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Por que amamos donuts: a ciência explica

Brasileiros gastaram quase 660 milhões de reais com a compra do doce no último ano. Mas há motivos biológicos para essa paixão

Por Ingrid Luisa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jun 2026, 17h58 | Atualizado em 18 jun 2026, 17h38
Quatro donuts variados sobre uma superfície branca texturizada. Dois donuts têm cobertura de chocolate escuro com granulado e riscos brancos, e dois têm cobertura rosa com riscos escuros e pistache picado
Apreciar com moderação é essencial! (Veja Saúde/Veja Saúde)
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No Brasil, o donut, sobremesa de origem norte-americana, é um grande sucesso: dados do Instituto Foodservice Brasil (IFB) mostram que os consumidores gastaram quase 660 milhões de reais com a compra do produto em apenas um ano, entre março de 2025 e o mesmo mês de 2026.

Jovens entre 25 e 34 anos correspondem a mais da metade do público, e 70% deles são mulheres, segundo o levantamento.

A nutricionista Risoneide Calazans, diretora-secretária do Conselho Federal de Nutrição, explica que nos últimos anos houve uma maior exposição à publicidade digital e forte influência de tendências alimentares internacionais. Por isso, produtos e alimentos tradicionalmente associados a outros países passaram a ocupar espaço crescente no cotidiano alimentar dos brasileiros.

Mas por que será que gostamos tanto das rosquinhas de massa frita decorada (e/ou recheada!) com doce?

O segredo da receita dos donuts

Bom, do ponto de vista científico, esses produtos englobam diversas características sensoriais que contribuem para sua atratividade.

“Em geral, combinam textura macia, recheios cremosos, coberturas açucaradas e elevada densidade energética, produzindo uma experiência sensorial intensa“, afirma a especialista.

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E o segredo maior é algo que não existe na natureza: uma mistura de alta quantidade de açúcar e gordura no mesmo alimento.

Pense: fontes naturais de açúcar (carboidratos) são pobres em gordura, como arroz, pão e frutas. Já alimentos ricos em gordura, como carnes, abacate ou oleaginosas, quase não tem açúcares.

Mas o donuts junta os dois. Calazans esclarece que essa fórmula estimula mecanismos cerebrais relacionados à recompensa e ao prazer alimentar, aumentando a atratividade do alimento.

Não à toa a tática é muito usada pela indústria nos alimentos ultraprocessados.”Essa combinação favorece a hiperpalatabilidade, conceito utilizado para descrever alimentos formulados para maximizar a atratividade sensorial e estimular o consumo”, completa.

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+Leia Também: Estudo inédito do Lancet pede ação contra o poder dos ultraprocessados

Comendo com os olhos

Outro aspecto que faz os donuts serem um sucesso de vendas é o seu aspecto visual instagramável. Mesmo que a pessoa nem coma o doce por inteiro, performar nas redes sociais também virou um objeto de desejo.

“Os donuts costumam apresentar cores vibrantes, coberturas elaboradas e formatos visualmente atrativos, características que despertam curiosidade, desejo de experimentação e compartilhamento em redes sociais“, corrobora a nutricionista.

Além disso, fatores como aroma, aparência, contexto social, disponibilidade do alimento e estímulos ambientais também influenciam o comportamento de não querer comer apenas um.

“Escolhas alimentares são influenciadas por fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais, e não apenas pela fome”, crava.

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Como incluir donuts na alimentação de forma saudável

Contexto alimentar vale muito mais que um alimento isolado, fato. Mas é possível fazer melhores escolhas dentro da categoria donuts.

Por exemplo: produtos artesanais, produzidos inteiramente numa doceria, são bem melhores que donuts industriais, ultraprocessados.

“Esses costumam apresentar elevadas quantidades de açúcares adicionados, gorduras e aditivos alimentares, além de baixo valor nutricional quando comparados a alimentos in natura e minimamente processados”, detalha Calazans.

Ela acrescenta que a preocupação em saúde pública com o crescimento do sucesso desse doce está relacionada à substituição progressiva de alimentos tradicionais e preparações culinárias por ultraprocessados.

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Mas, se o produto for artesanal e você consumir com moderação, está liberado se deliciar com um bom donut!

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