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O que é embolia pulmonar? Veja causas, sintomas e tratamentos

Sinais mais comuns são dor no peito, falta de ar, tosse, tontura e palpitações. Problema grave e potencialmente fatal requer atendimento de urgência

Por Lucas Rocha
18 out 2023, 18h05

A embolia pulmonar ou tromboembolismo pulmonar é um problema de saúde grave e potencialmente fatal que causa um bloqueio da circulação nas artérias do pulmão. Na maior parte dos casos, ele é causado por coágulos sanguíneos.

Os coágulos são uma importante resposta do organismo humano para o controle de sangramentos. Quando há um corte ou lesão, por exemplo, células recobertas por uma proteína chamada fibrina se agrupam, interrompendo o fluxo e a perda sanguínea.

Contudo, há situações em que essa formação acontece mesmo sem a presença de um sangramento. Nesse contexto, temos um quadro clínico chamado tromboembolismo venoso, a popular trombose, que costuma afetar principalmente as veias das pernas.

A embolia pulmonar geralmente ocorre quando um desses coágulos se desprende da veia de origem, percorre a corrente sanguínea, passa pelo coração e se aloja nos vasos pulmonares.

A interrupção da circulação no órgão dificulta a oxigenação do sangue, além de levar a uma sobrecarga do coração, com riscos de infarto e morte.

+ Leia também: Trombose: o que é, sintomas, causas e tratamento

Causas de embolia pulmonar

O médico Gustavo Prado, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, detalha situações que podem favorecer a formação de coágulos nas veias das pernas e do quadril e seu posterior deslocamento ao pulmão.

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O principal deles é permanecer acamado ou imobilizado por períodos prolongados devido a algum problema de saúde ou durante o pós-operatório de cirurgias ortopédicas, ginecológicas de pelve ou prótese de quadril. Também entra na lista a dificuldade para caminhar após uma sequela neurológica, como as de um acidente vascular cerebral.

“Todas as condições que diminuem a mobilidade podem tornar a pessoa mais suscetível aos coágulos, também chamados de trombos”, diz Prado.

Embora a embolia pulmonar tenha maior incidência em pessoas mais velhas, a condição pode afetar indivíduos de qualquer idade.

Entre os outros fatores de risco, estão:

  • Obesidade
  • Insuficiências cardíaca e renal
  • Tabagismo e uso de cigarros eletrônicos
  • Traumas
  • Uso de cateter venoso
  • Varizes nos membros inferiores
  • Uso de alguns medicamentos, como anticoncepcionais
  • Doenças autoimunes
  • Câncer
  • Infecções bacterianas e virais graves, incluindo a Covid-19

+ Leia também: Quando a trombose vira embolia

Sintomas podem variar

Os sintomas mais comuns de embolia pulmonar são dor no peito, falta de ar, tosse, tontura e palpitações. Algumas pessoas sofrem desmaios e, em casos mais graves, pode haver parada cardiorrespiratória.

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As manifestações variam, sendo mais brandas ou mais severas de acordo com o perfil e o tamanho da obstrução na circulação.

Dependendo da extensão do problema o quadro pode se complicar rapidamente.

“As artérias do pulmão se ramificam sucessivamente até as partes mais periféricas do órgão. Quanto mais no final da circulação e menor o calibre do vaso atingido, menos exuberantes os sintomas e riscos envolvidos. Quanto maior for o volume das artérias acometidas, maiores são as chances dos sinais serem mais intensos e de complicações respiratórias e cardiovasculares”, detalha Prado.

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Interrupção da circulação sanguínea devido a bloqueio causado por coágulo causa a embolia pulmonar (Ilustração: brgfx/Freepik/Divulgação)

Tratamento

A embolia pulmonar exige atendimento imediato. A condição pode levar à morte dos tecidos da região afetada e, na ausência de tratamento, surgem complicações graves, como a parada cardiorrespiratória, e o óbito.

Além da avaliação clínica do paciente, uma série de exames pode confirmar o diagnóstico. Entre eles, raio-x da região do tórax, tomografia computadorizada dos vasos pulmonares e arteriografia, que permite avaliar o fluxo das artérias.

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De forma geral, a primeira parte do cuidado é feita em ambiente hospitalar, com administração de medicamentos.

“O tratamento inicial consiste no uso de anticoagulantes, normalmente injetáveis. Depois, há uma transição para os remédios orais, que são mantidos por pelo menos três meses, mas pode chegar a seis meses ou um ano, dependendo do risco de recorrência do evento”, diz Prado.

Em casos mais graves, podem ser utilizados fármacos chamados trombolíticos, que destroem os coágulos sanguíneos. Os trombos também podem ser removidos com técnicas de cateterismo ou intervenção cirúrgica.

Embolia gasosa e outros tipos

A embolia pulmonar pode ser causada por outros fatores além dos coágulos sanguíneos, como ar, gordura, corpos estranhos e tumores.

Já a embolia gasosa, como o nome diz, é ocasionada pela presença de ar na circulação. Geralmente, é associada a procedimentos cirúrgicos, realização de exames diagnósticos invasivos ou traumas causados por ventilação mecânica em pacientes hospitalizados.

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Nessa situação, o ar viaja pela corrente sanguínea na forma de microbolhas e pode atingir outros órgãos, como o cérebro e o coração, provocando infarto e AVC.

O tratamento envolve identificar e interromper a causa da entrada de ar na circulação, além da preservação das funções vitais. Podem ser utilizados recursos como a oxigenação do paciente e o encaminhamento para uma câmara de descompressão.

A entrada de gordura ou de partículas de medula óssea nas veias e, posteriormente, nas artérias pulmonares caracteriza a embolia gordurosa. O problema afeta pacientes submetidos a procedimentos ortopédicos, pessoas com necrose de medula óssea e vítimas de fraturas de ossos longos, como o fêmur.

Entre as complicações, estão a falta de oxigenação do sangue e alterações neurológicas. Não há um tratamento específico, em geral são utilizadas medidas de controle dos sintomas.

Em casos raros, células de câncer podem entrar no sistema venoso e alcançar artérias dos pulmões, obstruindo a circulação. O quadro é conhecido como embolia tumoral e os sinais são semelhantes aos da embolia pulmonar, como falta de ar e dor no peito.

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Leia tambémInfarto e AVC: mais de 90% das pessoas em alto risco não se tratam direito

Prevenção

Em geral, hábitos saudáveis contribuem para reduzir os riscos de trombose e, por consequência, de embolia pulmonar.

“É importante evitar fumar e manter o peso adequado. Antes de fazer algum tipo de cirurgia, converse com seu médico sobre o risco de embolia. É uma forma de conscientizar e aumentar o alerta, independente da faixa etária”, afirma o médico pneumologista Marcelo Rabahi, do Hospital Israelita Albert Einstein e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Além disso, são recomendadas medidas para passageiros que realizam viagens longas, pois o período sem se mexer aumenta o perigo.

Deve-se usar roupas confortáveis e um pouco mais largas, além de tomar bastante líquido, principalmente água. Pessoas com predisposição à formação de coágulos podem utilizar meias elásticas medicinais, sob prescrição médica.

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