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Com a Palavra Por Blog Neste espaço coordenado pelo jornalista Diogo Sponchiato, especialistas, professores e ativistas dão sua visão sobre questões cruciais no universo da saúde

Como você vai se cuidar no novo normal?

Colunistas refletem sobre os impactos da pandemia do coronavírus em aspectos da rotina como atividade física, sono e interação social

Por Luciana Lancha e Antonio Herbert Lancha Junior, especialistas em nutrição, atividade física e bem-estar* 1 nov 2020, 19h02

A expressão da vez é “novo normal”. Mas, antes de mais nada, cabe questionar: como definimos o conceito de “normal”? É algo usual, comum, natural, certo? O “novo normal” seria, então, a construção de um novo padrão diante de uma nova situação que garanta nossa plena sobrevivência e satisfação — no caso, nesse mundo pós-pandemia. Padrão que pede a incorporação de alguns cuidados tendo em vista um vírus que vai continuar circulando por aí. Máscaras, álcool em gel, distanciamento entre as pessoas, agendas e espaços reconfigurados, vida cada vez mais online… Esse “novo” também aflige, porque nos desinstala, nos coloca em frente ao desconhecido e nos cerca de expectativas.

Momentos de transformação demandam reorganização de processos e rotinas. Assistimos à ascensão do home office, das compras delivery e dos encontros virtuais. Nossa casa se tornou também escritório e sala de ginástica. Tivemos que reformular os cuidados com a saúde, inclusive para não virarmos vítimas de um quadro grave de Covid-19. A luta entre sedentarismo e atividade física desafiou os lares.

Com a quarentena, muita gente passou a se exercitar em casa e a procurar treinos online, muitos profissionais e academias passaram a oferecer aulas ao vivo a distância, muitos aplicativos de exercícios se fortaleceram… E, mesmo com a reabertura gradual dos estabelecimentos, parcela significativa prefere continuar malhando na sala, no quarto ou na varanda.

Sim, ficamos mais ativos em casa: fazendo faxina, cozinhando, conversando com os familiares. A ausência do trânsito gerou tempo. Tempo para se sentar e comer, tirar um cochilo ou dormir até mais tarde… Mas cobrou um preço: a agenda de afazeres se estendeu e o trabalho e as reuniões invadiram as horas de folga. Sofremos o revés de ficarmos o tempo todo conectados e disponíveis.

A vida em home office exige cuidados. Requer agenda e disciplina. Precisamos encaixar o autocuidado no dia a dia para evitar as dores físicas e mentais. Tem horário para trabalhar, para suar a camisa, para cozinhar e comer, para relaxar… Essa é a liturgia capaz de evitar que a dinâmica 24/7 voltada ao trabalho (ou a qualquer outra tarefa) acabe em fadiga.

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Nesse sentido, precisamos respeitar muito o sono. Baixar as luzes ao anoitecer, desligar notebooks e celulares e acalmar os ânimos para que o cérebro entenda que a jornada acabou e é tempo de calçar as pantufas e vestir o pijama. A propósito: esse papo de trabalhar de pantufa e pijama produz confusão mental porque perdemos a noção de limite entre trabalho e descanso.

O distanciamento social também fez muita gente parar e olhar para dentro, se reconectar consigo mesmo, rever prioridades e propósitos de vida. Mudanças que podem se concretizar só após a pandemia, mas que terão seu lugar. Muitos de nós vamos sair diferentes dessa situação e priorizar cuidados com nosso corpo, nossa mente, nossa vida.

Aprendemos a valorizar coisas simples no convívio com as pessoas que amamos: uma refeição em família, um cafezinho a dois, um aperto de mão. A palavra a guiar o “novo normal” deve ser conexão.

É claro que, daqui a uns três anos, podemos voltar à loucura de antigamente. Mas isso é sempre uma escolha. Certeza mesmo é o que diz o músico Marco Vilane: “Quando isso tudo passar… O que não vai faltar é abraço!”

* Luciana Lancha é profissional de nutrição e educação física, especialista em wellness coaching e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), e Antonio Herbert Lancha Jr. é professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP e autor de O Fim das Dietas (Editora Abril)

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