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Câncer de pulmão: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Silencioso, o tumor é um dos que mais mata no mundo, justamente por ser descoberto já em estágio avançado. Fumantes estão mais sujeitos a ele, mas não só

Por Chloé Pinheiro
Atualizado em 23 ago 2023, 17h49 - Publicado em 13 ago 2021, 13h01

O câncer de pulmão, relacionado especialmente ao cigarro, é o segundo mais comum no Brasil, sem contar o câncer de pele não-melanoma. De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o país teve cerca de 30 mil novos casos e 29 mil mortes pela doença em 2020.

A doença tem cura, especialmente quando descoberta cedo, mas uma das principais dificuldades do enfrentamento é o fato de ela ser silenciosa. “Existem poucos sintomas na fase inicial, o que acaba atrasando o diagnóstico”, comenta a oncologista Mariana Laloni, do Grupo Oncoclínicas.

O que causa o câncer de pulmão

O cigarro é o fator de risco mais importante aqui. Estima-se que cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estejam associados ao tabagismo, incluindo o fumo passivo. A incidência da doença até tem caído devido às medidas restritivas que estão diminuindo a quantidade de fumantes no mundo.

LEIA TAMBÉM: Não existe quantidade segura de cigarro

A exposição constante a poluentes do ar e agentes químicos ou físicos (entre minérios radioativos e asbestos) também aumenta o risco desse tumor. Por isso, trabalhadores de diversas indústrias, construção civil, bombeiros, mecânicos e outros podem estar mais suscetíveis a ele.

Mais raramente, histórico familiar e fatores genéticos influenciam no desenvolvimento.

Tipos de câncer de pulmão

Historicamente, o câncer de pulmão é classificado em dois grandes grupos, pequenas células e não pequenas células (CNPC), sendo o segundo tipo bem mais frequente (80% dos casos). Só que, hoje, se conhece tanto sobre os nódulos malignos que aparecem no órgão que essa divisão está caindo em desuso.

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“Dentro do câncer não pequenas células, existem vários subgrupos que podem ser tratados com drogas mais específicas para eles”, comenta Mariana. Os principais são o adenocarcinoma, responsável por 50% casos de CNPC, e o escamoso, flagrado em cerca de 20 a 30% dos diagnósticos.

E mesmo entre esses grupos existem mais divisões. “No caso do adenocarcinoma, conhecemos diferentes perfis de mutações genéticas nas células que levam ao crescimento do tumor, e podemos interferir em sua atividade com medicamentos” comenta o oncologista Luiz Henrique Araújo, pesquisador no Inca e diretor no Grupo COI – Clínicas Oncológicas Integradas.

Alterações no gene EGRF (fator de crescimento endotelial) são as mais comuns, seguidas por mudanças nos genes ALK , MET, HER2, K-RAS, BRAF e RET.

cigarro
Fumar é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. (Foto: Alex Silva/A2 Estúdio)

Sintomas e rastreamento: como é feito o diagnóstico

Os sintomas principais são:

  • Tosse persistente, que pode ou não ter sangue
  • Dor no peito
  • Rouquidão
  • Perda de peso
  • Cansaço
  • Falta de ar

Só que eles só costumam aparecer quando o tumor já está avançado. Por isso, assim que aparecerem, especialmente em fumantes, a recomendação é procurar o médico.

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Raios-x e tomografias de tórax são os primeiros exames solicitados, seguidos por outros, como o PET-CT e a biópsia (hoje existe ainda a biópsia líquida). O Inca não recomenda rastreamento populacional do câncer de pulmão, pelos riscos inerentes à investigação de casos positivos, que podem superar o benefício do rastreio, mas o tema é polêmico.

Nos Estados Unidos, pesquisadores sugerem o rastreio em grupos específicos. “Estudos recentes mostram que realizar tomografia de tórax com baixas doses de radiação para fumantes ou ex-fumantes, a partir dos 55 anos de idade, pode ajudar a reduzir em até 20% a mortalidade”, comenta Araújo. O ideal é que a estratégia seja decidida em conjunto com o médico.

Fato é que o diagnóstico precoce ajuda muito nas chances de sobrevivência. “Uma pessoa que descobre um tumor no estágio 1A, o mais inicial, tem 70% de chances de estar viva em cinco anos. No estágio 3B, um dos mais avançados, essa possibilidade cai para 10%”, destaca Mariana.

O tratamento do câncer de pulmão evoluiu bastante

imunoterapia-cancer-de-pulmao
(VEJA SAÚDE/SAÚDE é Vital)

A partir do diagnóstico inicial, é feito um mapeamento do corpo para verificar se há metástases em outros órgãos e, especialmente, no mediastino, uma estrutura que fica próxima aos pulmões.

Se o tumor estiver em fase inicial, e localizado apenas no pulmão, o tratamento de escolha costuma ser a cirurgia para retirá-lo ou, como alternativa, a radiocirurgia, que é uma radioterapia muito direcionada.

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“Em casos mais avançados, mas ainda sem lesões à distância, combinamos radio e quimioterapia, ainda com a intenção de curar a pessoa”, conta Mariana. “Se ela responde aos tratamentos, podemos consolidar o resultado positivo com a imunoterapia”, completa a oncologista.

+ Anvisa aprova novo tratamento para o câncer de pulmão avançado

A imunoterapia está mudando o jogo do tratamento do câncer de pulmão e outros tumores. “A descoberta dessa estratégia, que religa nosso sistema imune ou tira a camuflagem que a célula maligna usa, contribui muito para o sucesso do tratamento”, pontua Mariana. Remédios integrantes dessa classe, alguns já disponíveis no Brasil, diminuem o risco de recidivas.

Quando há metástase, o caminho depende do tipo de tumor. Para alguns, a quimioterapia funciona melhor, para outros o ideal é adotar somente a imunoterapia. É nessa fase que costumam ser feitos os testes genéticos em busca de mutações que justifiquem o uso de terapias-alvo, que inibem os chamados oncogenes.

Para o câncer de pequenas células, mais raro e agressivo, existem poucos quimioterápicos eficazes, e eles não costumam agir tão bem. É um campo ainda a ser explorado pela medicina.

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Outro ponto a ser resolvido é a dificuldades no acesso a bons tratamentos e a demora no diagnóstico, que ainda atravancam a jornada da pessoa com câncer de pulmão rumo à cura, como mostramos nesta reportagem.

Agosto Branco

Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer de pulmão e a importância de realizar o diagnóstico precoce.

Até 2024, segundo o Inca, mais 30 mil brasileiros serão diagnosticados com tumores no pulmão anualmente.

No mundo, ele é o mais frequente entre homens e o terceiro entre as mulheres, provocando 1,9 milhão de óbitos, o que o torna a principal causa de morte relacionada ao câncer.

A data foi instituída no mesmo mês em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), principal causa conhecida para os tumores no órgão.

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