PeptiStrong: o que é o suplemento que promete ser melhor que o whey
Derivado de fava tem chamado a atenção nas redes por ser "aliado do Mounjaro". Saiba o que diz a ciência sobre o assunto
Whey protein é o suplemento esportivo com maior evidência que existe por um fato: ele é basicamente o macronutriente “proteína” em sua forma quase pura.
Formado pela concentração do soro do leite, ele ficou famoso por abarcar todos os nove aminoácidos essenciais ao organismo, ou seja, os tijolinhos que constituem proteínas importantes mas nosso organismo não é capaz de fabricar sozinho, por isso precisam ser obtidos pela alimentação.
Mesmo assim, muita gente tenta desbancar o suplemento. Há quem diga que ele cause espinhas, e que suplementar colágeno seria melhor, mas não existe evidência nenhuma para isso.
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Agora, emerge na mídia o PeptiStrong, um peptídeo bioativo vegano, obtido a partir de proteína da fava (Vicia Faba), que vem sendo apresentado como uma boa alternativa para estimular a síntese proteica muscular. Propagandas até afirmam que ele é o “melhor amigo” de quem toma Mounjaro, pois ajudaria evitar a perda de massa muscular.
Mas isso faz sentido? Ele é mesmo melhor que o whey? Entenda.
O que tem dentro do PeptiStrong
“As evidências apresentadas não permitem concluir que uma pequena quantidade de um ingrediente bioativo substitua uma fonte tradicional de proteína”, explica o nutricionista Caio Victor, professor da Faculdade de Ciências Médicas da UNIFACISA.
A diferença já começa na composição. O whey é uma proteína completa, com todos os nove aminoácidos essenciais e uma quantidade relevante de leucina, um dos aminoácidos mais importantes para o estímulo da síntese proteica muscular.
Já o PeptiStrong, como outras proteínas vegetais, tem um perfil diferente. Leguminosas como a fava, o feijão, a lentilha e a ervilha fornecem leucina e todos os aminoácidos essenciais, mas, em geral, apresentam uma proporção menor de leucina por grama de proteína do que o whey.
Segundo a empresa que fabrica o PeptiStrong, ele seria melhor por ser formado por peptídeos bioativos, obtidos a partir da hidrólise da proteína da fava. Mas só a partir disso não dá para concluir nada.
“Uma comparação conclusiva exige acesso à composição analítica completa e padronizada dos produtos, considerando quantidade consumida, teor de leucina e dos demais aminoácidos essenciais, digestibilidade e biodisponibilidade”, explica o especialista.
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O que indicam os estudos
Basicamente, há três estudos principais que supostamente embasam as propriedades atribuídas ao PeptiStrong.
Mas eles têm desenhos bastante diferentes — e nenhum deles, isoladamente ou em conjunto, permite dizer que o suplemento é superior ao whey.
O primeiro estudo, publicado em 2022, avaliou se a ingestão de proteína de fava seria capaz de aumentar a síntese de proteínas musculares em homens e mulheres jovens e saudáveis, tanto em repouso quanto depois de exercícios de resistência.
O resultado: a ingestão da proteína de fava não aumentou significativamente a síntese proteica muscular nas condições avaliadas.
O trabalho não testou diretamente o PeptiStrong, porém indica que a proteína de fava talvez não seja tão revolucionária assim.
O segundo estudo, publicado em 2023, foi por outro caminho. Em vez de olhar diretamente para a síntese proteica, os pesquisadores avaliaram se um hidrolisado de proteína de fava poderia melhorar a recuperação da força e a fadiga depois do exercício.
Nesse caso, até houve resultados favoráveis em comparação com placebo, além de uma redução da chamada miostatina, miocina envolvida na regulação do crescimento muscular.
Mas existe uma diferença fundamental: “O estudo citado comparou o hidrolisado de fava com placebo, e não com whey protein. Consequentemente, seus resultados não permitem concluir superioridade em relação ao whey ou a outra fonte proteica”, diz Caio Victor.
E mesmo a redução da miostatina não significa músculos maiores. “Uma alteração nesse marcador não equivale, necessariamente, ao aumento efetivo de massa muscular”, afirma o especialista.
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Por fim, o terceiro estudo, também publicado em 2023, fez uma comparação mais interessante: colocou uma rede de peptídeos derivados da fava frente a uma proteína concentrada do leite.
No teste, 30 homens jovens tiveram uma das pernas imobilizada durante sete dias e depois passaram por 14 dias de remobilização. Durante a imobilização, não houve diferença entre os grupos na perda de tamanho muscular. Na recuperação, também não houve diferença no tamanho do músculo.
Mas, o grupo que recebeu os peptídeos de fava apresentou maior taxa de síntese proteica durante a remobilização. Só que isso não resultou em músculos maiores no período analisado.
“Além disso, o comparador utilizado foi um concentrado proteico do leite, e não necessariamente whey protein. Portanto, o estudo pode sugerir uma resposta metabólica específica naquele modelo experimental, mas não permite afirmar que o ingrediente seja superior ao whey para promover hipertrofia em situações habituais de treinamento”, acrescenta o nutricionista.
No fundo, os três trabalhos estão longe de comprovar a promessa de que esse suplemento seja melhor que o whey. Cuidado com o marketing enganoso que ronda a internet.







