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Jejum intermitente pode aumentar episódios de compulsão alimentar

Estudo da USP apontou uma relação diretamente proporcional entre número de horas sem comer e intensidade dos episódios compulsivos

Por Maurício Brum 16 dez 2024, 16h21 | Atualizado em 5 jun 2026, 00h07
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Quanto mais horas em jejum, maior a chance de um episódio compulsivo, demonstrou estudo (Freepik/Freepik)
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Um novo estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), publicado em outubro, reforçou um alerta que tem sido feito de forma crescente por profissionais de saúde e nutrição: o jejum intermitente pode acabar acentuando comportamentos opostos ao que promete, levando a episódios de compulsão alimentar ou desejo intenso por comida.

Muito difundido nas redes sociais como estratégia para emagrecer, o jejum intermitente tem sido desaconselhado por entidades ligadas à área de nutrição, que apontam a falta de evidências robustas atestando que ele funciona mesmo na busca por perder peso. E, mesmo na hipótese de funcionar, não há clareza de que ele seria melhor do que outras alternativas.

Agora, pesquisas como a realizada na FMUSP apontam riscos de que o jejum, inclusive, piore a situação de quem busca uma relação mais saudável com a comida. Entenda melhor o achado.

+Leia também: Jejum intermitente: o que sabemos sobre 4 supostos benefícios

Principais achados da pesquisa

Em termos estatísticos, o estudo encontrou uma relação diretamente proporcional entre as horas de jejum desperto (quando há um esforço ativo e consciente para não comer) e episódios de compulsão alimentar.

Participantes que tiveram episódios considerados moderados de compulsão alimentar passaram, em média, 29% mais tempo sem comer entre uma refeição e outra do que o grupo que não estava praticando o jejum. Para aqueles que tiveram episódios severos de compulsão alimentar, o tempo em jejum chegou a ser 140% maior na comparação com os não compulsivos.

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O estudo também detectou um aumento na escala de “desejo por comida” (ou food cravings) que acompanhava as horas de jejum. Em outras palavras: quanto mais tempo em jejum, maior a propensão a ter cravings e um episódio compulsivo.

Os pesquisadores também chamaram a atenção para uma realidade negligenciada quando se pensa no jejum intermitente: em geral, é uma estratégia adotada por pessoas que já tentaram outras técnicas para perda de peso e saíram frustradas. A restrição imposta reforçaria ciclos pouco saudáveis até a próxima refeição, podendo agravar a compulsão e aumentando a chance de desenvolver transtornos alimentares de modo geral.

Como foi feito o estudo

O estudo acompanhou 458 estudantes da USP, divididos em um grupo que fazia jejum (89 pessoas) e outros que não faziam (369). Os dois lados foram comparados em pontos como compulsão alimentar, food cravings e a procura por comidas “proibidas” na busca pelo emagrecimento – itens com muito açúcar adicionado ou excessivamente gordurosos.

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O artigo, cujo título traduzido para português diz “Tente não pensar em comida: uma associação entre jejum, compulsão alimentar e desejos por comida”, foi publicado na edição de outubro do Journal of the National Medical Association.

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