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Boca Livre

Esse é o blog de Patricia Julianelli, jornalista especialista em nutrição, esporte e qualidade de vida, além de apaixonada por comida e corrida de rua. Ela é autora do livro "Boca Livre - Comida e Boa Forma com Prazer e sem Neura" e apresentadora do quadro "Saúde em Movimento", da rádio CBN
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Ultraprocessados: eles são tão ruins assim?

Descubra se a categoria merece o titulo de vilã número um da alimentação

Por Patricia Julianelli
Atualizado em 30 nov 2023, 16h57 - Publicado em 30 nov 2023, 14h45

Unanimidade é coisa rara hoje em dia. Na nutrição, então, nem se fala… E não poderia ser diferente, afinal, são muitos os caminhos para uma boa alimentação.

Por isso, quando todos fazem o mesmo alerta, de low carbers a adeptos da dieta dos pontos, de veganos a onívoros convictos, temos que prestar atenção. E todos concordam: os ultraprocessados estão deixando as pessoas doentes.

Não é de hoje que o alerta é feito por médicos e nutricionistas, mas a cada dia surgem evidências mais robustas de que devemos rever esse consumo. E quando digo “devemos”, eu estou me referindo a pessoas privilegiadas, que podem refletir sobre sua alimentação.

Isso porque há um aspecto quase cruel em relação a esses produtos altamente palatáveis. Eles também são muito baratos. Muitas vezes, um pacote de bolacha custa menos que uma fruta e, um refrigerante, bem menos que um suco natural.

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Lá no mercado — onde boa parte dos brasileiros abastecem a despensa e a geladeira — é cruel esperar que uma dona de casa, mãe, desempregada e com o aluguel atrasado, considere outra alternativa que não a mais barata e prática.

E tampouco podemos esperar uma preocupação com a saúde por parte da indústria. O foco sempre foi a engenharia de alimentos, e não a nutrição. Faz parte do jogo, eu sei, mas, a cada compra, devemos ter em mente que estamos consumindo produtos, pensados para obter lucro dentro de uma lógica de mercado.

A ideia aqui não é demonizar a indústria alimentícia e nem dizer que tudo que vem embalado é ruim. Leite, azeite extra virgem, grãos, legumes em lata ou congelados, são  alguns dos vários exemplos de alimentos processados e nutritivos. O problema está mesmo nos chamados ultraprocessados.

Como identifico os ultraprocessados?

Muitos especialistas os definem como “alimentos produzidos industrialmente, contendo ingredientes que não estão disponíveis na nossa cozinha”. Eu acho essa explicação um tanto genérica. Até porque há produtos que usam conservantes de nomes estranhos, mas não deixam de ser boas opções.

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Os ultraprocessados são aqueles itens feitos à base de matéria prima barata (farinha, açúcar e óleo), com muita gordura, açúcar e/ou sódio, somados a diversos aditivos para deixá-los irresistíveis (como saborizantes, aromatizantes, colorantes, emulsificantes, etc). O resultado: é impossível comer um só.

Estamos falando de salgadinhos e doces de pacote, bolachas (especialmente as recheadas), macarrão instantâneo, refrigerantes, refrescos sabor fruta. Tudo muito chamativo, colorido e gostoso.

Na verdade, eu nem chamaria esses produtos de alimentos. Seus ingredientes passaram por tantas técnicas de processamento — e daí o nome de ultraprocessados — que não sobrou quase nada do alimento original.

Viciados em ultraprocessados

Uma análise de 281 estudos realizados em 36 países, incluindo o Brasil, e publicada no renomado periódico British Medical Journal (BMJ) mostrou que 14% dos adultos e 12% das crianças estão viciados em ultraprocessados.

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O autor da revisão adaptou para os alimentos os critérios usados no diagnóstico de dependência em álcool, nicotina, cocaína e heroína. Alguns exemplos dos sintomas: ingestão excessiva, perda de controle sobre o consumo, desejos insaciáveis, uso continuado apesar das consequências negativas e da abstinência.

Para ser classificado como dependência alimentar, o quadro tinha que incluir dois ou mais destes sintomas e um grau significativo de sofrimento.

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De novo: não estamos falando de comida. Comida preparada em casa não tem esse potencial. Mas os produtos ultraprocessados sim. E não é todo mundo que se torna dependente deles, mas uma parcela considerável da população.

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O grande problema, segundo os estudiosos, é a interação entre os principais ingredientes.

O alimento in natura é rico em apenas um macronutriente. Por exemplo: a manga é rica em açúcar (da fruta), ou seja, carboidrato. Já o salmão, é rico em gordura. No caso dos ultraprocessados, com muita frequência, temos excesso tanto de açúcar quanto de gordura, o que torna a experiência de comer extremamente prazerosa e viciante.

Além disso, é sabido que os ultraprocessados contribuem para o surgimento de doenças crônicas como obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, além de alergias, alterações na microbiota intestinal e até o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

O que fazer?

Então eu devo passar bem longe dos ultraprocessados? Idealmente, sim. Mas sabemos que na vida real a tarefa pode ser difícil, até porque eles estão em toda parte.

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Porém, se temos informação e condições para tal, devemos reduzir ao máximo a importância desse tipo de produto em nossas vidas.

O que quero dizer com isso: o grosso da nossa alimentação deveria ser de produtos in natura. Grãos, vegetais, legumes, frutas, tubérculos, carnes. Eles devem ser os protagonistas. Os ultraprocessados seriam a exceção, como aqueles figurantes que mal aparecem em cena.

Esse é outro consenso na nutrição que devemos ouvir: não importa a dieta ou linha a ser seguida, priorize a comida de verdade.

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