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O desafio do bem-estar mental nas empresas

O aumento dos transtornos psiquiátricos no mundo corporativo é uma realidade e faz com que as políticas de atenção especial se tornem prioridade

Por Táki Athanássios Cordás, psiquiatra*
Atualizado em 3 jan 2024, 11h50 - Publicado em 2 jan 2024, 18h17

Podemos afirmar que uma outra “pandemia”, antes oculta e silenciosa, hoje deixa marcas em diversos aspectos das nossas vidas. Depois de mais de quatro anos de incertezas e turbulências, podemos apontar para a hora e a vez de um epicentro na saúde mental?

Sem dúvida, o enfrentamento da Covid-19 em si encobriu durante muito tempo o crescimento dos transtornos mentais. E são vários: diferentes tipos de depressão, transtornos de ansiedade, consumo de álcool e drogas, declínio cognitivo e quadros demenciais, transtornos da alimentação e obesidade etc. Os desafios não são poucos.

Se é preocupante? Muito. Um dos mais graves aspectos que impede a ajuda é que, muitas vezes, sintomas de depressão ou ansiedade se confundem com tristeza, estresse, preocupações, irritação, cansaço… Ou seja, com sensações que todos nós podemos eventualmente apresentar em alguns dias, inclusive no ambiente de trabalho.

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E, infelizmente, a formação de diferentes profissionais médicos não os permite identificar sutilezas e sintomas que marcam transtornos psiquiátricos.

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Além disso, o estigma de ter um transtorno psiquiátrico no mercado de trabalho é um dos maiores problemas para busca de ajuda – seja pelo temor de ser julgado como fraco ou não esforçado, seja pelo medo de perder o emprego.

Mas o fato é que esses quadros afetam a qualidade de vida e, claro, comprometem a produtividade.

Isso e muito mais nos levou, mais uma vez, a realizar nos dias 17 e 18 de abril de 2024, o SER (Saúde Emocional Ressignificada). É um Summit em São Paulo que terá sua segunda edição com o tema “O impacto da saúde mental no trabalho: a construção do equilíbrio”.

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Uma pesquisa de mercado realizada pela Mercer Marsh Benefícios, que consultou 850 grandes empresas (tanto nacionais quanto multinacionais) que operam em todas as regiões do Brasil e trouxe dados instigantes. Praticamente a metade delas (49%) não dispõem de ações de saúde mental. É um sinal vermelho para a saúde mental.

É imprescindível atuar com urgência não apenas na pessoa doente, mas no ambiente de trabalho, enfrentando o preconceito, o estigma e a discriminação. Outra questão fundamental ainda não abordada é a necessidade de encaminhamento ao especialista, sem meias medidas ou temores preconceituosos. O cérebro adoece tal qual o fígado, o coração, o pulmão, o intestino…

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre as dez maiores causas de incapacidade no trabalho ou acadêmicas, cinco são psiquiátricas. Essa estatística diz respeito ao número de dias não trabalhados ou perdidos nas atividades acadêmicas ao longo da vida de um indivíduo.

A saber, os cinco quadros psiquiátricos são:

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  • Depressão unipolar
  • Distúrbio bipolar do humor
  • Esquizofrenia
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
  • Transtornos por uso de álcool

A atenção com a saúde mental não pode (nem deve) ser apenas representada pelo cuidado específico dado ao colaborador que adoece. Oferecer suporte real e melhoria do clima relacional para que as pessoas que se percebem com problemas emocionais sejam acolhidas com o sigilo e competência técnica é indispensável.

A promoção da saúde mental é também um ato de respeito dentro das instituições e empresas, de transformação do bem-estar social e de luta contra a pobreza. A saúde mental não deve ser entendida apenas como uma forma de aumentar a produtividade e reduzir despesas.

As empresas podem, por meio de suas políticas institucionais (para além da área de recursos humanos, inclusive) ter um papel fundamental na promoção da saúde mental.

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Na minha experiência clínica, acadêmica e de pesquisador, é inegável que os transtornos mentais aumentaram muito – e devem crescer mais. Ainda não conhecemos os efeitos a longo prazo de graves situações que atravessamos e as consequências psíquicas podem aparecer anos depois.

Não devemos ser pessimistas, obviamente, mas sejamos realistas: saúde mental é algo sério, que merece tratamento médico, psicológico e acolhimento no ambiente profissional.

As empresas precisam estar alertas e ativamente elaborar programas responsáveis, calcados em evidências científicas, e com a colaboração de especialistas.

O trabalho levará tempo para elaboração. Ele será exaustivo física e mentalmente, com várias barreiras que precisarão ser vencidas.
Mas é viável e, acima de tudo, necessário. Vamos discutir amplamente essas questões no mundo corporativo naquele Summit, com diversos especialistas. É mais uma oportunidade para questionarmos e tornarmos o cuidado com a saúde mental mais amplo e real.

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*Táki Athanássios Cordás é psiquiatra e chairman do Summit SER 2024. É docente dos Programas de Pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da Universidade de São Paulo e coordenador do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (IPq/HCFMUSP).

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