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Boca Livre

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Esse é o blog de Patricia Julianelli, jornalista especialista em nutrição, esporte e qualidade de vida, além de apaixonada por comida e corrida de rua. Ela é autora do livro "Boca Livre - Comida e Boa Forma com Prazer e sem Neura" e apresentadora do quadro "Saúde em Movimento", da rádio CBN

Começar a correr é chato

Para boa parte dos iniciantes, é mesmo. Mas não desista: a corrida pode transformar a sua vida

Por Patricia Julianelli 17 set 2024, 11h29 | Atualizado em 4 jun 2026, 23h54
corrida-beneficios
 (Ilustração: Daniel Almeida/SAÚDE é Vital)
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Meu filho ainda não consegue adiar o prazer. Quer tudo para agora, com a força e a paixão típicas de um menino de 9 anos.

O começo na escolinha de futebol foi um martírio para ele e para mim. Dava trabalho para sair da cama, ia resmungando e voltava num humor daqueles…Achava que chegaria mandando gol de trivela e dancinha. Em vez disso, encarou treinos exaustivos, cansativos e, por vezes, chatos mesmo. Muita técnica, pouco jogo.

Eu insisti. Via com nitidez novos vínculos se formando e as tantas lições que o esporte coletivo nos ensina. Valeu a pena, viu? O tempo passou, ele fez amizade com a bola e com os meninos. E entendeu que algumas coisas fazem parte do jogo.

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Com o tempo, a gente aprende a adiar o prazer. Deixa de comer fora e comprar roupa nova para fazer aquela viagem. Abre mão da cerveja com a turma para encarar uma pós e tentar uma promoção. E entende que ser bom em algo exige treino e paciência

Com a corrida, não é diferente. Você talvez se sinta enganado, ludibriado. “Mas que barato é esse que os corredores falam? Eu não sinto nada, só um cansaço absurdo”. Calma, o barato vem, mas não logo de cara.

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Se você estava parado há muito tempo ou nunca fez exercício, vai ter que dar tempo ao corpo. Talvez fique longas semanas só na caminhada, talvez já comece intercalando corrida e caminhada – tudo vai depender do seu condicionamento e da orientação do treinador.

Como nesse começo a intensidade será baixa – e assim deve ser –, seu corpo não será inundado por doses cavalares de endorfina e outros neurotransmissores. Seus problemas não vão ficar pequenos nem o vento no rosto terá gosto de liberdade. Ainda não.

Essa fase inicial é de introdução e adaptação. De permitir que o corpo se adapte gradualmente aos novos estímulos. O pulmão pode até gritar: “Vai, acelera, eu dou conta!”. Mas, lembre-se: músculos, tendões e articulações ainda não estarão prontos.

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Como deixar essa fase inicial menos chata?

Você pode montar uma bela playlist musical para os treinos. Selecionar episódios do seu podcast preferido. Investir em áudio books. Chamar alguém bacana para treinar com você. Ou valorizar o privilégio de ter um momento só seu. Pode conhecer melhor a sua cidade, ou curtir a natureza naquele parque perto de casa.

Se eu pudesse dar apenas um conselho a um iniciante, seria não tenha pressa. Curta cada fase do processo. Pode demorar um pouco, mas a corrida vai te deixar com aquele sorriso bobo no rosto. Sim, você terá aquela vontade danada de bater na porta do vizinho e desejar bom dia, e de beijar o português da padaria.

Vale mais um conselho? Enquanto o ritmo não “engrena” na corrida, comece em paralelo a fazer treinos de força. Duas vezes por semana, de preferência com orientação de um bom personal. Assim, você fortalece os músculos, tendões e articulações, e melhora a estabilidade e a resistência, o que ajuda a prevenir lesões futuras.

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Começos podem ser chatos, mas nada, nada mesmo é mais chato do que se machucar. E ter que parar justamente quando a brincadeira estava ficando divertida.

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