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Obesidade eleva risco de Covid-19 grave, independente de idade e doenças

Revisão de estudos coloca a obesidade como fator de risco para complicações do coronavírus, mesmo na ausência de outras condições. Entenda o porquê

Por Karina Toledo, da Agência Fapesp*
4 set 2020, 17h58 • Atualizado em 15 abr 2021, 16h04
obesidade é fator de risco para coronavirus
Pessoas com IMC muito alto estão mais sujeitas a complicações da Covid-19. (Montagem: O Silva/SAÚDE é Vital)
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  • A probabilidade de uma pessoa com obesidade desenvolver a forma grave da Covid-19 é alta, independentemente da idade, do sexo, da etnia e da existência de comorbidades como diabetes, hipertensão, doença cardíaca ou pulmonar. É o que afirmam pesquisadores brasileiros em uma revisão sistemática de pesquisas publicada na revista Obesity Research & Clinical Practice.

    O artigo incluiu dados de nove estudos clínicos, que juntos relatam a evolução de 6 577 pacientes infectados pelo coronavírus (Sars-CoV-2) em cinco países. Os autores concluíram que a obesidade em si é um fator que favorece a progressão rápida da doença e aumenta significativamente o risco de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morte. A pesquisa foi apoiada pela FAPESP.

    “Vários fatores contribuem para o agravamento da infecção no organismo obeso. Um é a capacidade limitada de produzir interferons [proteínas secretadas por células de defesa que inibem a replicação viral] e anticorpos. Além disso, o tecido adiposo funciona como um reservatório para o vírus, mantendo-o mais tempo no organismo”, explica Silvia Sales-Peres, professora da Universidade de São Paulo (USP) em Bauru e coordenadora do estudo.

    A carga viral potencialmente maior não é, segundo a pesquisadora, o único problema dos pacientes com índice de massa corporal (IMC) elevado. Estudos recentes indicam que a inflamação crônica de baixo grau típica da obesidade – causada pelo aumento excessivo das células adiposas – faz com que a tempestade de citocinas inflamatórias desencadeada pelo Sars-CoV-2 seja ainda mais lesiva ao pulmão.

    “Os obesos também costumam apresentar a função respiratória prejudicada, porque a gordura comprime o diafragma e impede a movimentação normal do órgão. Há diversos fatores concorrentes que tornam esses pacientes mais predispostos a depender de ventilação mecânica e outros cuidados intensivos caso contraiam a Covid-19. Nos estudos que analisamos, 9,4% dos pacientes com obesidade internados em UTI evoluíram para óbito”, conta Silvia.

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    Sobrepeso também pode aumentar o risco de casos graves do coronavírus?

    Reconhecido como o padrão internacional para diagnóstico de desnutrição e obesidade, o IMC é calculado dividindo o peso (em quilos) do paciente pela altura ao quadrado (em metros). De modo geral, para adultos, resultados a partir de 25 são interpretados como sobrepeso – caso de quase 60% dos brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. Valores de IMC iguais ou maiores do que 30 são classificados como obesidade, algo observado em aproximadamente 20% da população do país. Os percentuais foram mensurados por meio da pesquisa Vigitel.

    “Indivíduos com sobrepeso já podem apresentar alteração na produção de anticorpos e algum grau de inflamação crônica que favorecem a progressão da doença. Nossa análise mostrou também que o risco associado à obesidade se torna ainda maior caso o indivíduo seja fumante ou tenha comorbidades como diabetes, hipertensão ou doença pulmonar”, comenta Silvia.

    De acordo com a pesquisadora, estudos como este são importantes tanto para alertar os pacientes sobre a necessidade de se proteger contra o vírus como para ajudar o serviço público a se preparar para a potencial demanda por cuidado intensivo.

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    “Quando começamos a pesquisa, em abril, ainda não estava tão claro que a obesidade seria considerada um fator de risco importante para a Covid-19”, recorda a pesquisadora. Ela defende a necessidade de políticas públicas de saúde voltadas a promover uma abordagem integrada e intersetorial da obesidade, com caráter regulatório e fiscal: “Deve haver uma mobilização transformadora para incentivar a realização de atividades físicas ao ar livre e hábitos alimentares saudáveis desde a infância, coordenada nos diferentes níveis de governo”.

    Este conteúdo é da Agência Fapesp.

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