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Carlos Eduardo Barra Couri é endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis. Aqui ele mapeia os cuidados e os avanços para o controle do diabetes
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O tratamento da obesidade é para a vida toda?

Um estudo recém-apresentado que acompanhou pacientes em uso de medicamentos de última geração reforça que sim

Por Carlos Eduardo Barra Couri
16 out 2023, 16h00

Você já fez ou conhece alguém que fez algum tratamento para emagrecer? Certamente, sim. É um tratamento que envolve melhoria dos hábitos alimentares, exercícios físicos regulares, controle da qualidade do sono e, em alguns casos, medicamentos.

Mas por quanto tempo ele deve ser feito? Meses? Semanas? Anos? Até a pessoa atingir o peso normal? Para sempre?

Em 2022, tive a oportunidade de ser curador de uma pesquisa com 654 médicos de todo o Brasil chamada Receita de Médico: o que pensa quem cuida de pessoas com obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. Respondido em sua maioria por endocrinologistas, o questionário tinha uma pergunta específica: “Por quanto tempo o tratamento medicamentoso da obesidade deveria ser feito?”

E a resposta: apenas 46% dos médicos disseram que o tratamento é para a vida toda. E mais: 32% relataram interromper o tratamento após uma “boa perda de peso”.

Mas será que temos evidências científicas para interromper o plano terapêutico? Lembrando que ele engloba muito mais do que somente remédios – pressupõe também mudanças no estilo de vida.

Durante o Congresso Europeu de Diabetes 2023, recém-ocorrido em Hamburgo na Alemanha, tivemos acesso a novos e importantes dados a respeito. Estudos ali apresentados confirmam o caráter contínuo do tratamento da obesidade. Isso mesmo: o tratamento é contínuo!

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O destaque do evento foi a apresentação do estudo SURMOUNT-4, que avaliou o efeito da tirzepatida — medicação recém-aprovada para o tratamento do diabetes tipo 2 no Brasil, mas notável pelo impacto na perda de peso – em pessoas com obesidade e sobrepeso, porém sem diagnóstico de diabetes.

Trata-se de uma injeção subcutânea semanal, testada desta vez entre pessoas com 47 anos e 107 kg, em média. Cerca de 35% tinham pressão alta e 32% apresentavam alteração nos níveis de colesterol ou triglicérides. Todas 783 pessoas incluídas no trabalho utilizaram tirzepatida por nove meses, juntamente com exercícios regulares e alimentação saudável.

E qual o resultado? Uma perda média de peso de 21% (ou seja, 22 kg).

+ LEIA TAMBÉM: O que esperar da tizepatida, medicação recém-aprovada no Brasil?

Concluída essa etapa, os cientistas selecionaram aleatoriamente metade dos voluntários, que continuaram usando tirzepatida por mais 13 meses. A outra metade fez o que muitos brasileiros fazem: simplesmente parou de tomar a droga e manteve os hábitos saudáveis, uma vez que haviam perdido boa parte do peso corporal.

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E qual foi o resultado 13 meses depois? Aqueles que permaneceram tomando a tirzepatida apresentaram uma redução extra de 5% corporal, totalizando uma redução de 26% ao final de 22 meses. E aqueles que pararam o uso do medicamento reganharam metade do peso. Sim, voltaram a engordar!

estudo-tirzepatida
Os efeitos de parar o tratamento, segundo estudo com tirzepatida. (Gráfico: C.E.B. Couri/Reprodução)

A conclusão é algo semelhante à do estudo STEP-4 ,que utilizou o medicamento semaglutida subcutânea semanal na dose de 2,4 mg em pessoas com obesidade e sem diabetes. Veja: tanto a tirzepatida como a semaglutida são os remédios aprovados e comercializados com maior potencial de emagrecimento até o momento.

Assim, mesmo com medicamentos eficazes, a suspensão do tratamento médico se reverte em ganho de peso. Que mensagens ficam dessa história? A obesidade é uma condição crônica. E, como tal, necessita de tratamento crônico!

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