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É seguro usar Roacutan na adolescência? E durante a pandemia?

Eficaz contra a acne, o remédio também é conhecido pelos seus efeitos colaterais. Entenda quais são eles e como deve ser feita a utilização.

Por Maria Tereza Santos Atualizado em 19 fev 2021, 11h06 - Publicado em 29 dez 2020, 16h20

Conhecida pelo nome comercial Roacutan, a isotretinoína é um tratamento clássico para acne. Apesar de ser bem efetiva, ela provoca alguns efeitos colaterais. Isso fez o leitor Sérgio Maia nos perguntar por e-mail: afinal, o medicamento é seguro para os adolescentes? E poderia os deixar mais vulneráveis à Covid-19?

A dermatologista Alessandra Romiti, coordenadora do departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), conta que o Roacutan pode ser usado a partir dos 12 anos de idade, desde que sempre com acompanhamento médico.

“Teoricamente, é possível utilizá-lo em todos os tipos de acne, mas temos critérios para a indicação”, aponta Alessandra. Entram na lista de recomendações os quadros mais graves, não resolvidos com outros tratamentos, que podem deixar cicatrizes ou interferir na saúde mental do paciente.

Uma vez que esses fatores são pesados pelo dermatologista e a prescrição é feita, o tempo médio de duração do tratamento é de seis meses – podendo variar para mais ou menos.

Os efeitos colaterais do Roacutan

A isotretinoína é uma substância derivada da vitamina A. Ela atua interferindo no processo de reconstrução da pele, diminuindo a inflamação local, a produção de sebo e, consequentemente, a presença de certas bactérias que se alimentam dele. Isso ajuda no controle da acne.

  • A principal repercussão negativa de seu uso é o ressecamento da pele e das mucosas. “A boca pode ficar com rachaduras e quem usa lentes de contato sente os olhos mais secos que o normal. Mas essas reações são esperadas, comunicadas ao paciente e acompanhadas de perto”, informa a especialista.

    É possível apresentar outros efeitos colaterais, como alterações de enzimas do fígado, aumento de colesterol e mudanças de humor. Anemia, irritação ocular, dores musculares e coceiras na pele são outras reações adversas consideradas comuns – que ocorrem em 10% ou mais dos pacientes.

    Por isso a supervisão médica é tão importante. “Quando tem alguma ocorrência mais grave, que incomoda muito, diminuímos a dose e, em alguns casos, suspendemos o uso”, afirma a coordenadora da SBD.

    Roacutan causa depressão?

    Uma das grandes preocupações em relação ao uso de isotretinoína é o risco de depressão e até suicídio. Esse tipo de evento é relatado desde a aprovação do medicamento pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, que ocorreu em 1982.

    Um estudo sobre o assunto foi realizado em 2019, pelas universidades norte-americanas de Massachusetts, Pensilvânia e Harvard. Os cientistas analisaram os 17.829 eventos psiquiátricos adversos associados à droga que foram notificados ao FDA entre 1997 e 2017.

    Transtornos depressivos, instabilidade emocional e ansiedade eram as queixas mais frequentes. Dentre os mais de 13 mil relatos que continham a idade do respondente, mais da metade era de indivíduos jovens, na faixa etária dos 10 aos 19 anos.

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    A pesquisa, publicada no periódico científico JAMA Dermatology, concluiu que são necessárias mais investigações para entender se o remédio está por trás dos transtornos mentais. Isso porque ainda não se sabe se essa é uma relação causal ou apenas uma coincidência.

    Além da dificuldade de realizar um estudo comparando o fármaco ao placebo (necessário para confirmar a relação de causa e efeito) devido ao ressecamento característico da isotretinoína, sabe-se que as taxas de depressão e suicídio são naturalmente mais altas entre pessoas com muitos cravos e espinhas.

    Mesmo não havendo uma resposta para esse imbróglio, a bula do Roacutan traz um alerta para quem tem histórico de depressão, recomendando a supervisão e encaminhamento para tratamento apropriado, se necessário.

    A relação do Roacutan com o novo coronavírus

    Em março de 2020, a SBD emitiu uma nota oficial para tirar dúvidas sobre a utilização da isotretinoína na pandemia de Covid-19.

    Após analisar várias pesquisas, a entidade não identificou ligação entre o medicamento em indivíduos com acne e risco de infecção ou agravamento da doença, independentemente da idade.

    “Diante dos estudos feitos até agora, não existe contraindicação do uso nem necessidade de suspensão por causa do novo coronavírus”, conclui Alessandra.

    Quais são as contraindicações e cuidados a serem tomados

    A isotretinoína é teratogênica, ou seja, pode gerar malformações nos fetos. “Gestantes e mulheres com possibilidade de engravidar não podem tomar de jeito nenhum”, alerta a profissional. As que estão amamentando também não devem consumir.

    Além disso, portadores de alterações hepáticas, colesterol alto e transtornos psiquiátricos têm contraindicações relativas. “Para essas situações, observamos a relação custo-benefício. E, se o remédio for utilizado, é necessário um acompanhamento mais próximo”, orienta a expert.

    A ingestão de bebida alcoólica é proibida, e o Roacutan pode ainda interagir com certos antibióticos. Caso uma droga desse tipo seja receitada, é necessário informar ao médico sobre a isotretinoína.

    No dia a dia, cuidados com a pele devem ser ajustados. “Como a derme fica ressecada e sensível, recomendamos passar protetor solar, hidratante e que não se administre ácidos muito potentes ou esfoliantes na pele”, orienta Alessandra.

    Os dermatologistas pedem ainda que quem utiliza o medicamento hidrate os lábios e aplique um tipo de colírio nos olhos. Falando neles, o ideal é trocar as lentes por óculos durante o tratamento.

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