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É possível valorizar seu corpo ao mudá-lo?

Rejeição à imagem corporal desequilibra estado mental e atrapalha mudanças de hábito que resultariam na perda de peso

Por Gary Foster, diretor de ciência da WW* 5 Maio 2022, 14h03

A expressão “trate seu corpo como um templo” é bem conhecida e sugere que todo corpo é digno de respeito, não importa seu tamanho ou forma. No entanto, muitas pessoas pensam que um pré-requisito para o controle de peso bem-sucedido é estar insatisfeito com a aparência.

Acredita-se erroneamente que essa autocrítica é a maneira mais eficaz de se manter “motivado” para perder peso. Porém, não existe nenhuma evidência de que o desprezo pelo próprio corpo funcione como algo que nos leva a um lugar melhor.

A verdade é que as pessoas que têm uma imagem corporal melhor quando começam uma jornada de perda de peso são as mais propensas ao sucesso. No entanto, em uma sociedade que estigmatiza tamanhos corporais maiores e supervaloriza a magreza, isso pode ser mais fácil dizer do que fazer.

É importante ter em mente que a jornada de perda de peso não deve ser exclusivamente pautada por “parecer melhor”. Inclusive porque ela costuma ser mais exitosa quando se muda a mentalidade e se entende que nem o peso nem a forma definem seu valor.

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Uma das maneiras práticas de levar isso adiante é se concentrar e celebrar todas as coisas que seu corpo é capaz de fazer. Em vez de reclamar de braços “flácidos”, foque no que eles fazem por você – abraçar entes queridos, carregar coisas, bater palmas para seus filhos ou netos.

Quanto mais você valoriza a utilidade do seu corpo, ao invés de sua aparência em relação a algum ideal social, menos desprezo terá por seu “eu físico” e menos verá o peso como a principal medida de sucesso. Como mostram os estudos, quando você tem uma imagem corporal melhor, sente-se melhor e é mais provável que seja fisicamente ativo.

Mas é possível valorizar seu corpo e, ainda assim, querer emagrecer? Parece que essas ideias são contraditórias, não? A própria noção de perda de peso pode sugerir que você estaria melhor se fosse mais magro. Se fosse assim, como você pode valorizar seu corpo como ele é se está tentando mudá-lo?

Aí que está: valorizar seu corpo não impede de querer melhorar algum aspecto “utilizável” dele – mobilidade, flexibilidade, resistência… Uma jornada de perda de peso não se baseia só em “aparência”, mas em aprimorar como o corpo funciona.

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Perda de peso e mudanças na imagem corporal são resultados frequentes de cuidar melhor de si mesmo. Existem razões importantes, que não têm nada a ver com a estética, pelas quais alguém que emagreceu tende a se sentir bem: mais condicionamento físico, capacidade de se movimentar com conforto, subir degraus sem falta de ar, brincar com os filhos…

Alcançar todos esses resultados positivos envolve alimentação saudável, atividade física, boas noites de sono e a autovalorização, a bondade consigo mesmo.

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As razões das pessoas para emagrecer são particulares. Mudanças cosméticas são reais e importantes para alguns. Nem tanto para outros. Ao longo da minha carreira, descobri que, se a mudança é desejada para se encaixar em padrões sociais, é provável que ela não dure.

Se, por outro lado, for motivada pelo desejo de tratar seu corpo com gentileza ou de se sentir melhor em sua própria pele, então a chance de sucesso duradouro é maior.

A razão para mudar comportamentos é viver uma vida mais feliz e saudável. Isso implica comer, mover-se e pensar de maneira diferente, além de ser gentil com seu corpo e consigo mesmo. Se um dos resultados dessa jornada é a perda de peso e você está contente com isso, ótimo!

Assim viramos o dilema do avesso: a busca pelo bem-estar físico e mental é a busca daquilo que faz bem a você e ao seu corpo, não a do que precisa ser “consertado”. Quando a força motriz dessa jornada de autocuidado é a valorização do seu corpo, você terá mais combustível e alegria para a sua vida.

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* Gary Foster é psicólogo, pesquisador na área de obesidade e diretor de ciência da WW

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