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Novidades no tratamento da Covid-19: OMS passa a indicar mais remédios

Entidade inclui em diretriz o baricitinibe, usado no tratamento para artrite reumatoide, e o sotrovimabe, anticorpo monoclonal desenhado para o coronavírus

Por Chloé Pinheiro Atualizado em 14 jan 2022, 18h51 - Publicado em 14 jan 2022, 18h49

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu em sua lista de possíveis tratamentos para a Covid-19 mais dois medicamentos: o baricitinibe, usado originalmente no tratamento de artrite reumatoide, e o sotrovimabe, um anticorpo monoclonal, que imita os nossos próprios anticorpos. 

O bariticinibe passou a ser indicado para pacientes em estado crítico ou severo (com menos de 90% de oxigenação no sangue e outros sinais de complicação), já em uso de corticoides como a dexametasona. Em estudos, o remédio demonstrou reduzir a mortalidade e a necessidade de ventilação mecânica nessas situações mais graves. 

A diretriz é atualizada por um grupo técnico da entidade em colaboração com milhares de cientistas do mundo todo e instituições de renome, que compartilham em tempo real dados de testes concluídos por eles. Tudo com rigor metodológico para garantir a qualidade das evidências.

A OMS classifica a recomendação do baricitinibe como forte, pois ele já passou por estudos de fase 3, os últimos antes da aprovação. A droga atua na chamada tempestade inflamatória, quadro que acomete entre 10 e 15% dos infectados e leva ao agravamento da doença. 

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Algumas vantagens do remédio: é um comprimido, precisa ser tomado uma vez ao dia e é relativamente mais barato do que outros de ação similar, como o tocilizumabe, e demais bloqueadores de janus kinase ou interleucina-6 (moléculas envolvidas nas inflamações generalizadas).

Sobre isso, aliás, o tofacitinibe, outra droga dessa categoria, que havia demonstrado benefício modesto em um estudo, recebeu uma recomendação negativa da OMS. É que novas pesquisas tiveram resultados negativos e apontaram para um possível aumento no número de eventos adversos. 

Mais um anticorpo monoclonal

Já a aprovação do sotrovimabe é considerada condicional, enquanto ainda há dúvidas sobre seu real benefício. Ele é um anticorpo monoclonal, categoria nova de medicamentos que tem demonstrado bons resultados contra a Covid-19. Trata-se de uma tecnologia que imita os anticorpos do corpo para caçar alvos específicos no organismo. 

Nesse caso, o alvo é a proteína spike do Sars-CoV-2, usada pelo vírus para infectar as células. Trocando em miúdos, ele atua como o anticorpo desenvolvido pela infecção natural ou pela vacina. É indicado para pessoas com sintomas iniciais leves, mas que tenham alto risco de progressão para quadros graves. 

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A entidade se baseia em dados de sete estudos que incluíram 4 mil pessoas e mostraram que o sotrovimabe pode diminuir o risco de hospitalização. O porém: “Os especialistas declaram ainda que os dados são insuficientes para recomendar os anticorpos monoclonais em detrimento de outros tratamentos – e reconhecem que sua efetividade frente às variantes, como a Ômicron, é incerta”, anunciou a entidade em comunicado. 

A classe, que inclui outros compostos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tem demonstrado algum benefício em evitar o agravamento da infecção. Mas enfrenta desafios, como uma via de administração complicada (precisa ser aplicado por infusão intravenosa) e o custo alto, que pode chegar a dezenas de milhares de reais. 

Brasileiros sem acesso a remédios 

Mesmo já aprovados pela Anvisa, baricitinibe e sotrovimabe não devem ser usados tão cedo por aqui. É que, assim como os demais medicamentos incluídos na diretriz internacional – com exceção da dexametasona –, sua incorporação ainda não está sendo discutida pelo Ministério da Saúde. O baricinitibe já está no SUS para seu uso original, conta artrite reumatoide.

No Brasil, enquanto ainda debatemos o uso dos remédios ineficazes do dito “kit Covid” – como hidroxicloroquina e ivermectina, que são fortemente contraindicadas pela OMS –, a possível incorporação dos novos fármacos anda a passos lentos. 

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“Vejo na prática como essas drogas são enfim o tratamento precoce que tanto queríamos, mas os brasileiros estão sem acesso a elas”, aponta a pneumologista Letícia Kawano-Dourado, que é líder clínica do grupo de desenvolvimento das diretrizes de tratamento da OMS. 

“Estamos estudando uma quantidade enorme de dados brutos de segurança e eficácia, e alguns dos anticorpos monoclonais chegam a reduzir em 70% o risco de internação”, destaca a médica. “Mesmo que sejam caros, no fim das contas a análise farmacoeconômica é positiva, porque você pode evitar uma internação, que é mais cara ainda”, completa. 

Para a especialista, ainda que tenhamos as vacinas, devemos pensar nesses recursos. “Há grupos de alto risco que, mesmo vacinados, não montam uma boa resposta imune, como pessoas que fazem um tratamento de câncer, por exemplo. E eles podem se beneficiar dos tratamentos”, encerra Letícia. 

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