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Sono fragmentado aumenta risco de crises de enxaqueca, diz estudo

Pessoas que dormem superficialmente e acordam mais à noite podem sofrer com episódios adicionais desse tipo de dor de cabeça

Por Chloé Pinheiro
Atualizado em 16 jan 2020, 17h55 - Publicado em 8 jan 2020, 18h41

A fragmentação do sono — quando alguém dorme de maneira superficial, acordando mais durante à noite — eleva o risco de uma crise de enxaqueca. É o que mostra um estudo feito pelo Brigham and Women’s Hospital e pelo Beth Israel Deaconess Medical Center, ambos vinculados à Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

O trabalho, publicado recentemente na revista científica Neurology, envolveu 98 adultos com enxaqueca episódica, que relatavam mais que dois e menos que 15 dias com dor ao mês. Os voluntários precisavam registrar detalhes do sono, hábitos relacionados ao estilo de vida e suas crises em um diário eletrônico por seis semanas.

Em paralelo, eles dormiam com um monitor de pulso atado ao braço. Esse dispositivo detecta quando estamos repousando profundamente e quando acordamos.

No decorrer da pesquisa, 870 episódios de enxaqueca foram reportados pelo grupo. Acontece que os participantes com o sono mais fragmentado estavam mais sujeitos às crises. Curiosamente, os incômodos não surgiam no dia seguinte, e sim no próximo depois dele.

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E veja só: as poucas horas de sono ou o relato de um descanso de má qualidade não foram associados aos episódios de dor.

O que tirar dessa pesquisa para evitar a enxaqueca

Já se sabe que um descanso ruim está entre os principais gatilhos para as crises dessa doença. Contudo, falta entender melhor quais os fatores do sono que mais influem no surgimento ou na prevenção das dores. E é aí que a nova pesquisa pode ajudar.

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“A literatura científica não é muito clara sobre que tipo de intervenções no sono reduzem o risco de uma crise”, comentou à imprensa Suzanne Bertisch, médica e pesquisadora por trás do trabalho.

Por exemplo: a apneia obstrutiva do sono faz seus portadores terem um repouso picotado. Muitas vezes eles não chegam a acordar propriamente, porém sofrem com microdespertares que tornam o descanso superficial. Daria para inferir, portanto, que tratá-la contribuiria indiretamente para a diminuição dos episódios de enxaqueca.

Limitações

A investigação incluiu pessoas com poucas perturbações durante o sono e episódios mais espaçados de dor. Ou seja, não há como extrapolar esses achados para indivíduos com o descanso bem prejudicado, como os insones. Ou imaginar que dormir melhor vai ajudar nos casos mais graves de enxaqueca.

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