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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

O que os nutrientes têm a ver com a sua saúde mental

Crescem as evidências de que certas substâncias dos alimentos exercem um papel no combate ao estresse, na melhoria do sono e no reforço à memória

Por Silvia Elena Mantovani e Flávia Rodrigues, nutricionistas* 19 jun 2021, 10h17

O que seriam apenas alguns dias trabalhando em casa, adotando medidas de prevenção e isolamento social, transformou-se em meses, e agora já passamos de um ano em uma dinâmica de restrições e adaptações devido à Covid-19. Por estarem mais tempo em casa, muitos acharam que finalmente poderiam ter uma alimentação balanceada e nutritiva, mas essa expectativa acabou sufocada pela tensão e pelas horas dedicadas ao serviço, o que levou ao maior consumo de alimentos industrializados, ultraprocessados e pobres em vitaminas e minerais.

Soma-se a esse cenário a invasão do fast food via delivery na casa dos brasileiros e assistimos a uma dificuldade crescente em manter refeições saudáveis. Só que, longe de ser algo pontual, essa situação pode influenciar, e muito, o bem-estar físico e mental.

Queixas como lapsos ou falta de memória, baixa disposição, cansaço mental, irritabilidade, baixa qualidade do sono, entre outras, podem ser consequências dessa piora na alimentação provocada pela mudança no estilo de vida. Como vem mostrando a ciência, deficiências de nutrientes podem acarretar prejuízos na concentração, fadiga mental e ansiedade.

  • Sobre os cuidados com a alimentação, a dieta mediterrânea, baseada em frutas, verduras, peixes, castanhas e gorduras boas como azeite de oliva, é a que carrega mais evidências de auxiliar no bom funcionamento cognitivo. Esses alimentos possuem nutrientes conhecidos como “nootrópicos”, que, resumidamente, ajudam a melhorar a comunicação entre os neurônios. Fazem parte do grupo ômega-3, fosfatidilserina, triptofano, vitaminas do complexo B e magnésio.

    A gente sabe, porém, que nem sempre é fácil atingir a ingestão recomendada desses elementos pela alimentação, ainda mais com a rotina desgastante da pandemia. É aí que ganhou notoriedade o uso de suplementos a fim de suprir a necessidade diária de substâncias que podem melhorar as funções cerebrais, o bem-estar e a qualidade de vida — algo que deve ser feito com o suporte de um profissional de saúde.

    De acordo com estudos atuais, a suplementação de ômega-3, gordura poli-insaturada com ação anti-inflamatória e originária de pescados de água fria, tem se mostrado particularmente importante na saúde neural. O nutriente participa de processos como maior fluidez da membrana dos neurônios e geração de novas células nervosas.

    O triptofano, fornecido por alguns grãos, também merece destaque. Pesquisas demonstram que esse aminoácido essencial (isto é, não produzido pelo corpo) atua na síntese de proteínas e de neurotransmissores como a serotonina, associada ao estado de felicidade, a dopamina, ligada à sensação de prazer, e a melatonina, que nos induz ao sono. As vitaminas do complexo B e o magnésio, por sua vez, atuam como coadjuvantes na produção hormonal.

    Ainda não temos previsão para o fim da pandemia do coronavírus, nem sabemos quando poderemos retomar as rotinas equilibradas de antes. Por isso, precisamos ampliar os cuidados com a alimentação, checar se há carência de nutrientes importantes, reservar um momento para realizar as refeições com calma, praticar exercícios, evitar telas de celular e TV próximo ao horário de dormir e fazer pausas relaxantes ao longo do dia. Só com o corpo e a mente bem nutridos vamos superar essa fase.

    * Silvia Elena Mantovani é nutricionista, especialista em nutrição esportiva e consultora de Inovação na Vitamine-se; Flávia Rodrigues é nutricionista, com extensão em nutrição clínica funcional, e coordenadora de Customer Success na Vitamine-se

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