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Os hábitos que protegem contra demência mesmo quando há histórico familiar

Seguir pelo menos três comportamentos saudáveis derruba em até 35% a probabilidade de desenvolver doenças neurodegenerativas

Por Fabiana Schiavon Atualizado em 9 jun 2021, 20h20 - Publicado em 9 jun 2021, 13h22

Escolher um estilo de vida mais saudável pode diminuir o risco de demência mesmo entre pessoas com histórico familiar desse tipo de doença. Uma pesquisa apresentada em uma conferência da American Heart Association revelou uma lista de seis bons hábitos capazes de colaborar com a saúde do cérebro.

Ter um parente de primeiro grau – como pai ou irmão – com demência é um fator relevante. Para ter ideia, a diferença no risco de desenvolver a doença é de 75% em relação a quem não possui o histórico familiar. Também entram em jogo questões como idade, sexo, raça, além de presença de hipertensão, colesterol alto, diabetes do tipo 2 e depressão.

“O risco aumenta com o envelhecimento: ele é de 2% entre 60 e 65 anos, e chega a 30% depois dos 85. As mulheres têm uma tendência de sofrer mais de Alzheimer e os homens, de demência vascular”, explica Alexandre Busse, geriatra e coordenador do serviço de gerontologia do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

“No nosso país, a baixa escolaridade é um aspecto muito importante. Abaixo de quatro anos de estudo, o perigo aumenta”, completa o médico.

O estudo

Durante quatro anos, 302 239 homens e mulheres de 50 a 73 anos tentaram seguir os seguintes hábitos:

Oito anos depois, os participantes com histórico de demência familiar que incorporaram pelo menos três desses comportamentos tiveram uma redução de 25% a 35% na probabilidade de desenvolver a doença em comparação aos que seguiram dois ou menos hábitos saudáveis.

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No geral, colocar em prática três dessas medidas diminui o risco em 30% mesmo quando os indivíduos têm histórico familiar somado a outros fatores de risco.

Para a autora do trabalho, Angelique Brellenthin, da Iowa State University, nos Estados Unidos, os dados apontam que padrão alimentar, atividade física e tabagismo afetam o risco geral de demência entre pessoas que tenham ou não uma relação genética com a doença. E isso abre espaço para a prevenção no dia a dia.

Um detalhe: para que o exercício físico tenha alguma ação no cérebro, é fundamental que ele seja pelo menos moderado. “Não importa a modalidade: caminhada, corrida, bicicleta ou natação. É preciso que ocorra aumento na frequência cardíaca e respiratória e que a pessoa sinta o corpo suar”, explica Busse.

A recomendação é que a população se esforce para seguir ao menos três desses hábitos, mas que as mudanças sejam feitas de forma gradual.

Os pesquisadores alertam, ainda, que o estudo não prova que o estilo de vida pode causar ou prevenir a demência – apenas evidencia que os hábitos e o risco da doença estão associados. “São evidências importantes de que uma rotina saudável pode ter impacto positivo na saúde do cérebro”, reforça Mitchell Elkind, presidente da American Heart Association.

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