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O papel da fisioterapia no pós-Covid

A infecção pode deixar sintomas e sequelas no longo prazo. E a fisioterapia é uma das peças centrais na reabilitação

Por Márcio Renzo, fisioterapeuta*
16 set 2021, 10h14

Sabemos que a infecção pelo coronavírus foi identificada na China em dezembro de 2019 e se tornou uma pandemia em março de 2020. Também sabemos que o primeiro registro no Brasil ocorreu em 25 de fevereiro de 2020 e, mais de um ano e meio depois, contabilizamos mais de 580 mil mortes e 20 milhões de infectados. Ainda que o número de doentes venha caindo a cada dia pelo esforço da vacinação, não podemos baixar a guarda.

A Covid-19 é uma condição complexa, que pode evoluir para quadros graves e fatais. Embora a maioria das pessoas que contrai o vírus apresente poucos sintomas, pelo menos 5% dos pacientes desenvolvem a forma mais severa da doença, que é capaz de afetar várias regiões do organismo (não só o sistema respiratório), deixar sequelas e exigir internação hospitalar e atenção multiprofissional, inclusive com fisioterapia.

É importante ressaltar que, mesmo após a alta do hospital, para muitos desses pacientes o tratamento não se encerra. O indivíduo deve ter um acompanhamento depois, uma vez que os sobreviventes de quadros mais graves têm um risco de 59% de morrer até seis meses após a infecção, segundo dados da Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva (Assobrafir)

Diversos sintomas e danos são relatados na fase pós-Covid. Os mais frequentes incluem fadiga, dor no tórax, falta de ar, déficits cognitivos, alterações no sono e redução na capacidade funcional. A longa permanência em UTI (com o paciente imobilizado) e o uso de algumas medicações podem agravar essas condições. A síndrome pós-Covid engloba a persistência desses sintomas e complicações num período superior a quatro semanas.

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E como a fisioterapia pode ajudar nesses casos? Ela atua na reabilitação por meio de técnicas, exercícios e acompanhamento individualizado do paciente. O profissional pode lançar mão de métodos como cinesioterapia, eletroterapia, fisioterapia respiratória e cardiológica, a depender dos sintomas e das sequelas, sempre buscando maximizar a qualidade de vida do paciente.

Um aspecto importante a ser observado é que não são poucos os indivíduos que, diante da Covid longa, apresentam ansiedade e depressão. Daí a necessidade de trabalhar o emocional e contar com a psicoterapia.

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Outro ponto é que o paciente pode se cuidar para se restabelecer mais depressa. E não há segredo, isso envolve a adesão a hábitos saudáveis, como aumentar a ingestão de frutas e verduras; fazer atividade física supervisionada; evitar tabagismo e bebidas alcoólicas; manter uma rotina de sono, etc.

O acompanhamento com médico, fisioterapeuta e demais profissionais pode fazer toda a diferença na reabilitação. E não vamos esquecer: a recuperação não se limita à passagem pelo hospital ou ao período das consultas.

* Márcio Renzo é fisioterapeuta e capitão do Corpo de Bombeiros de São Paulo

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