Hemoglobina baixa: conheça as principais causas e possíveis sintomas
Origem do quadro é variada: além da alimentação, pode ser hereditária, autoimune e até consequência de intervenções médicas
Para definir a anemia, a Organização Mundial da Saúde utiliza a contagem de hemoglobina, a proteína dos glóbulos vermelhos. Quando ela está abaixo do padrão (que depende de múltiplos fatores, como gênero, idade e peso), a doença se instala. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, não é só a alimentação que pode provocar esse problema.
Essa proteína pode ficar baixa por problemas de saúde subjacentes, que incluem doenças renais, na tireoide, questões hereditárias e autoimunes, e até mesmo tratamentos médicos. Uma baixa contagem de hemoglobina nem sempre gera sintomas perceptíveis em um primeiro momento, mas, conforme o quadro evolui, costumam aparecer sinais que começam com o famoso cansaço e não param nisso.
Como sei que a hemoglobina está baixa
O único jeito de confirmar com certeza a contagem insuficiente de hemoglobina é realizando um hemograma completo, o exame padrão que avalia a contagem dos diferentes constituintes do nosso sangue. Mas alguns sinais despertam suspeitas e aceleram a busca por essa avaliação.
Quando começam a se manifestar, os sinais da hemoglobina baixa são aqueles tipicamente associados à anemia:
- Palidez na pele e mucosas
- Apatia
- Cansaço exagerado ou constante
Diante desses sinais iniciais, redobre a atenção e procure um médico. Sem o devido tratamento, podem surgir sintomas mais graves, como falta de ar com o mínimo esforço, taquicardia e palpitações.
Mas é bom não se limitar a esses sinais: como a hemoglobina baixa tem inúmeras causas de fundo, o quadro pode ser acompanhado (ou precedido) por sintomas relacionados a eles. Pessoas com anemia falciforme, por exemplo, podem apresentar inflamação em alguns tecidos, risco aumentado de infecções e até AVC, em casos graves. Já a talassemia, também hereditária, também pode causar inchaço no baço ou fígado.
Para crianças, a atenção deve ser ainda maior, já que anemias podem ocasionar malformações, consequências cardíacas, aumento da mortalidade ou ainda retenção de um grande volume de sangue no interior do baço, uma urgência médica grave que deve ser tratada de imediato. No dia a dia, a hemoglobina baixa ainda pode causar dificuldades cognitivas e de concentração.
Causas da hemoglobina baixa
Qualquer quadro clínico que interfira na produção ou tempo de sobrevivência das hemácias, ou ainda na disponibilidade de sangue no organismo, pode levar à hemoglobina baixa. Doenças que afetam a medula óssea entram nesta seara, mas também quadros hormonais ou perda de sangue, assim como algumas viroses. Só em crianças e recém-nascidos, há mais de 30 causas possíveis.
O motivo mais conhecido da hemoglobina baixa é a anemia nutricional. Baixos níveis de ferro, de vitamina B12 e de folato para produzir as hemácias podem fazer com que a contagem caia.
A perda de sangue é outra causa comum. Ela pode ocorrer com perdas súbitas, relacionadas a traumas e hemorragias, mas também ser gradual: neste caso, incluem quem enfrenta fortes ciclos menstruais ou possui úlceras. O problema pode ser silencioso, confundido com um simples cansaço, e só acabar detectado casualmente em um exame de sangue.
Problemas nos rins, tireoide e baço também podem ocasionar a hemoglobina baixa, assim como doenças como linfomas, leucemia, mieloma múltiplo, mielodisplasia. Tratamentos de saúde como a quimioterapia também interferem na produção de hemoglobina, podendo levar à sua redução.
Doenças hereditárias também podem ter impacto na quantidade da hemoglobina. A mais famosa delas é a anemia falciforme, em que o formato diferenciado das hemácias (parecido com uma foice) faz seu tempo de vida no organismo ser reduzido. Outra causa conhecida é a talassemia, relacionada à queda na produção de um ou mais componentes que formam a hemoglobina.
Como tratar a hemoglobina baixa
Em geral, se estiver suspeitando que está com hemoglobina baixa, o primeiro passo é procurar um médico e descobrir a causa: o tratamento depende do que está causando o problema.
Quando a anemia tem origem nutricional, adequações na dieta e suplementação daquilo que está faltando podem ser suficientes para resolver a questão.
No entanto, algumas causas de fundo exigem acompanhamento pelo resto da vida, pois não têm uma cura definitiva: a anemia falciforme, por exemplo, deve ser manejada com estratégias como beber muita água, evitar calor extremo, grandes altitudes e exercícios muito intensos, assim como seguir o tratamento preconizado pelo médico.
Talassemias exigem transfusões sanguíneas constantes ou até um transplante de medula óssea, quando possível.
Se a anemia tem origem em problemas como ciclos menstruais intensos, pode ser interessante discutir a alternativa de interromper a menstruação com o uso de contraceptivos, por exemplo. Já a queda da hemoglobina ocasionada por intervenções como a quimioterapia pode persistir até o final do ciclo de tratamento. A avaliação médica é fundamental para entender o que pode ser feito em cada situação.





