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O que o goleiro Alisson Becker tem na pele?

As manchas vermelhas na pele do jogador da seleção brasileira instigaram muita curiosidade. Conheça a rosácea, problema que é o provável causador das marcas

Por Maria Tereza Santos - Atualizado em 27 jun 2019, 11h40 - Publicado em 27 jun 2018, 11h02

Saindo das quatro linhas do campo, um assunto que gerou bafafá na Copa do Mundo de 2018 é o problema de pele apresentado por Alisson Becker, o goleiro da seleção brasileira. O jogador de 25 anos até brincou com o tema em uma coletiva de imprensa, dizendo que a vermelhidão no rosto seria resultado da “puberdade”. Apesar de as manchas e bolinhas no rosto lembrarem muito um quadro de acne, a coordenadora científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Denise Steiner, acha que provavelmente estamos diante de um caso de rosácea.

De acordo com a dermatologista, essa confusão é normal porque ambas as inflamações deixam a pele avermelhada. Porém, no caso da acne, a alteração ocorre apenas na área da espinha. Já a rosácea atinge uma extensão maior.

“Ele parece ter algumas cicatrizes de acne antigas, e elas tornam um pouco mais difícil a distinção de uma alteração da outra. Mas, por apresentar placas meio avermelhadas sempre iguais no rosto, tudo indica que seja rosácea mesmo”, afirma.

Saiba mais sobre a rosácea

O que é?

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A rosácea é uma alteração inflamatória da pele e não tem uma causa definida precisamente. Os vasos ficam dilatados e, a face, mais avermelhada. É uma doença crônica e não infecciosa.

Quais são os sintomas?

O paciente sente ardência e a derme fica ressecada e bastante vermelha.

Quem são os mais afetados?

Mulheres e indivíduos de pele clara. “Normalmente, são pessoas um pouco mais velhas. Mas a rosácea também pode ocorrer nos mais novos. Já a acne é comum na população jovem”, explica a especialista.

Qual a diferença entre rosácea e acne?

Além de gerar vermelhidão em pontos específicos, a acne é uma inflamação ligada ao folículo pilosebáceo – e acontece quando há um acúmulo de sebo no local. Por isso, ela é considerada uma doença desse folículo e não da pele em si, diferente da rosácea.

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“A dúvida pode acontecer porque, na rosácea, às vezes surgem pápulas [lesões elevadas] no rosto parecidíssimas com as da acne. Tanto que durante muito tempo ela foi chamada de acne rosácea, justamente por causa dessa dificuldade de fazer o diagnóstico”, lembra a dermatologista.

Por que ela acontece?

A rosácea é considerada uma doença psicossomática. Ou seja, fatores como o estresse e o cansaço podem levar a sua piora.

Questões ambientais, a exemplo de mudanças bruscas de temperatura ou exposição excessiva ao ar-condicionado, também pode desencadear uma crise. Além disso, o agravamento do quadro pode ocorrer com a ingestão de bebidas alcoólicas e alimentos picantes, já que eles causam dilatação dos vasos.

“No caso do Alisson, é possível que a Copa tenha sido um fator desencadeador de piora. E provavelmente ele não está sendo medicado para evitar problemas de doping na competição”, analisa Denise.

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Como é feito o tratamento?

Depende do tipo de rosácea. Quando a derme está só avermelhada, o paciente pode aplicar cremes calmantes – de preferência com lipídeos, ceramida ou ácido hialurônico na fórmula – e anti-inflamatórios, além de fazer tratamentos a laser para amenizar o tom da pele. Porém, se ela for do tipo pápula pustular (quando as lesões são parecidas com espinhas), devem ser receitados antibióticos.

“A pele com rosácea precisa ser constantemente hidratada com cremes e protegida com filtro solar. Afinal, toda vez que ela é agredida, a inflamação piora”, finaliza a médica.

Fonte: Dra. Denise Steiner, dermatologista e coordenadora científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD)

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