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Novo estudo relaciona adoçante a câncer. Há motivo para se preocupar?

Há anos a associação é investigada sem resultados conclusivos. Entenda o que se sabe sobre o assunto e o que uma pesquisa recente descobriu

Por Chloé Pinheiro Atualizado em 27 abr 2022, 11h15 - Publicado em 26 abr 2022, 18h29

Um estudo recém-publicado aponta que pessoas que consomem adoçantes artificiais em excesso podem ter maior risco de desenvolver alguns tipos de câncer.

O trabalho incluiu mais de 100 mil franceses, que tiveram seus hábitos alimentares avaliados por um tempo médio de sete anos. 

No fim da análise, os participantes que tinham um consumo “acima da média” de adoçantes estavam 13% mais propensos a desenvolver algum tumor.

Acessulfame-k e aspartame, dois aditivos de origem sintética usados em bebidas e alimentos, foram os mais relacionados à doença. 

Os achados, publicados no periódico científico Plos Medicine, lançam luz à uma discussão antiga. Afinal, adoçantes artificiais elevam ou não o risco de ter um câncer? 

A nova pesquisa, infelizmente, ainda não responde a essa pergunta.

“Temos resultados muito controversos, tanto nos estudos com animais quanto em humanos. A pesquisa em questão não é adequada para bater o martelo sobre o assunto, mas sinaliza que é preciso seguir investigando”, avalia Luciana Grucci Maya Moreira, nutricionista do Instituto Nacional de Câncer (Inca)

Apesar das limitações, o levantamento chama a atenção para os hábitos alimentares dos consumidores da categoria e o contexto em que os adoçantes são utilizados. Nesse sentido, existe um elo indireto mais conhecido. 

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Fatores de confusão

A nutricionista Elaine Moreira, especialista em nutrição em doenças crônicas pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, destaca que o estudo é observacional. “Ele compara a incidência de um problema em duas populações diferentes, não estabelece uma relação de causa e efeito”, comenta. 

Além disso, os próprios autores destacam vieses que atrapalham a análise. Por exemplo, havia mais mulheres no grupo que usava mais adoçantes. “E ser do sexo feminino, por si só, já é um fator de risco para a doença”, destaca Elaine. 

+ Leia também: Como interpretar um estudo científico?

O grupo também tinha mais excesso de peso, diabetes e hábitos alimentares considerado não saudáveis. Tudo isso contribui para o surgimento de tumores malignos. Não à toa, os cânceres que mais apareceram estavam ligados à obesidade, como o câncer de mama. 

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Por fim, o grupo que tinha o consumo classificado como “acima da média” ingeria cerca de dez vezes mais adoçante do que o padrão. 

Adoçantes e estilo de vida 

Não há uma causa fisiológica muito clara para explicar por que os adoçantes poderiam elevar o risco de câncer. A potencial ligação com a doença é investigada por se tratar de uma substância ingerida por uma grande quantidade de pessoas. 

Agora, o elo indireto já é mais compreendido pela ciência. Por exemplo, sabe-se que pessoas que os consomem regularmente têm tendência a ingerir mais alimentos ultraprocessados, como o próprio estudo francês mostrou. 

Entre esses produtos, encontram-se inclusive aqueles com apelo “light” ou “zero açúcar”. Ocorre que, ao se tirar o açúcar, geralmente se adiciona gordura ou sódio, o que também tem impactos na saúde. “Esses itens são vendidos como saudáveis, de baixa caloria, mas daí se consome em grande quantidade, o que favorece o ganho de peso”, comenta Luciana. 

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“Outra coisa é que alguns adoçantes podem causar disbiose, que são alterações na microbiota intestinal, e algumas delas são semelhantes aos processos que, mais tarde, levam ao câncer”, completa a nutricionista do Inca.  

Moderação é o segredo 

Há várias substâncias usadas para conferir o sabor doce sem as calorias do açúcar. “As duas do estudo estão em declínio no mercado, que hoje conta com outras opções, como stevia e xilitol. Mas o aspartame, por ser muito barato e doce, ainda é usado especialmente em refrigerantes e outras bebidas açucaradas”, expõe Elaine. 

A especialista reforça, contudo, que todos os edulcorantes (nome técnico desse aditivo) passam por um intenso processo de estudos pré-aprovação. “São feitos testes de bancada, depois com animais e só então com pessoas, em uma dose 100 vezes menor do que a utilizada nos testes pré-clínicos”, explica. 

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável por revisar os dados de segurança e aprovar o uso de aditivos alimentares. 

Outro ponto levantado por Elaine é que o adoçante é importante para alguns grupos de pessoas, como quem tem obesidade e/ou diabetes e precisa controlar os níveis de glicose no sangue. “Nesse sentido, é um risco muito maior consumir açúcar”, justifica. 

A questão é que exagerar gera um círculo vicioso para o paladar. “Estamos acostumados a um alto teor de dulçor, então nossa recomendação aos pacientes é limpar o paladar para poder apreciar, por exemplo, uma fruta, que muitas vezes é vista como sem graça por conta disso”, continua Elaine. 

O Inca adota uma postura cautelosa. “O atual conhecimento científico é de ausência de evidências consistentes. Por isso, o INCA adota o princípio da precaução. A orientação é evitar o consumo de qualquer tipo de adoçante artificial e de alimentos que contenham a substância. Não para prevenir o câncer diretamente, mas para ter uma alimentação mais saudável, que de fato protege contra tumores”, conclui Luciana.

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