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Bebidas açucaradas podem aumentar risco de danos cognitivos?

Pesquisa com 118 mil participantes mostra que o consumo excessivo prejudica a saúde cerebral e reforça efeitos protetores do café e do chá-verde

Por Regina Célia Pereira, da Agência Einstein* 4 abr 2026, 06h40 • Atualizado em 4 abr 2026, 06h41
Ilustração de latinha.
 (Ilustração: Laura Luduvig/Veja Saúde)
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  • Não faltam evidências de que o consumo exagerado de refrigerantes e demais bebidas cheias de açúcar está associado ao ganho de peso e todas as suas consequências. Agora, um estudo publicado no periódico The Journal of Nutrition, Health and Aging acrescenta à lista de efeitos o aumento no risco de demência.

    Pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, analisaram informações de mais 118 mil adultos, coletadas ao longo de 13 anos por meio do UK Biobank,, levantamento britânico que avalia condições de saúde de meio milhão de pessoas. 

    Entre os participantes que consumiam mais de um copo de bebidas açucaradas todos os dias, observou-se uma maior tendência a desenvolver demências, que incluem doenças como o Alzheimer.

    Por outro lado, incluir café e chá no cotidiano esteva associado à neuroproteção.

    Vale lembrar, porém, que esse é um estudo observacional, ou seja, não estabelece uma relação direta de causa e efeito. Além disso, as informações sobre o consumo dessas bebidas partem de questionários respondidos pelos próprios participantes, o que pode tornar os resultados menos precisos

    Apesar da necessidade de mais pesquisas sobre o assunto, outros trabalhos já mostraram essa associação.

    “Sobre os possíveis mecanismos envolvidos, há evidências de que o excesso dessas bebidas contribua para uma sobrecarga no sistema metabólico”, afirma o nutrólogo Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita. 

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    Além do ganho de peso, ocorre uma propensão à resistência à insulina, ou seja, um desajuste no metabolismo da glicose.

    Também se eleva o risco para o acúmulo de gordura na região abdominal, que fica entremeada nos órgãos e contribui para a produção de hormônios e diversas substâncias, inclusive as pró-inflamatórias.

    O artigo menciona evidências de que exagerar no açúcar pode ainda interferir com estruturas cerebrais, favorecendo o declínio cognitivo.

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    Dá para incluir essas bebidas no dia a dia?

    Embora a nutrição não proíba nenhum alimento, a parcimônia é bem-vinda quando se trata de líquidos abarrotados de açúcar.

    “A recomendação é incluir ocasionalmente e em pouca quantidade”, orienta a nutricionista Lara Natacci, pesquisadora na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). 

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    Jamais beba esses produtos como estratégia de hidratação. “Para essa finalidade, só vale a água mesmo”, ressalta Natacci.

    Além de refrigerantes, tenha atenção com as bebidas à base de frutas, que incluem néctares e refrescos, variando a diluição. Também é fundamental um olhar atento ao teor de açúcar de produtos como energéticos, chás prontos, bebidas fermentadas, entre outros.

    A dica é esmiuçar informações estampadas nas embalagens. Inclusive, com a nova norma para os rótulos, que traz a lupa com o aviso de “alto em açúcar adicionado”, essa tarefa ficou mais fácil.

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    As opções protetoras

    Café e chá-verde aparecem no artigo sul-coreano como aliados na redução do risco de demência.

    Ambos oferecem antioxidantes”, diz Cukier. Esses compostos se destacam em pesquisas pela capacidade de atenuar inflamações, resguardando o cérebro.

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    “Vale salientar, entretanto, que são necessários mais estudos para avaliar a quantidade e ainda a frequência necessárias para garantir os efeitos”, afirma o médico do Einstein.

    Além da cafeína, o cafezinho contém uma variedade de fitoquímicos, especialmente do grupo dos polifenóis: ácido clorogênico, ácido gálico, ácido ferúlico e ácido cafeico são exemplos.

    Vale mencionar ainda a presença de enterodiol e enterolactona, que agem na modulação dos níveis de glicose no sangue.

    +Leia também: A dose certa de café para proteger o cérebro da demência, segundo novo estudo

    O chá-verde também concentra cafeína e fenólicos, especialmente a epigalocatequina galato ou EGCG, um potente antioxidante, de comprovada atuação anti-inflamatória.  Sua matéria-prima é a erva Camellia sinensis.

    O ideal é saborear tanto o chá-verde quanto o café sem açúcar, ou com o mínimo possível. Lembrando que os benefícios desses e de qualquer outro alimento estão atrelados ao estilo de vida.

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    De nada adianta incluí-los no cardápio se o dia a dia é marcado por sedentarismo e má alimentação, com poucas horas de sono e muito estresse.

    Chá verde: para que serve?

     

    *Fonte: Agência Einstein

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