.

“Com as restrições, o Grupo Smart Fit se reorganizou para oferecer uma rotina fitness híbrida, que faça mais sentido na vida das pessoas. O foco é nos consolidarmos como uma plataforma líder no setor, tanto no espaço físico como no online”, diz Edgard Corona, CEO e sócio-fundador do grupo. É uma mudança significativa. A Smart Fit tem a maior rede de academias da América Latina, opera em mais de 13 países e soma cerca de 2 milhões de clientes em mais de 900 unidades. “O atendimento remoto já era uma tendência forte em outros países. Agora, as aulas virtuais, por treinos prescritos de forma individual ou por transmissão ao vivo, já fazem parte do nosso dia a dia, e devem crescer ainda mais”, analisa Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech Company, que engloba as redes de academias Bodytech e Fórmula, além do aplicativo BTFIT.

Essa mudança do presencial para o digital exigiu uma adaptação rápida dos professores. “Não podíamos deixar os alunos na mão. Então, propus o treinamento por videoconferência, do celular mesmo”, conta o personal trainer Chico Salgado, do Rio de Janeiro. “Deu mais certo do que imaginava: aos poucos, retomei a rotina de oito a dez aulas por dia, todas por vídeo. E também passei a fazer lives abertas e gratuitas pelo Instagram. No final, eu, que antes dava aula a um aluno de cada vez, agora ensino centenas de pessoas de todos os lugares”, relata o professor.

O personal trainer Marcio Lui, de São Paulo, foi outro que se adaptou bem à nova realidade. “Estou dando aula a muitos brasileiros que moram no exterior. E, para incentivar quem está em casa a se movimentar, posto de dois a três vídeos de exercícios por semana no Instagram”, comenta. As lives e vídeos de personal trainers e seus alunos famosos bombaram nessa rede durante a pandemia.

O ambiente online oferece a oportunidade de sair do básico e experimentar vários tipos de aulas, como danças de todos os estilos, ioga, pilates e lutas. “O YouTube é uma plataforma que facilita essa degustação. O importante é se certificar de que a aula está sendo conduzida por um profissional, ou seja, um educador físico ou professor certificado [nos casos de dança e ioga]”, orienta Carol Borba, personal trainer e expert em aulas a distância.

Para uma experiência bacana, Carol sugere conectar a plataforma (site, YouTube, Zoom…) à TV, a fim de enxergar melhor os detalhes e prestar muita atenção ao que o professor está falando. “Não existe resultado sem regularidade. O ideal é se exercitar pelo menos três vezes por semana”, acrescenta. “Para conseguir encaixar a atividade física na agenda, uma boa é colocar o relógio para despertar 30 minutos antes e fazer um treino rápido de 20 minutos pela manhã”, indica Carol.

Que os treinos no digital vieram para ficar é fato. Mas isso não significa o fim das aulas presenciais. “O componente humano fará a diferença para a indústria de fitness atual e também do futuro. O virtual será uma atividade complementar”, analisa Netto. A seguir, veja sugestões para tirar o melhor proveito de cada plataforma.

Não fique parado

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a importância da prática regular de atividade física e a recomenda. As diretrizes do órgão se baseiam em evidências científicas. Entre os benefícios de ser ativo estão a prevenção de doenças crônicas, a melhora da cognição e o bem-estar mental. Todo movimento conta: desde caminhar ao mercado até exercícios físicos programados, como uma aula de ginástica. A OMS preconiza aos adultos:

>>> 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada.

>>> 75 a 150 minutos no modo intenso, se não houver contra-indicação.

  • Aplicativos

    Ioga, funcional, dança, aula para emagrecer ou ganhar músculos… Você acha tudo e mais um pouco nos aplicativos. Os de corrida e exercícios da Nike oferecem programas desenvolvidos por treinadores experientes. No Nike Run Club, além das funcionalidades básicas de um app de corrida, há pelo menos três planos gratuitos com diferentes finalidades. Tem o recurso de treinador por voz, em que professores e atletas orientam como cumprir as metas. Também é possível definir objetivos semanais ou mensais de distância, duração e velocidade da corrida.

