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Alcoólicos anônimos: funciona mesmo

As reuniões do AA podem auxiliar a vencer a dependência por álcool — mas não só pelo caráter religioso

Os 12 passos escritos abaixo dão a impressão de que apenas cristãos praticantes se juntariam aos Alcoólicos Anônimos. Mas uma análise da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, sugere que, além de em média ser ao menos tão eficaz quanto tratamentos médicos convencionais, essa irmandade conquista adeptos por mecanismos sociais e afetivos.

“Tenho pacientes que vão ao AA e não são religiosos. O foco do método é contar sua história para outros na mesma situação e ouvir a deles”, diz o psiquiatra Arthur Guerra, presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa). “Isso ajuda porque a dependência vira um problema de todos”, completa.

Além disso, no AA não há meio-termo: para se livrar do vício por drogas, a abstinência deve ser completa. “Com isso, o membro se expõe menos a situações que geram a vontade de beber”, explica Guerra. Só lembre que o AA está sujeito a falhas, não agrada a todos e pode andar junto com a medicina. Converse com um profissional.

Os 12 passos do AA

Em negrito, os destaques do psiquiatra Arthur Guerra, do Cisa

1. Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.

2. Viemos a acreditar que um poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.

3. Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.

4. Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.

5. Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.

6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7. Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.

8. Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.

9. Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.

10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

11. Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir essa mensagem aos alcoólicos e praticar esses princípios em todas as nossas atividades. 

O lado obscuro do álcool

Quando ingerido em excesso, ele traz uma série de danos

Cirrose

Com o tempo, as doses sobrecarregam o funcionamento do fígado. Aí ele começa a apresentar cicatrizes e a perder sua função de processar diversas substâncias do organismo. Essa é a cirrose, a condição que mais leva ao transplante hepático.

Câncer

A falência do fígado promove alterações nas células que propiciam o aparecimento de um tumor. Mas não é somente nesse órgão que o alcoolismo faz surgir nódulos malignos. Ao lado do cigarro, ele sobe o risco de cânceres de cabeça e pescoço.

Depressão

Qualquer dependência abala consideravelmente os neurônios. Acima disso, costuma desestruturar famílias e afastar a pessoa dos verdadeiros amigos. Diante desse cenário, não é uma surpresa os transtornos psiquiátricos darem as caras.

Síndrome alcoólica fetal

Em um artigo da Universidade de Toronto, no Canadá, cientistas estimaram que, no mundo, 119 mil bebês nascem todo ano com essa condição — defeitos congênitos deflagrados pelo consumo de álcool nos meses da gestação.

Gastrite

Abusos alcoólicos acabam mexendo com a acidez do estômago e lesando suas células – é queimação na certa. Entretanto, todo o aparelho digestivo sofre. Diarreia, desnutrição, refluxo e outras condições são mais comuns em quem não consegue parar de beber.

Cardiomiopatia

Trata-se de uma inflamação no coração decorrente da concentração elevada de álcool no sangue. Os sintomas envolvem dor no peito, palpitações, dificuldade para respirar… Se nada for feito, o quadro passa a ameaçar a vida do sujeito.

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