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4 erros comuns de quem busca o “shape” ideal

Cada vez mais pessoas buscam um corpo saudável, mas muitas recorrem a estratégias que podem custar caro para a saúde

Por Ana Andrade, da Agência Einstein* 5 jan 2026, 15h29
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Canetas emagrecedoras não devem ser usadas sem indicação (Alones Creative/Getty Images)
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A busca por um estilo de vida saudável e um corpo em forma, o famoso “shape”, deixou de ser uma tendência passageira e se consolidou como prioridade para muitas pessoas. No entanto, promessas de resultados milagrosos e desinformação podem desviar o foco da saúde e levar a práticas radicais e arriscadas.

A alimentação equilibrada é uma grande aliada de quem quer atingir esse objetivo. Para a nutricionista esportiva Gabriela Yoshimura, do Espaço Einstein de Reabilitação e Esporte, do Einstein Hospital Israelita, quem está iniciando a jornada de reeducação alimentar deve se basear em uma rotina estruturada, com base em alimentos naturais e consciente em relação às escolhas à mesa.

“É importante entender o que comer, quando comer e em que proporção, para que a alimentação se torne aliada, e não um desafio constante”, indica.

Isso se traduz em práticas como:

  • Distribuir as refeições ao longo do dia, considerando a regularidade e os horários de treino, para manter a energia estável e a fome controlada;
  • Priorizar alimentos in natura e minimamente processados, combinando todos os grupos alimentares (vegetais, frutas, cereais integrais, leguminosas e carnes magras);
  • Fazer escolhas que tragam saúde e prazer.

Um corpo mais saudável também envolve, inevitavelmente, a prática de exercícios físicos. Contudo, o aumento da intensidade ou do volume de treino de forma abrupta e sem a devida preparação física e nutricional eleva o risco de lesões.

Para garantir práticas mais eficientes, o corpo precisa de um aporte adequado de carboidratos, a principal fonte de “combustível” do nosso organismo; proteínas, cruciais para a construção e reparação muscular pós-treino; além de gorduras, vitaminas e minerais, que são essenciais para a produção hormonal, a saúde óssea e outros processos fisiológicos.

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Sem essa base alimentar equilibrada, até a rotina de exercícios pode ser prejudicada. “Ao longo do tempo, a repetição de treinos intensos sem uma nutrição adequada resulta em um acúmulo de estresse nos tecidos, que se manifesta como um risco maior de lesões”, frisa a nutricionista esportiva.

A seguir, veja os erros que as pessoas cometem ao tentar atingir seus objetivos do ano.

+Leia também: Macronutrientes: conheça tipos, funções e importância

1. Focar só na aparência

Um erro comum de quem está em busca de uma nova composição corporal é prender-se às aparências para definir se está saudável ou não.

Mais do que o reflexo no espelho, porém, esse parâmetro deve ser baseado em indicadores como bom funcionamento do metabolismo, ausência de deficiências nutricionais, bom desempenho e boa recuperação durante e após as atividades físicas, com menos fadiga e dores.

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Também deve ser analisado o bem-estar geral, com energia e disposição estáveis ao longo do dia, boa qualidade de sono e humor sem instabilidade. “Um corpo em forma e saudável é aquele que funciona plenamente em todas as suas capacidades, para além da aparência”, enfatiza Yoshimura.

2. Não se consultar com um profissional 

Outro erro frequente é a busca por resultados imediatos por meio de medidas extremas, como cortar calorias drasticamente ou excluir grupos alimentares inteiros.

Daí a importância de se consultar com um profissional. “O nutricionista vai auxiliar a elaborar uma estratégia que se adeque melhor à sua realidade e aos seus objetivos, com o balanço calórico adequado para sustentar a energia enquanto acontece a perda de peso de forma saudável e sustentável”, frisa a nutricionista do Einstein.

A exclusão severa de nutrientes ou a adesão a dietas sem acompanhamento pode trazer riscos como fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda no desempenho e na recuperação pós-treino, aumento do risco de lesões e episódios de compulsão alimentar.

