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Acne: o que é, tratamentos, sintomas e principais causas

Essa doença é fruto de um processo inflamatória que gera espinhas, cravos e outros sinais na pele. Veja como tratar a acne as formas de evitar

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 23 fev 2021, 15h13 - Publicado em 17 fev 2021, 16h01

O que é a acne

A acne é uma doença que provoca lesões na pele, como cravos e espinhas. Entre os sintomas da acne também surgem vermelhidão, irritação e, em casos mais severos, dor. Isso ocorre devido a uma inflamação nas glândulas sebáceas (que produzem uma espécie de óleo, ou sebo) e nos folículos pilossebáceos — estruturas internas dessas glândulas onde nascem os pelos do corpo. O tratamento da acne varia de acordo com o grau do problema, a vai dos dermocosméticos ao popular Roacutan.

Há várias causas por trás dessa inflamação. “Nos pacientes com tendência genética, ocorre uma alteração na composição do sebo que desencadeia a inflamação com maior facilidade”, exemplifica a dermatologista Ediléia Bagatin, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

O excesso de hormônios masculinos também pode disparar uma superprodução de sebo por parte das glândulas sebáceas. E, com a oleosidade predominando, as espinhas se tornam mais comuns. Aliás, elas tendem a surgir no rosto, nas costas e no tórax porque essas regiões possuem mais glândulas sebáceas.

Além disso, a acne pode ser disparada pela ação de uma bactéria chamada Cutibacterium acnes. Quando há uma produção aumentada de sebo e queratina — proteína presente na camada mais superficial da derme —, os folículos pilossebáceos são obstruídos, tornando-se um ambiente propício para a proliferação da C. acnes. E ela, por sua vez, ativa o processo inflamatório do corpo.

Esses e outros componentes tendem a se misturar nos casos de acne.

Tipos de acne

Ediléia explica que a doença é dividida entre inflamatória e não inflamatória. Mas atenção: mesmo no último caso, na realidade há uma inflamação leve, porém não visível a olho nu. Ela corresponde aos comedões, popularmente conhecidos como cravos.

“Quando são mais superficiais, ficam abertos como um ponto preto. Já se forem mais profundos, permanecem fechados e aparecem como uma lesão branca”, diferencia.

É apenas na versão inflamatória que surgem as espinhas. E, com elas, vêm a vermelhidão e o pus. Apesar de a acne ser mais comum na puberdade — quando há uma grande oscilação na produção de hormônios sexuai —, ela dá as caras em outras fases da vida. Confira:

  • Acne neonatal: durante a gestação, os hormônios passam para a criança pela placenta. Se o recém-nascido tiver uma predisposição genética, é possível que ele apresente espinhas. “Mas, em geral, não é preciso tratá-las. Elas regridem naturalmente em alguns meses”, tranquiliza Ediléia.
  • Acne infantil: hoje a comunidade médica já sabe que a própria glândula sebácea é capaz de produzir hormônios andrógenos em pequenas escalas. Por isso, crianças também estão suscetíveis a cravos e espinhas.
  • Acne da mulher adulta: mesmo após a adolescência, a população feminina está sujeita às espinhas por causa do fator hormonal. A genética e certos hábitos de vida contribuem para isso. E atenção: essa versão pode dar as caras mesmo entre quem não reclamava do problema na juventude.

Fatores de risco

Os principais são:

  • Exposição exagerada ao sol
  • Tabagismo
  • Dieta rica em açúcar
  • Estresse
  • Disfunções hormonais
  • Predisposição genética

“Um dos agravantes é o hábito de mexer na pele e manipular as lesões. Isso aumenta a inflamação e o risco de deixar uma cicatriz”, informa Ediléia.

Diagnóstico da acne

Trata-se de uma avaliação essencialmente clínica, feita pelo dermatologista. É muito importante se consultar com esse médico para que ele direcione o tratamento mais adequado a cada caso.

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Acne tem cura? Como funciona o tratamento

Nos quadros mais simples, nos quais há apenas cravos abertos, dá para resolver com dermocosméticos indicados pelo profissional de saúde. “Agora, quando são fechados, é preciso adicionar remédios. Em geral, começamos com um medicamento tópico e vamos avaliando a evolução”, relata a Ediléia.

Dependendo da gravidade, também são receitados antibióticos orais ou de uso local (pomadas). Quando eles não controlam a inflamação, o médico não raro parte para a isotretinoína, conhecida pelo nome comercial Roacutan.

“Na acne da mulher adulta, a primeira escolha é a terapia hormonal. Usamos anticoncepcionais, por exemplo”, conta a expert.

E um alerta: tentar se livrar da doença só com tratamentos estéticos pode ser um tiro no pé. “A limpeza de pele em clínicas, precisa se resumir à remoção de cravos abertos. Um esteticista nunca deve mexer num cravo fechado, muito menos em espinhas”, avisa Ediléia. O uso de agulhas ou outras técnicas via de regra irrita ainda mais a pele e agrava o quadro ao longo do tempo.

Cremes caseiros também não são indicados, pois, dependendo da composição, contribuem para a inflamação. “E eles não têm nenhuma segurança. Perder tempo com tratamentos inadequados significa aumentar o risco de uma cicatriz”, alerta a dermatologista.

  • Como prevenir a acne

    Por estar ligada a ação hormonal e ao fator genético, não dá para evitar por completo. Porém, fugir daqueles fatores de risco é uma boa. Ou seja, controle o estresse, não fume, mantenha um estilo de vida saudável, não abuse do protetor solar e não mexa nas lesões.

    Além disso, busque o apoio de um especialista quando surgirem os primeiros sinais, principalmente se você sofreu com acne neonatal ou possui histórico familiar.

    Outra dica da profissional da SBD é usar maquiagem. Ao contrário do se pensa, ela é uma aliada no controle da doença.

    “A maquiagem camufla as lesões, o que melhora a qualidade de vida e impede que a pessoa fique cutucando a pele”, esclarece Ediléia. Esses produtos também ajudam a proteger do sol, amenizando as manchas.

    Por fim, tenha cuidado na hora de limpar a pele em casa. Dê preferência a dermocosméticos suaves e recomendados pelo dermatologista.

    E para quem tem alguns cravos e acha que passar esfoliante três vezes por semana vai ajudar, um recado: “Isso não só é ineficaz, como agride a pele, levando à inflamação”, conclui Ediléia.

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