🔥 Black Friday começou! Assine Revista Impressa pelo preço do Digital Premium e aproveite o menor preço do ano com FRETE GRÁTIS!

Rabdomiólise: o que é, sintomas, causas, tratamento e como evitar

Condição que levou corredora à morte pode surgir após esforço intenso e afetar os rins; saiba como evitar

Por Redação VEJA Saúde 4 nov 2026, 11h14 | Atualizado em 4 nov 2026, 16h57
rabdomiolise-dores-musculos
Dores musculares e alterações na urina são os sintomas mais característicos do começo do problema (drobotdean/Freepik)
Continua após publicidade
Rabdomiólise: o que é, sintomas, causas, tratamento e como evitar Priorizar nos meus resultados Google

A morte da norte-americana Rachel Apa, de 24 anos, durante a Maratona de Nova York chamou atenção para a rabdomiólise, problema que pode surgir após a realização de exercícios físicos intensos. A jovem corria sua primeira maratona no domingo (1º) e desmaiou no Central Park, a pouco mais de 3 quilômetros da linha de chegada.

Socorristas e espectadores tentaram reanimá-la até a chegada da equipe médica da prova e ela foi levada ao hospital, mas não resistiu. Rachel corria os 42 km da prova para arrecadar recursos para o combate à doença de Parkinson, quadro com o qual viveu seu falecido avô.

A rabdomiólise, determinada como causa da morte, não é sempre fatal e pode surgir não só após exercícios extremos. A seguir, entenda o que é a condição, quais os sintomas, as causas, como é o tratamento e como evitá-la.

O que é rabdomiólise

Os músculos são formados pelas fibras musculares, células compridas que se parecem com pequenos fios e se contraem e relaxam para produzir movimentos.

Dentro delas ficam guardadas substâncias importantes para o funcionamento muscular, como a mioglobina, proteína que armazena oxigênio, o potássio e a creatinoquinase (CPK), enzima envolvida na produção de energia e usada como marcador de lesão muscular.

A rabdomiólise acontece quando uma lesão intensa provoca o rompimento das paredes de muitas dessas fibras. Como consequência, as substâncias que estavam dentro delas “vazam” para a corrente sanguínea.

Todo exercício físico gera algum grau de dano ao músculo. Em geral, o corpo consegue reparar essas pequenas lesões — e até voltar mais forte (hipertrofiar). É o que acontece quando sentimos dor muscular depois de um treino mais pesado.

Continua após a publicidade

O problema surge quando esse processo é excessivo e ultrapassa a capacidade de adaptação do organismo.

Quais as causas da rabdomiólise

O quadro pode aparecer depois de:

  • Exercícios físicos extremos;
  • Acidentes e pancadas fortes;
  • Exposição ao calor excessivo;
  • Infecções.

No caso do exercício, o risco aumenta quando a intensidade ou a duração da atividade supera aquilo a que o corpo está habituado.

“Há gente que corre uma maratona por dia e não vê problema, porque tem o corpo preparado para aquilo, mas outras podem desenvolver a condição após uma aula mais intensa”, pontua o médico do esporte Cadu Viterbo.

Continua após a publicidade

Foi o que aconteceu com a editora de arte Juliana Krauss, que teve rabdomiólise depois da primeira aula de spinning. Ela passou cinco dias e meio internada.

“Se você realiza um exercício mais intenso, muito mais longo, em uma condição diferente de temperatura, ou de duração prolongada, isso pode ultrapassar a capacidade do seu corpo e a lesão de fibras ser maior”, explica Viterbo.

Rabdomiólise pode acontecer com qualquer pessoa?

Sim. Segundo o nefrologista Eduardo Freitas Hatanaka, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, mesmo pessoas jovens, saudáveis e fisicamente ativas podem desenvolver rabdomiólise.

“O risco aumenta quando há esforço físico muito intenso ou prolongado, principalmente associado a calor excessivo, desidratação, falta de adaptação ao treinamento ou predisposição individual”, diz.

Isso vale tanto para sedentários que começam uma atividade muito intensa quanto para pessoas treinadas que se submetem a esforços excessivos que não faziam antes.

Continua após a publicidade

“As pessoas que estão mais condicionadas ou já estão acostumadas a determinados exercícios têm fibras mais fortes, mais resistentes àquele padrão de movimento”, explica Viterbo. Mas ele faz um alerta: “Estar fisicamente ativo não te protege 100%. Diminui o risco, sim, mas não elimina a chance de ter”.

Quais exercícios oferecem mais risco

Atividades que exigem muito esforço muscular, especialmente por períodos prolongados, podem aumentar o risco. É o caso de:

Isso não quer dizer que essas modalidades sejam perigosas por si só. Segundo Hatanaka, o principal fator de risco é a relação entre a intensidade, a duração do exercício e o preparo físico de quem o pratica.

