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Por que o coronavírus pode levar a sintomas graves, complicações e mortes

Diante da primeira morte confirmada por Covid-19 no Brasil, entenda como o coronavírus é capaz de levar à insuficiência respiratória e ameaçar a vida

A confirmação da primeira morte causada pelo novo coronavírus no Brasil eleva o sinal de alerta frente à pandemia. O primeiro caso de óbito provocado pela Covid-19, em São Paulo, é o de um homem de 62 anos com diabetes e hipertensão. O que faz essa doença causar complicações, principalmente em certos grupos de risco?

Ainda que a maioria dos infectados apresente quadros leves ou assintomáticos, algumas pessoas estão mais expostas a complicações e morte. É o caso de idosos, portadores de doenças crônicas como diabetes e pressão alta, indivíduos em tratamento contra o câncer ou com a imunidade comprometida.

“Ainda é cedo para traçarmos uma projeção geral, porque cada país tem reagido de um modo diferente ao vírus, mas fatores como idade e estação do ano parecem influenciar os desfechos. Tanto é que vemos perfis distintos entre os doentes na Coreia do Sul e na Itália”, contextualiza o pneumologista Elie Fiss, professor da Faculdade de Medicina do ABC.

O fato é que os grupos de risco já determinados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) precisam ampliar a cautela, reforçando a adoção de medidas de higiene e isolamento social. Isso porque, em comum, eles tendem a apresentar uma imunidade menos apta a reagir a tempo e adequadamente ao coronavírus.

O envelhecimento e a presença de doenças crônicas costumam debilitar o sistema imune e facilitar qualquer tipo de infecção. E com a Covid-19 não é diferente. O agente infeccioso invade o organismo, em geral, pelas vias aéreas superiores (boca, nariz…) e, se há brechas nas defesas, consegue se multiplicar e migrar para os pulmões, causando estragos ali.

Veja o caso do diabetes. “Quem tem a doença já tem uma imunidade mais baixa, com menor potencial de reconhecer e contra-atacar vírus e bactérias”, afirma o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.  “Se o diabetes estiver descontrolado, então, o perigo é maior, uma vez que a glicose elevada no sangue prejudica a ação das células de defesa. Elas ficam menos competentes”, completa.

E o problema é que, se uma infecção respiratória toma conta do pedaço, a tendência é a glicemia subir, desatando um círculo vicioso que abre ainda mais espaço para o inimigo. Para diminuir o risco, Couri encoraja os pacientes a se cuidarem: “Esse é o momento para ter um bom controle da doença. Para isso, quem tem diabetes deve prezar por um estilo de vida saudável, evitar extravagâncias e circulação desnecessária e tomar ou ajustar os remédios de acordo com a orientação médica.”

O ataque do coronavírus aos pulmões e o risco de morte 

Embora os casos graves de Covid-19 representem uma minoria, quem pertence aos grupos de risco não pode bobear. Se houver suspeita e os sintomas piorarem, o atendimento médico quanto antes evita o colapso provocado pela doença.

Segundo Fiss, assim como outros agentes infecciosos por trás de problemas respiratórios, o coronavírus desperta um processo inflamatório que pode se estender pelas vias aéreas. Quando o vírus chega e se alastra nos pulmões, causa uma pneumonia. Na ânsia para se livrar do agente infeccioso, o corpo reage produzindo mais fluidos e substâncias inflamatórias. “Só que eles acabam ocupando os alvéolos, as pequenas estruturas onde ocorrem as trocas gasosas e que permitem disponibilizar o oxigênio ao organismo”, explica o médico, que também atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

É aí que se desenrola e agrava a insuficiência respiratória. “Ela é a principal causa de morte dos pacientes com Covid-19 hoje”, diz Fiss. A falta de oxigênio e a balbúrdia no organismo levam a um estado de choque e falência de outros órgãos.

Para frear esse processo, a equipe médica entra com o suporte de oxigênio e, se o quadro piorar, a entubação do doente. “A entubação precoce, pelos dados até o momento, tem prevenido desfechos piores e óbitos”, conta o pneumologista.