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Por que a hipertensão aumenta o risco de complicações do coronavírus?

Portadores de pressão alta (e diabetes) integram o grupo de risco da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Entenda o porquê

Por Chloé Pinheiro Atualizado em 18 ago 2020, 10h48 - Publicado em 18 mar 2020, 20h43

A primeira morte confirmada no Brasil por Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), é a de um homem de 62 anos com hipertensão e diabetes, em São Paulo. E portadores de ambas as doenças integram o grupo de risco para desenvolver sintomas mais graves após a infecção, segundo estudos chineses compilados em um artigo publicado no renomado periódico The Lancet.

Em um dos trabalhos, feito com mais de mil pacientes, dos 173 que foram acometidos de maneira severa pela Covid-19, 23% tinham pressão alta e 16%, diabetes. Em outro, de 140 internados por causa da Covid-19, 30% possuíam hipertensão e 12%, a glicemia cronicamente elevada.

Como já abordamos o diabetes neste link, é hora de nos concentrarmos na pressão alta. Antes de tudo, sabe-se que portadores de doenças crônicas estão em maior risco de contraírem vírus que acometem os pulmões (como o influenza, da gripe) e sofrem mais com as complicações dessas infecções. No caso da hipertensão, havia uma teoria extra: a de que os medicamentos para pressão alta favoreceriam a ação do novo coronavírus.

“Para infectar as células, o Sars-Cov-2 utiliza a enzima conversora de angiotensina 2, chamada de ECA-2, presente nas células de pulmão, rins e outros órgãos. E alguns remédios usados pelos hipertensos elevam o nível dessas enzimas”, explica a cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, diretora de Ciência, Tecnologia e Inovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Mas estudos começam a descartar essa hipótese. Três pesquisas sérias não encontraram uma relação entre essas medicações e o agravamento de casos de Covid-19. “Aliás, é provável que os pacientes com a pressão arterial descontrolada, ou que já tenham algum problema por conta dela, estejam mais em risco”, reforça o infectologista Francisco Ivanildo, da Sociedade Paulista de Infectologia.

Ou seja, não é para abandonar o tratamento por causa do novo coronavírus. “Esses remédios são fundamentais para tratar hipertensão e insuficiências cardíaca”, destaca Ludhmila.

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A SBC recomenda que os hipertensos reforcem medidas de prevenção, como se distanciar socialmente. O que vale, aliás, para portadores de doenças cardiovasculares no geral.

  • Cardiopatas estão em risco de complicações pelo novo coronavírus

    A mortalidade média da Covid-19 para a população em geral é de cerca de 3%, variando consideravelmente de país para país. Nos portadores de doenças cardiovasculares em geral, a taxa salta para 10,5%. Além dos hipertensos, entram na lista de atenção extra indivíduos que já tiveram infarto ou derrame, possuem obstruções nas artérias, insuficiência cardíaca, placas de ateroma ou outros males no peito.

    “Normalmente, o cardiopata tem um endurecimento das artérias e outras alterações que comprometem o fluxo sanguíneo para o pulmão”, comenta Elcio Pires Junior, coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro – Rede D’Or, em Osasco. “Com isso, ele fica mais debilitado”, completa.

    Fora isso, uma circulação comprometida dificulta a chegada de anticorpos e células de defesa nos locais atingidos por infecções. Não é um déficit no sistema imunológico tão intenso quanto o de pessoas em tratamento pelo câncer, por exemplo (outro grupo de risco para complicações) — mas ainda assim é algo para ficar de olho.

    No mais, doenças como hipertensão e diabetes não raro acometem o mesmo indivíduo. E isso poderia comprometer ainda mais as defesas do organismo contra infecções como o novo coronavírus.

    Cuidados para pessoas com hipertensão e outras doenças cardiovasculares

    A SBC divulgou recentemente uma diretriz com recomendações especificas sobre como proteger pacientes cardíacos do Sars-Cov-2 e atender casos suspeitos de infecção. Veja alguns pontos:

    • Intensificar medidas de prevenção, como a lavagem constante de mãos e o distanciamento social.
    • Manter rigorosamente uma rotina saudável. Alimente-se bem, tenha um sono regular, faça exercício de maneira moderada (cuidado com as academias e esportes coletivos!) e evite cigarro e álcool.
    • Priorizar cuidados e tratamentos para o novo coronavírus de acordo com a presença ou não de doença cardiovascular.
    • Incluir o cardiologista no time de cuidados dos pacientes críticos.
    • Monitorar com exames a saúde cardíaca de casos confirmados ou suspeitos com sintomas.
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