Outros problemas crônicos podem surgir, como deficiências de vitaminas e minerais, anemia, osteoporose, problemas de pele e cabelo, perda de massa muscular (catabolismo) e a diminuição do metabolismo basal, que gera o temido efeito sanfona, com ganho de gordura ainda maior a longo prazo. “Dietas que prometem soluções milagrosas devem ser olhadas com cautela.

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Elas podem gerar uma sensação de eficácia devido à perda de peso rápida, mas essa perda é frequentemente enganosa, pois a água é o principal componente do peso perdido inicialmente”, alerta Gabriela Yoshimura.

Além disso, uma grande restrição calórica pode acionar um mecanismo de defesa ancestral do nosso organismo: quando há perda de gordura muito rápida, o corpo entende que está perdendo um “estoque” de energia e reage de formas indesejadas. “O corpo entra em modo de economia”, sintetiza a endocrinologista Claudia Schimidt, também do Einstein.

Alguns efeitos comuns desse processo são a redução da taxa metabólica basal, quando o corpo passa a gastar menos calorias; o aumento da fome na tentativa de repor os estoques perdidos; e ainda a perda de massa muscular, pois o organismo tende a utilizar os músculos como fonte alternativa de energia.

3. Ignorar sintomas

Quando os resultados esperados não são alcançados mesmo com dieta e exercícios adequados, pode ser um sinal de desequilíbrio hormonal ou metabólico.

Nesses casos, uma avaliação médica é indicada, principalmente se houver sintomas associados, a exemplo de fadiga e cansaço excessivo, com sensação de esgotamento incomum, alterações de humor e sono, e manifestações físicas como queda de cabelo fora do normal, mudanças no ciclo menstrual ou palpitações.

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Entre os principais desequilíbrios que dificultam a mudança da composição corporal estão as disfunções da tireoide — tanto o hipotireoidismo, que reduz o gasto energético e dificulta a perda de peso, quanto o hipertireoidismo, que pode acelerar a perda de massa muscular.

Já o excesso de cortisol, o “hormônio do estresse”, é capaz de favorecer o acúmulo de gordura, especialmente abdominal, além de piorar marcadores metabólicos. E o hipogonadismo, caracterizado pela deficiência de hormônios sexuais, contribui para aumento de gordura, redução de massa magra e queda da disposição.

Vale lembrar que a privação de sono também é um fator para o desequilíbrio hormonal e metabólico. “Quando a pessoa não dorme bem, ela pode sentir mais fome, escolher alimentos mais calóricos, ter menos energia para fazer exercícios, e o ciclo de hormônios do crescimento e do cortisol pode ser influenciado”, aponta a endocrinologista.

4. Usar “canetas emagrecedoras” sem indicação 

A busca por soluções rápidas também popularizou o uso de medicamentos agonistas do GLP-1, popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”. Essa expressão, aliás, é desaprovada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), que sugerem sua substituição pelo termo “medicamentos para tratar a obesidade”.

Essas medicações são indicadas em casos de obesidade ou sobrepeso com comorbidades, quando há um benefício metabólico que compense os potenciais riscos dessas substâncias.

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Não são, portanto, um recurso com finalidade estética. “Quando pensamos no uso estético, muitas vezes são pessoas que não tinham tanto excesso de gordura para perder e entram num déficit calórico mais importante, então elas vão tirar energia de onde? Tem um risco muito maior de perda de massa muscular, que definitivamente não é um efeito desejado”, explica Schimidt.

O uso sem acompanhamento médico também representa um risco significativo, sobretudo pela possibilidade de doses inadequadas, evolução terapêutica incorreta e efeitos adversos.

Por esse motivo, desde junho de 2025, a venda dessa classe de medicamentos — que inclui semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida — passou a exigir retenção da receita nas farmácias brasileiras.

Fonte: Agência Einstein

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