    Já o Nike Training Club traz várias modalidades de aulas, treinos por grupo muscular ou propósito, para iniciantes ou avançados. O BTFIT, app da Bodytech Company, já teve mais de 4,5 milhões de downloads. Ele reúne ioga, ballet fitness, cardio dance, mat pilates etc. Os mais de 20 programas de treinamento incluem de alongamento a luta. Um personal trainer virtual monta treinos específicos por meio de um algoritmo próprio.

    Sugestões:

    1- Nike Run Club
    Monitora percurso, localização, distância, ritmo, tempo e queima de calorias. Disponível para Android e iPhone (iOS). Gratuito.

    2- Nike Training Club
    Há diversas modalidades de aulas, com duração de cinco a 47 minutos, e treinos conforme o objetivo. Disponível para Android e iPhone (iOS). Gratuito.

    3- BTFIT
    Tem aulas para todos os gostos e mais de 20 programas de treino. Para Android e iPhone (iOS). Preço: R$ 24,90 por mês, com sete dias de teste grátis.

    Multiplataformas

    Ainda em março de 2020, o Grupo Smart Fit lançou o Treine em Casa, um site com dezenas de programas gratuitos. “A missão de não deixar a população parada teve êxito: mais de 25 milhões de usuários únicos se exercitando no próprio lar em toda a América Latina”, afirma o CEO do grupo, Edgard Corona. As opções 100% digitais que já faziam sucesso pré-pandemia também registraram alta na procura.

    O Queima Diária, maior plataforma de exercícios online do Brasil, notou o crescimento de 130% no cadastro de alunos durante o período, e conta hoje com 375 mil associados. Considerada o Netflix do fitness, pode ser acessada por computador, celular, tablet, notebook ou smart TV. O Exercício em Casa, plataforma de treinos e nutrição exclusiva para mulheres, também comemora os números: “Nossa agenda de treinos inteligentes já ajudou mais de 100 mil mulheres a entrar em forma com segurança em casa”, diz Milena Alves de Oliveira, assistente virtual e social media.

    Sugestões:

    1- Treine em Casa/Smart Fit
    A plataforma disponibiliza aulas ao vivo e 28 tipos de treino, dos tradicionais de força até HIIT, fitdance, boxe, pilates e ioga. Gratuito.

    2- Queima Diária
    São 2 350 aulas e 86 programas de treinos, como Mamãe Sarada, Circuito em Casa, Minha Yoga e 40+Fit. Preço: 12x R$ 29,90. Trinta dias de teste grátis.

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    3- Exercício em Casa
    Plataforma para mulheres, com treinos customizados e apoio nutricional. Preço: 12x R$ 29,90. Sete dias grátis. Tem aulas abertas no YouTube.

    Instagram

    A educadora física Carol Borba, musa dos treinos virtuais, faz sucesso online desde muito antes da pandemia. “Sempre gostei de aulas coletivas e criei meu canal no YouTube com vídeos em 2016. Deu tão certo que passei a me dedicar exclusivamente aos treinos virtuais”, conta. Ela tem 3,87 milhões de inscritos no YouTube e 1,6 milhão de seguidores no Instagram. É também uma das estrelas da plataforma Queima Diária.

    Já os personal trainers Chico Salgado e Marcio Lui mudaram o esquema de trabalho na pandemia: passaram a atender online e a postar treinos, inclusive com seus alunos famosos, no Instagram. “Quando veio a quarentena, fiquei preocupado com as pessoas que estavam fechadas em casa, sem se movimentar”, explica Lui. “Há um ano tenho arrastado uma galera para treinar em casa. É uma experiência bem legal, porque oriento centenas de pessoas ao mesmo tempo. E sinto que estou contribuindo, de alguma maneira, em meio a esse caos”, reflete Salgado.

    Sugestões:

    1- @carolborba1
    A professora faz lives de treinos pelo Instagram toda segunda, quarta e sexta-feira. Às terças e quintas, as aulas são pelo YouTube.

