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Tofacitinibe reduz risco de morte em pacientes hospitalizados com Covid-19

A medicação diminuiu em 37% o risco de óbito e falência respiratória entre pessoas com casos moderados da doença

Por Da Agência Einstein 17 jun 2021, 11h44

O medicamento tofacitinibe, da farmacêutica Pfizer, diminui o risco de morte e insuficiência respiratória em pacientes hospitalizados com Covid-19, segundo um estudo brasileiro publicado no The New England Journal of Medicine (NEJM), o periódico médico de maior impacto no mundo. Originalmente aplicado contra artrite reumatoide e outras doenças autoimunes, o remédio pode conter a tempestade inflamatória deflagrada pelo coronavírus em certos pacientes.

A pesquisa, chamada de STOP-COVID, foi liderada pela Academic Research Organization (ARO), do Einstein, em uma parceria com a Pfizer. Foram recrutados 289 adultos internados com Covid-19 em 15 centros brasileiros. Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu o tofacitinibe por 14 dias ou até a alta, além do tratamento padrão (que em geral envolvia corticoides). O outro ficou com um placebo e as terapias usuais. Nem os pesquisadores nem os participantes sabiam quem estava tomando o quê. É, portanto, um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, considerado o mais confiável para determinar o potencial de um fármaco.

Após 28 dias de acompanhamento, 18,1% dos voluntários que receberam o tofacitinibe morreram ou apresentaram falência respiratória, ante 29% dos que tomaram o placebo. Dito de outra maneira, a medicação diminuiu em 37% o risco dessas consequências.

“O nosso estudo indica que a utilização do medicamento, quando associado ao tratamento padrão, que inclui corticoides, pode beneficiar pacientes hospitalizados com pneumonia causada pela Covid-19”, reitera o médico Otávio Berwanger, diretor da ARO e Chair do comitê executivo do estudo.

Como o medicamento age

O tofacitinibe inibe as proteínas janus quinase (JAKs), que desencadeiam inflamações no organismo. “O trabalho se baseou na hipótese de que impedir a ação das JAKs pode mitigar a inflamação sistêmica e alveolar em pacientes com pneumonia associada à Covid-19”, explica Berwanger.

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De maneira geral, a taxa de reações adversas graves foi similar entre os voluntários que receberam tofacitinibe ou placebo.

“Para combater a pandemia de forma eficaz, ainda há necessidade crítica e contínua na busca de várias opções terapêuticas”, afirma Tamas Koncz, diretor médico da Pfizer para a área de Inflamação e Imunologia.

Apesar da boa notícia, é importante destacar que essa medicação não foi aprovada contra a Covid-19 por nenhuma agência regulatória do mundo. O estudo coordenado pela ARO foi o primeiro randomizado e desenvolvido em múltiplos centros a avaliar seu impacto no combate ao coronavírus. A eventual utilização nesse contexto dependerá de uma avaliação minuciosa por parte das autoridades de saúde.

Atualmente, o tofacitinibe tem indicação no Brasil para artrite reumatoide, artrite psoriásica e retocolite ulcerativa.

É importante ressaltar que os voluntários incluídos na pesquisa não necessitavam de ventilação mecânica e estavam internados havia no máximo três dias quando iniciaram o tratamento com esse fármaco. Eram, portanto, pacientes com casos moderados da doença. Não há quaisquer evidências científicas sobre segurança ou eficácia do tofacitinibe em quadros mais leves ou, por outro lado, mais graves.

No momento, medicamentos que podem ser receitados para casos moderados ou graves de Covid-19 incluem corticoides e remdesivir. Equipamentos que oferecem oxigênio para o organismo, como os respiradores mecânicos, também podem entrar em cena.

(Esse conteúdo foi publicado originalmente pela Agência Einstein)

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