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Maioria dos usuários das canetas antiobesidade reganha peso após parar tratamento

Achados sugerem que, um ano após a suspensão do tratamento com medicações como Mounjaro e Wegovy, 58% dos pacientes retomam parte do peso perdido

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
17 nov 2025, 17h10 •
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Semaglutida é princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy (Foto: David Petrus Ibars/Getty Images)
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  • Os medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade e da diabetes tipo 2 – como Ozempic, Wegovy e Mounjaro – ficaram especialmente famosos por favorecerem o emagrecimento.

    Agora, um novo estudo, apresentado este mês na Obesity Week, nos Estados Unidos, analisou o que acontece quando eles são interrompidos. Mas os resultados podem não ser muito animadores. Segundo a análise, mais da metade dos usuários volta a ganhar ao menos parte dos quilos perdidos em até um ano após pararem com essas medicações.

    O trabalho, ainda não publicado, foi conduzido em Nova Iorque, sob a liderança do endocrinologista Michael A. Weintraub. A equipe analisou dados de 17.935 pacientes que haviam utilizado esse tipo de medicação, chamadas de agonistas do receptor GLP-1, para tratar obesidade ou diabetes tipo 2, todos sob prescrição médica.

    Os medicamentos, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, são na verdade agonistas do hormônio intestinal GLP-1. Eles imitam a ação natural desse hormônio, que aumenta a saciedade e estimula o pâncreas a liberar mais insulina quando a glicose está elevada.

    O que o estudo descobriu

    Os pesquisadores analisaram um grande banco de dados formado por prontuários eletrônicos e informações de planos de saúde. A partir desses registros, acompanharam o histórico dos milhares de pacientes cadastrados entre 2010 e 2024, avaliando o trajeto do peso de cada um antes, durante e até um ano após a interrupção do medicamento.

    De cara, eles viram que, depois de um ano sem a medicação, 58,4% dos usuários recuperaram peso. Somente 34,4% mantiveram as mesmas medidas de quando pararam com as canetas ou continuaram a perder peso. Além disso, de olho nas planilhas, os pesquisadores também chegaram a um outro dado importante: quanto maior a perda de peso, maior o reganho.

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    Os resultados acompanham uma tendência observada em diversos outros estudos. Por isso, os especialistas reforçam que as medicações não são ‘curas’ permanentes

    “Esse é um estudo que refina dados já encontrados anteriormente e reforça a percepção de que o tratamento deve ser feito com foco em longo prazo, monitoração adequada e acompanhamento multiprofissional”, avalia Paulo Miranda, coordenador da Comissão Internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

    Por que o peso volta?

    Não há dúvida de que os medicamentos análogos do GLP-1 são eficazes para ajudar as pessoas a emagrecer. Mas, dados os seus preços elevados e os efeitos secundários dispendiosos que podem incluir náuseas, dores de estômago e azia, muita gente se preocupa em saber o que acontece caso pare de os tomar.

    Miranda explica que, quando passamos por uma grande perda de peso, o corpo entende a situação como uma possível ameaça à sobrevivência. Então, para tentar “proteger” nossas reservas, o organismo faz duas coisas ao mesmo tempo: aumenta o consumo energético, tentando repor o que foi perdido (o que pode causar mais fome), e reduz o gasto calórico (ou seja, você queima menos calorias).

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    Com isso, toda vez que uma pessoa é submetida a um tratamento para o controle da obesidade ou do sobrepeso, depois há uma ação do corpo para retomar peso anterior”, explica o endocrinologista. Isso significa que, com a suspensão da medicação, os efeitos adaptativos se sobressaem e a tendência ao reganho surge.

    +Leia também: Mounjaro “do Paraguai”: entenda os riscos de canetas emagrecedoras sem regulamentação

    Então, o tratamento é para a vida toda?

    Sim e não. “O tratamento da obesidade é para toda a vida”, diz Miranda. O acompanhamento, a monitoração do peso e as estratégias de perda de peso devem ser, sim, desenhadas para longo prazo. Mas isso também não significa, necessariamente, que os medicamentos serão usados para sempre.

    O uso da medicação, para algumas pessoas, sim, vai ser por longos períodos, mas a estratégia é bem individualizada e a gente não tem uma resposta que sirva a todas as pessoas”, diz o médico. Afinal, as respostas aos medicamentos GLP-1 podem variar consideravelmente em nível individual.

    Para começar, nem todos se beneficiam desses medicamentos. O estudo clínico com a semaglutida, por exemplo, também constatou que quase 14% dos participantes não conseguiram perder nem 5% do peso corporal com a substância.

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    Por isso, além da medicação, a prática de atividade física, mudanças de hábitos alimentares e acompanhamento médico são figuras carimbadas no desenho de estratégias para manutenção do peso e da saúde.

    Miranda reforça, ainda, que a variação de peso após a suspensão dos medicamentos também pode trazer consequências importantes. Sem acompanhamento adequado, há risco de perder massa muscular e recuperar gordura em proporção maior, especialmente quando não há ajuste alimentar nem prática regular de atividade física.

    +Leia também: Ozempic: os riscos de usar apenas para perder uns quilinhos

    Por isso, o uso de remédios isoladamente, sem orientação médica e apoio multidisciplinar, aumenta a chance de piora metabólica, em vez de promover uma melhora sustentada da saúde.

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