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Soneca no meio do dia ajudaria a baixar pressão

Além de recarregar as energias, tirar um cochilo durante o dia beneficiaria a pressão arterial, diz estudo

Por Maria Tereza Santos 29 mar 2019, 17h05

Uma pesquisa apresentada na 68ª Sessão Científica Anual do Colégio Americano de Cardiologia indica que aquela soneca no meio do dia ajuda a reduzir a pressão arterial, um fator importante para quem deseja evitar hipertensão.

Segundo os cientistas, esse é o primeiro estudo que avalia o efeito do sono diurno na pressão de indivíduos nos quais ela é praticamente normal. Anteriormente, eles já haviam descoberto que, em hipertensos, essa cochilada está associada a níveis mais adequados e a menores quantidades de remédio.

A equipe de estudiosos analisou 212 pessoas com pressão sistólica de 129,9 mmHg, em média. Esse é o primeiro número que o médico fala após medir sua pressão com aquele aparelho que aperta o braço, o esfigmomanômetro. Só não se confunda: muitas vezes o profissional simplifica esse dado – no caso, ele diria 12,9 e completaria com o dado da pressão diastólica. Ou 12,9 por 8, como exemplo.

Além disso, os participantes possuíam 62 anos, em média, e um em cada quatro fumava e/ou tinha diabetes tipo 2.

Então, foram divididos em um grupo que faria sesta e outro que permaneceria acordado o dia todo. Eles usaram um monitor portátil para monitorar a pressão arterial em intervalos regulares durante um dia inteiro, em vez de apenas uma vez na clínica.

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Os experts verificaram os registros feitos por 24 horas consecutivas, a duração da soneca, os hábitos e a rigidez das artérias. Eles também ajustaram fatores que influenciariam os números finais, como idade, gênero, estilo de vida e medicamentos.

No fim das análises, constatou-se que a média da pressão sistólica era 5 mmHg menor em quem cochilou (127,6 mmHg) comparado a quem ficou acordado (132,9 mmHg). Além disso, a cada 60 minutos de sono, o nível caiu, em média, 3 mmHg.

  • Apesar de não parecer uma diferença enorme, o achado tem sua importância. “Uma queda de 2 mmHg é capaz de reduzir o risco de eventos cardiovasculares, como o ataque cardíaco, em até 10%”, justifica, em comunicado à imprensa, o cardiologista Manolis Kallistratos, do Hospital Geral Asklepieion, na Grécia, que participou da pesquisa.

    De acordo com o especialista, essa seria uma medida tão efetiva quanto mudar alguns hábitos. Por exemplo: maneirar no sal diminui o índice em 3 a 5 mmHg. Já uma baixa dose de medicamentos para hipertensão subtrai de 5 a 7 mmHg.

    “Baseado nos nossos achados, quem possui o privilégio de tirar uma soneca durante o dia vai melhorar sua pressão. Os cochilos podem ser facilmente adotados e não têm custo”, conclui Kallistratos.

    Claro que outras pesquisas devem ser feitas para confirmar esse achado e sua magnitude. Mas fica o recado de que aquela sonequinha pode fazer um bem danado para a circulação.

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