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Má digestão: mitos e verdades sobre o que realmente ajuda

O que a ciência diz sobre refrigerante, café, álcool, estresse e outros hábitos que afetam o sistema digestivo

Por Ricardo Purchio Galletti, cirurgião do aparelho digestivo* 30 Maio 2026, 09h27
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Alimentos muito gordurosos tornam a digestão mais lenta e elevam a glicemia.  (Foto: Tomás Arthuzzi/SAÚDE é Vital)
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A má digestão é uma queixa extremamente comum nos consultórios de gastroenterologia, afetando milhões de pessoas em todo o Brasil.

Caracterizada por desconforto abdominal, sensação de peso e estufamento após as refeições, essa condição — conhecida clinicamente como dispepsia — ainda é cercada por crenças populares que podem atrapalhar a saúde. Reuni neste artigo algumas das dúvidas mais frequentes para esclarecer o que é mito e o que é verdade sobre a digestão.

Refrigerante ajuda na digestão?

Mito. Essa é uma das crenças mais populares — e também uma das mais equivocadas. A sensação de alívio após tomar refrigerante ocorre porque o gás provoca eructação (o famoso arroto), dando uma falsa impressão de esvaziamento.

Na prática, as bebidas gaseificadas aumentam a pressão e a acidez dentro do estômago, favorecendo estufamento e desconforto. Além disso, o excesso de açúcar pode retardar ainda mais o esvaziamento gástrico.

Comer rápido faz mal ao estômago?

Verdade. A digestão começa na boca. Mastigar mal os alimentos sobrecarrega o estômago, que precisa trabalhar mais para processar pedaços maiores de comida. Além disso, quem come rápido costuma engolir mais ar, favorecendo gases e inchaço abdominal.

Outro ponto importante é que o cérebro leva cerca de 20 minutos para registrar a saciedade. Por isso, refeições rápidas aumentam o risco de exageros alimentares e desconforto digestivo.

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Alimentos gordurosos deixam a digestão mais lenta

Verdade. Frituras, carnes gordurosas e fast food estão entre os principais vilões da digestão lenta. A gordura é o nutriente que mais demora para ser processado pelo organismo.

Enquanto uma refeição leve pode deixar o estômago em aproximadamente duas horas, refeições muito gordurosas prolongam esse tempo e mantêm a sensação de peso por horas.

Uma tacinha de álcool no almoço não faz mal ao estômago

Mito. O álcool é um agressor direto da mucosa gástrica. Mesmo em pequenas quantidades, pode estimular a produção excessiva de ácido e favorecer inflamações na parede do estômago.

Em pessoas com gastrite, refluxo ou azia frequente, a bebida alcoólica pode funcionar como gatilho importante para piora dos sintomas.

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Ansiedade também pode afetar a digestão

Verdade. O sistema digestivo possui forte conexão com o sistema nervoso — tanto que o intestino é frequentemente chamado de “segundo cérebro”. Estresse e ansiedade alteram a motilidade gastrointestinal, aumentam a sensibilidade à dor e podem desencadear sintomas como estufamento, queimação e desconforto abdominal.

Muitas vezes, o problema não está apenas na alimentação, mas também no estado emocional. Hoje sabemos que intestino e cérebro mantêm uma comunicação constante, influenciando diretamente o funcionamento do organismo.

Cafezinho com chocolate ajuda a digerir

Mito. Embora seja uma combinação culturalmente associada ao prazer após as refeições, ela pode piorar sintomas digestivos em pessoas predispostas.

Chocolate e café contêm substâncias que relaxam o esfíncter esofágico — estrutura responsável por impedir o retorno do ácido ao esôfago — além de retardarem o esvaziamento do estômago.

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O que realmente ajuda na digestão

Algumas medidas simples podem melhorar significativamente o funcionamento digestivo:

  • Mastigar bem os alimentos e comer sem pressa;
  • Evitar deitar logo após as refeições;
  • Reduzir porções muito grandes;
  • Fazer caminhadas leves após comer;
  • Identificar alimentos que funcionam como gatilho individual;
  • Controlar o estresse com atividade física, relaxamento ou meditação.

Se a má digestão acontece com frequência, ela não deve ser considerada normal. Sintomas persistentes podem estar relacionados a refluxo, gastrite, intolerâncias alimentares ou outras condições que precisam de investigação médica.

Ricardo Purchio Galletti é cirurgião geral e do aparelho digestivo

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(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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