Ainda não há dados concretos no Brasil sobre a frequência da rabdomiólise. Mas as notificações têm sido impulsionadas pelo aumento de treinos físicos intensos, como crossfit e corridas, e por uma maior vigilância médica sobre o problema.

Continua após a publicidade

Quais os sintomas da rabdomiólise

Os principais sinais de alerta são:

  • Dor muscular intensa;
  • Fraqueza;
  • Dificuldade para realizar movimentos simples, como caminhar ou subir escadas;
  • Inchaço nos músculos;
  • Mal-estar, dor de cabeça e cansaço extremo;
  • Urina avermelhada, marrom ou muito escura, com aparência de chá-preto ou refrigerante de cola.

A mudança na cor da urina pode acontecer pela eliminação de mioglobina pelos rins e exige avaliação médica imediata. Nem todas as pessoas, porém, apresentam esse sintoma.

Como diferenciar da dor muscular comum

Sentir algum desconforto depois de um treino intenso, especialmente quando o corpo não está acostumado à atividade, é normal e frequente. Na rabdomiólise, no entanto, os sintomas podem ser muito mais intensos.

“A pessoa fica mais letárgica e isso pode acontecer quase que imediatamente após o exercício”, explica Viterbo. “Já as dores normais costumam aparecer de 24 a 72 horas após o treino, e são bem localizadas”, completa.

Continua após a publicidade

“A grande diferença para a dor muscular comum é que a rabdomiólise tem um comprometimento sistêmico, principalmente renal, o que é o mais preocupante”, destaca o médico.

Por que a rabdomiólise é perigosa

A gravidade do quadro depende da quantidade de fibras musculares destruídas e de como o organismo reage à lesão. Em casos leves, a pessoa pode ter aumento das enzimas musculares no sangue, dores e fraqueza, mas se recuperar com tratamento e acompanhamento médico.

Nos casos graves, a principal preocupação é com os rins, responsáveis por filtrar o sangue e eliminar resíduos pela urina. O acúmulo das substâncias liberadas pelos músculos, especialmente a mioglobina, pode sobrecarregar esses órgãos e danificar suas células.

O resultado pode ser uma lesão renal aguda, a perda súbita da capacidade dos rins de faxinar o sangue. O quadro também pode levar grandes quantidades de potássio para o sangue, o que interfere no funcionamento elétrico do coração e provocar alterações perigosas nos batimentos cardíacos.

“Nos casos mais graves, pode haver risco de morte”, resume Hatanaka.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames de sangue, especialmente a dosagem de creatinoquinase (CPK), enzima liberada quando as células musculares são danificadas. Níveis muito elevados indicam lesão muscular.

Como é o tratamento da rabdomiólise

O tratamento depende da gravidade, mas geralmente envolve hidratação endovenosa (na veia), para manter uma boa circulação sanguínea nos rins e facilitar a eliminação das substâncias liberadas pelos músculos.

O paciente também pode precisar ficar internado para acompanhamento médico. Quando os rins perdem a capacidade de filtrar o sangue, pode ser necessária a diálise, procedimento que substitui temporariamente parte da função desses órgãos.

Como evitar a rabdomiólise

A prevenção envolve, principalmente, evitar que os músculos sejam submetidos a esforços muito além da sua capacidade. Os especialistas recomendam:

  • Começar uma nova modalidade de forma gradual e respeitar os limites do corpo;
  • Fazer uma preparação física progressiva;
  • Manter uma hidratação adequada;
  • Respeitar os períodos de recuperação;
  • Ter atenção especial em dias quentes e evitar exercícios extenuantes em ambientes muito quentes;
  • Contar, de preferência, com a orientação de um profissional de educação física.

Segundo Viterbo, a valorização da superação constante de limites também pode aumentar o risco de lesões, incluindo a rabdomiólise. “A gente tem que abandonar a ideia de que o treino só é eficiente quando a pessoa está exausta”, defende.

Quando procurar atendimento médico

Diante de dor muscular desproporcional ao esforço, fraqueza intensa, inchaço muscular importante ou alteração na cor da urina, interrompa o exercício e procure atendimento médico imediatamente.

Ainda assim, a rabdomiólise não deve ser motivo para ter medo de se exercitar.

Exercícios moderados também promovem adaptações positivas no organismo, e os benefícios da atividade física dependem, acima de tudo, da regularidade. “A atividade física é essencial para a saúde e deve ser incentivada”, afirma Hatanaka.

Esse conteúdo foi reescrito com auxílio de ferramenta de inteligência artificial, com apuração e revisão feitas por humanos.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Revista Claudia, celular e notebook exibindo conteúdo digital sobre fundo preto com texto BLACKFRIDAY repetido em cinza escuro
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

Sua saúde merece prioridade!
Com a Veja Saúde Digital , você tem acesso imediato a pesquisas, dicas práticas, prevenção e novidades da medicina — direto no celular, tablet ou computador.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
BLACK FRIDAY CHEGOU

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Veja Saúde impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).