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Obesidade: uma pandemia que atinge mais de 2 bilhões de pessoas no mundo

Na data que marca a necessidade de conscientização sobre esse problema, que está por trás de várias doenças, precisamos discutir maneiras de enfrentá-lo

Por Marília Sobral Albiero, engenheira química* 4 mar 2022, 10h20

Hoje, 4 de março, é o Dia Mundial da Obesidade. Trata-se de uma doença que pode agravar os quadros de Covid-19, além de ser um fator de risco para diabetes do tipo 2, complicações cardiovasculares, hipertensão, derrame e câncer.

Pelos cálculos da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem mais de 2 bilhões de pessoas com excesso de peso ou obesidade no planeta.

No Brasil, o excesso de peso atinge mais da metade da população. E um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, entre 2003 e 2019, a incidência de obesidade mais que dobrou entre indivíduos com 20 anos ou mais.

A menos de sete meses das eleições para os poderes legislativo e executivo federal, temos a oportunidade de refletir sobre a escalada das estatísticas e sua importância na pauta dos candidatos.

+ Leia também: Novos rumos para a perda de peso

Ganho de peso não é escolha pessoal

Os números alarmantes de excesso de peso e obesidade confirmam o fracasso das medidas tomadas até então para enfrentar esses problemas, mas também apontam caminhos.

De partida, a obesidade precisa deixar de ser vista como mera questão de escolha pessoal – portanto, passível de ser resolvida com estratégias calcadas apenas na promoção das mudanças de hábito.

Na verdade, não resta dúvidas de que estamos diante de um desafio de saúde pública.

O primeiro passo talvez seja enxergar esse preocupante cenário como reflexo de um modelo em que cada vez mais pessoas adoecem, passam fome ou morrem em consequência de hábitos alimentares inadequados.

Não por um acaso, milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar também sofrem com sobrepeso ou alguma doença crônica associada ao tipo de dieta.

+ Leia também: Será que você anda desnutrido?

Ora, enquanto alimentos in natura ou minimamente industrializados ficam mais distantes da maioria da população, os ultraprocessados se tornam cada vez mais acessíveis – quase sempre chegando às prateleiras com preços artificialmente baixos graças a manobras fiscais.

Uma investigação coordenada pelo professor Valter Palmieri, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), comprova que, entre junho de 2006 e março de 2021, a inflação das frutas foi 114% maior do que a dos “açúcares e derivados.”

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A alta de preço, o desemprego ou o desmonte sistemático de políticas públicas que estamos observando atualmente deixam mais evidente a relação entre fome e obesidade.

No fim de 2020, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Pensam) encontrou 19 milhões de brasileiros passando fome e 116,8 milhões vivendo em insegurança alimentar.

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Preço de alimento ultraprocessado precisa subir

Para tentar equilibrar essa balança, desestimulando o consumo de produtos que fazem mal, a OMS e o Banco Mundial recomendam o aumento do preço final a partir da elevação de tributos. Essa é uma medida que vem dando certo em relação ao tabaco.

Representantes da sociedade civil e associações médicas defendem que seja adotada a mesma postura com as bebidas adoçadas. Apesar de o produto representar a principal fonte de açúcar na dieta da população mundial, no Brasil, a indústria de refrigerantes e sucos de caixinha recebe isenção fiscal de R$ 3,8 bilhões por ano.

+ Leia também: Brasileiro tem dieta monótona

A iniciativa para rever essa distorção vem sendo discutida na proposta de reforma tributária que transita no Congresso.

O relatório Tributação de bebidas e alimentos não saudáveis no mundo: experiências internacionais e seus impactos, lançado pela ACT Promoção da Saúde, mostra como a ideia vem dando resultado em 60 lugares, entre países como Reino Unido, França, África do Sul, México, países do Pacífico e do Golfo Pérsico, e cidades americanas, como São Francisco e Seattle, nos Estados Unidos.

Sabemos, no entanto, que a revisão dos impostos das bebidas adoçadas é apenas parte de um pacote maior de políticas públicas que precisa ser adotado para combater a obesidade.

Além da tributação, defendemos, por exemplo, a rotulagem frontal – alertando para o alto conteúdo de nutrientes como açúcares adicionados, gorduras saturadas e sódio – e a promoção de ambientes alimentares saudáveis, com a proibição da venda de produtos que fazem mal em escolas e outros ambientes institucionais.

A obesidade é um problema complexo, que deve ser combatido em diversas frentes.

*Marília Sobral Albiero é engenheira química e coordenadora de Inovação e Estratégia da ACT Promoção da Saúde

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