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Fome emocional: será que a comida se tornou seu refúgio?

Psiquiatra ensina a lidar com fatores que podem aumentar o risco de transtornos alimentares

Por Gianna Testa, psiquiatra da Brazil Health* 26 fev 2025, 17h30
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Fome emocional pode ter diversas explicações (Vladimir Sukhachev/Getty Images)
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A relação com a comida revela questões intrínsecas à evolução da espécie humana.

A necessidade de sobrevivência e de ir atrás do alimento nos primórdios da humanidade deu lugar, atualmente, à facilidade de acesso a alimentos que podem até mesmo encurtar os anos de vida ou piorar significativamente sua qualidade.

Há um componente emocional importante nesta equação, tornando o tratamento dos transtornos alimentares subjetivo e complexo. Comida é sinônimo de afeto, e as memórias (boas ou ruins) dos “afetos comestíveis”, presentes em todos nós, interferem diariamente no nosso comportamento alimentar.

O papel da genética

Além da memória evolutiva que todos os seres humanos carregam, a ciência já mapeou genes que interferem no comportamento alimentar e na nossa relação com a sobrevivência. E outros que afetam metabolismo, inflamação e predisposição a doenças relacionadas.

Esses “pedaços” do genoma humano podem indicar qual o melhor tipo de dieta para cada pessoa, assim como a melhor intervenção terapêutica.

A incidência de transtornos alimentares entre parentes pode ser até dez vezes maior. Além das prováveis variantes genéticas, essa incidência também está relacionada com comportamentos disfuncionais herdados, bem como a interferência das emoções (ansiedade, tristeza, medo etc.) no comportamento alimentar.

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+ Leia também: Os 12 principais tipos de transtorno alimentar, de anorexia a compulsão

Mas de onde vêm os problemas emocionais relacionados à comida?

Em primeiro lugar, da cultura e do ambiente. É muito comum encontrar, no consultório, meninas em idade precoce (antes dos 10 anos) já preocupadas em emagrecer, em uma fase em que ainda precisam crescer em altura e ganhar peso naturalmente.

Desde cedo, as mulheres crescem dentro de um padrão cultural que valoriza excessivamente a aparência física, muitas vezes inatingível e irreal. As mães acabam reproduzindo, na educação das filhas, as cobranças que receberam em relação à aparência.

Assim, a autoestima das mulheres é construída baseada na aparência física, associando a magreza à felicidade e ao sucesso. Às vezes, um comentário de um familiar (muitas vezes os pais), de uma amiga ou de um colega da escola pode ser um gatilho para problemas no padrão alimentar.

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Além disso, as redes sociais, com seus filtros irreais usados por celebridades, representam um fator importante na origem desses transtornos.

Tudo isso leva a crenças inconscientes e disfuncionais, além de uma distorção cognitiva em relação ao corpo, criando uma relação problemática com a comida.

Fatores de risco para transtornos alimentares

Os principais são:

  • Relações parentais disfuncionais
  • Grande importância dada à aparência (tanto na questão física quanto no desempenho em diversas áreas da vida)
  • Pais rígidos
  • Acentuada autocrítica
  • Perfeccionismo
  • Autoestima frágil
  • Personalidade insegura
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Essas características podem predispor ao desenvolvimento de transtornos de humor, ansiedade, dificuldades no controle de impulsos e alterações no comportamento alimentar.

+Leia também: Ter compaixão faz bem a saúde

E como melhorar a relação com a comida?

Para crianças e adolescentes:

  • Conscientizar os pais sobre a expectativa em relação à aparência e aos padrões de beleza impostos às mulheres desde a infância.
  • Buscar saúde e equilíbrio, muito mais do que aparência.
  • Incentivar a adoção de alimentos saudáveis.
  • Perceber quando há emoções gerando ansiedade ou angústia que interferem no comportamento alimentar (o que também ocorre em meninos).
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Para adultos com rotina atribulada:

  • Buscar uma dieta saudável, percebendo qual se adapta melhor à sua genética.
  • Praticar o comer consciente, respeitando memórias afetivas, cultura e gostos pessoais, sem exageros.
  • Buscar ajuda de profissionais de saúde mental para compreender as emoções e transtornos mentais que podem necessitar de intervenção profissional.

*Gianna Testa é psiquiatra (CRM: 15231)

(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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