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Premiados da ciência da nutrição

Prebiótico e óleo de peixe durante a químio, novo indicador de desnutrição... Conheça os trabalhos vencedores no maior congresso de nutrição do país

Por Goretti Tenório - Atualizado em 9 jul 2018, 11h08 - Publicado em 9 jul 2018, 10h15

O Ganepão, um dos maiores congressos de alimentação e cuidados nutricionais no país, chega à sua 40ª edição trazendo os principais avanços da área. Em sua premiação, um júri composto por mais de 20 nomes de referência elegeu os trabalhos vencedores em duas categorias: estudo experimental e clínico

Categoria experimental

Prebiótico para aliviar o intestino

Os quimioterápicos usados contra o câncer costumam infligir alguns efeitos adversos. Um deles é a mucosite, uma inflamação do tecido que reveste o intestino, quadro que causa dor e pode levar ao abandono do tratamento. Sem contar o risco de infecções e piora do estado nutricional.

No experimento vencedor, liderado pela nutricionista Flávia Peradeles, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi avaliada, em camundongos, a capacidade de prebióticos evitarem essa complicação. Prebióticos são fibras e compostos que interagem positivamente com as bactérias do intestino.

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A equipe testou um tipo específico, os fruto-oligossacarídeos (FOS), e demonstrou que, mediado pelo efeito na microbiota, ele ajuda a prevenir e tratar a inflamação provocada pela químio. “No grupo de animais que receberam o suplemento antes da indução da mucosite, ocorreu até o aumento de ácidos graxos, que também têm ação anti-inflamatória”, conta Flávia.

Vale lembrar que os fruto-oligossacarídeos (FOS) são encontrados naturalmente em alimentos como cebola, aspargo, alho e chicória. Na pesquisa, foi utilizado um suplemento dessa substância na ração dos camundongos, antes e depois da quimioterapia.

Probiótico contra o tumor

Segunda colocada na categoria, a pesquisa da nutricionista Sandra Genaro, da Universidade do Oeste Paulista, em Presidente Prudente, mostrou que a presença de bactérias de ação probiótica (lactobacilos e bifidobactérias) na dieta diminuiu a agressividade de lesões malignas no intestino de camundongos.

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Categoria clínica

Novo indicativo de desnutrição

Patrícia Zamberlan, nutricionista do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, foi buscar na bioimpedância elétrica (BIA) a chave para melhorar a avaliação da composição corporal de crianças e adolescentes gravemente doentes. Método não invasivo, confiável e barato, ele ainda é pouco utilizado nessa população – o que está por trás da falta de índices de referência para seu uso em UTIs pediátricas.

“A criação do escore é uma maneira não apenas de indicar a gravidade da condição mas de provar que a desnutrição está ligada a um risco maior de mortalidade”, explica Patrícia. Ao longo de um ano, foram levantados dados de 247 crianças e adolescentes internados por pelo menos 24 horas. A análise dos resultados revela que a BIA é uma ótima ferramenta para determinar o prognóstico e ajudar na elaboração de uma conduta nutricional precisa, o que aumenta as chances de vida dos pacientes mais jovens.

Como a bioimpedância elétrica pode aperfeiçoar a avaliação nutricional

O MÉTODO
eletrodos no paciente emitem uma leve corrente elétrica, que atravessa o corpo e mede índices como massa e água. Quando ela passa pelas células, ocorre um desvio que forma o chamado ângulo de fase.

ÍNDICE CRÍTICO
Quanto maior a perda da massa proteica da pessoa, menor é o ângulo de fase. Nas crianças, valores abaixo de 2,8 graus indicam risco maior de mortalidade, o que exige ainda mais atenção nutricional.

Óleo de peixe na químio

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Juliana A. Pastores Silva, doutora em oncologia pelo A.C. Camargo Cancer Center (SP), atestou a eficácia das cápsulas de óleo de peixe durante tratamento quimioterápico de câncer de reto. Ricas em ômega-3, elas reduziram os sintomas e melhoraram a qualidade de vida dos pacientes.

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