    2- @chico_salgado
    O personal trainer carioca, que tem como alunos Grazi Massafera e Fábio Assunção, transmite lives e posta os treinos com famosos no IGTV.

    3- @marciolui
    O personal trainer de celebridades paulistas como Sabrina Sato e Adriane Galisteu faz lives de treinos e tem uma série de vídeos de exercícios no IGTV.

    Estúdios

    Em abril de 2020, o Superioga (estúdio focado nessa modalidade específica de ioga) lançou um sistema virtual, com aulas ao vivo e gravadas, ministradas por vários professores. “Antes da pandemia, o site contava com 100 assinaturas. Hoje, o online tem 1 900 alunos cadastrados e 1 200 ativos”, relata Paulo Andrade, diretor comercial do Superioga.

    A educadora física Cau Saad, proprietária do instituto que leva seu nome em São Paulo, também viu o projeto virtual decolar: “Montei o Cau Saad Express em 2011 para atender gente de fora da capital paulista. Com a quarentena, passei de cinco para 509 alunos nesse programa”.

    Já Betina Dantas, criadora do método Ballet Fitness, lançou um Instagram fechado (@balletfitnessonline) para liberar aulas virtuais às alunas presenciais durante a pandemia. “Mas comecei a fazer lives com famosas e o número de interessadas aumentou. Passei a vender planos online e, hoje, são mais de 100 alunos virtuais.”

    Sugestões:

    1- Studio Superioga Online
    Aulas ao vivo e mais de 200 gravadas, para iniciantes até avançados. Há planos mensal, trimestral, semestral e anual. Preço: a partir de 12x R$ 28,94.

    2- Ballet Fitness
    Aulas diárias ao vivo e gravadas de Ballet Fitness e clássico, além de jazz fitness. Preço: R$ 250 reais por mês (valor promocional).

    3- Cau Saad Express
    Você tem um personal trainer online. Inclui caderno de treino e chat com a equipe técnica e a Cau Saad. Preço: a partir de R$ 560 por mês.

  • Para o treino render

    Confira as dicas dos especialistas Bruno Gualano e Carol Borba:

    Prepare o ambiente
    Não precisa de muito espaço: escolha um canto agradável, arejado e iluminado. Defina um horário para as aulas — isso ajuda a criar uma rotina.

    Descubra o que motiva você
    O melhor exercício é o que dá prazer: só assim terá regularidade. Se não curtia levantar peso na academia, será chato treinar com carga em casa.

    Respeite seu condicionamento
    Não adianta querer tirar o atraso e fazer um treino puxado se está parado há meses. Melhor começar com aulas mais leves e avançar aos poucos.

    Exercite-se com um professor
    De olho na segurança, a aula deve ser dada por um profissional de educação física. Escute as orientações dele e, se der, conecte a aula na TV.

    Se doer, pare
    A dor de uma lesão é diferente daquela que aparece no dia seguinte à aula. Se sentir dor durante o treino, pare na hora.

    Muso fitness não é professor

    Os especialistas são unânimes na recomendação de que só um profissional de educação física ou professor certificado podem dar aula ou sugerir exercícios. Ok seguir uma pessoa com corpo sarado nas redes sociais. Mas o treino dela deve servir apenas de motivação. Afinal, copiar movimentos que não são para o seu nível de condicionamento pode causar lesões. Se quiser treinar pelo Instagram, o ideal é seguir professores que têm dado aulas ao vivo (as lives) na pandemia.

    Academias lançam site com treinos gratuitos

    Idealizado pela Associação Brasileira de Academias (Acad Brasil), o Eu Cuido, Eu Treino é um movimento de combate ao sedentarismo que conta com mais de 200 treinos gratuitos. São 15 modalidades para todos os públicos. Tem ginástica laboral para quem passa o dia em home office, atividades lúdicas para crianças, treinos pesados como HIIT e crossfit para quem já malha, aulas para o público 60+, danças, luta e ioga. Para conhecer, clique aqui.

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