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As principais notícias do maior congresso sobre câncer do mundo

Novas estratégias para o câncer de pulmão estão entre os destaques do evento, que expõe os estudos mais recentes da oncologia

Por Fabiana Schiavon
12 jun 2023, 16h11

Evitar a volta de um câncer e dar mais tempo e qualidade de vida a quem está em tratamento são alguns dos destaques que foram apresentados no último congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, da sigla em inglês).

O maior evento do tipo no mundo ocorreu na semana passada em Chicago, nos Estados Unidos.

Entre as boas notícias, há novas estratégias de tratamentos menos invasivos que já podem ser colocadas em prática e, também, medicamentos e tecnologias que ainda só prometem um ganho futuro.

De qualquer maneira, essas informações dão opções ao médico e também ao indivíduo diagnosticado, que, juntos, têm a chance de tentar melhores caminhos.

“A parceria entre médico e paciente foi a pedra fundamental desse congresso. Tomamos decisões compartilhadas, o tempo todo”, afirma Bruno Santucci, diretor médico da Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia, que acompanhou o evento e pontuou alguns destaques para a VEJA SAÚDE.

A oncologista Anelisa Coutinho também celebrou o congresso, que reúne experts de todo o planeta. “Costumo falar que, depois de junho, a prática da oncologia muda”, definiu a presidente eleita para 2024 da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e membro do Comitê de Relações Internacionais da entidade.

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Confira os destaques apresentados no evento deste ano.

Câncer de pulmão

Os anúncios mais comemorados por médicos são relacionados ao tratamento do câncer de pulmão, o segundo mais incidente no mundo depois do câncer de mama, sem contar os tumores de pele não-melanoma.

Ele é classificado em dois grandes grupos, pequenas células e não pequenas células (CNPC), sendo o segundo tipo bem mais frequente (80% dos casos).

Um estudo com um medicamento de terapia-alvo chamado osimertinibe reduziu o risco de morte em 51% em casos de CNPC. Houve, ainda, uma mínima recorrência do câncer em que aderiu ao tratamento.

“Essas pessoas passaram por cirurgia. Para evitar a volta da doença, é comum que se faça um ciclo de quimioterapia. Depois disso, metade dos participantes do estudo fez acompanhamento, e a outra metade tomou esse medicamento ao longo de três anos”, explica Santucci.

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A estratégia é válida para cânceres do estágio 1 ao 3, em uma classificação que vai até 4. Antes, só havia estudos para quem estava com a doença em estágio avançado.

“Essa pesquisa é bastante significativa porque muda a forma de tratamento e dá mais qualidade de vida ao nosso paciente”, completa Santucci.

+ Leia também: Medicamento inovador contra câncer de pulmão é aprovado pela Anvisa

Outro trabalho apresentado avaliou o uso da imunoterapia com pembrolizumabe casada com a quimio antes da cirurgia de tumores NPC.

Usar esses dois tratamentos antes da operação aumentou as chances de uma eliminação completa do tumor, e diminuiu mais chance de recorrência ao longo do tempo, em comparação com fazer apenas a quimio.

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“Esse estudo corrobora o papel da imunoterapia pré-operatória, e essa estratégia passa a se tornar mais uma opção para esses pacientes”, afirma William Nassib William Jr, líder da especialidade de tumores torácicos do Grupo Oncoclínicas.

Há outros estudos do tipo feitos com drogas imunoterápicas, como o nivolumabe, durvalumabe e toripalimabe, que demonstraram efeitos benéficos muito parecidos.

Essas investigações em andamento prometem mais respostas, em especial no uso da imunoterapia depois da retirada cirúrgica do tumor.

“Ainda não sabemos se uma dessas drogas é melhor do que a outra, nem qual é a verdadeira necessidade do uso de imunoterapia por um ano após a cirurgia”, afirma o médico da Oncoclínicas.

Exame de sangue para rastrear o câncer?

Um teste chamado Galleri demonstrou o que a tecnologia pode prover à oncologia em alguns anos. Ele consegue tirar mais informações do DNA tumoral circulante, fragmentos do câncer que escapam para a corrente sanguínea.

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A análise diz, por exemplo, se a taxa de células cancerígenas caiu e é sinal de que o tratamento está dando certo ou se não o organismo não está reagindo às terapias. Há a possibilidade, ainda, de não encontrar mais rastro nenhum da doença – mas aí é que se instala a polêmica.

+ Leia também: Câncer no sangue: a ciência dá boas notícias

“A grande discussão ainda é o que eu faço se esse exame der completamente negativo? Será que é melhor fazer um tratamento preventivo? ou é sinal de que podemos abandonar tudo?”, questiona Santucci.

Foi noticiado amplamente que esse novo exame poderia detectar mais de 50 tipos de câncer e, se utilizado amplamente, poderia reduzir em 24% as mortes pela doença. Mas ainda não é bem assim.

Ele ainda é caro, está em estudo e sem previsão de ser acessível à população.

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Além da questão do preço, que impede o uso em larga escala, os estudos relacionados ao teste ainda estão mais concentrados nos cânceres de intestino, pulmão e mama.

Fora isso, não se sabe muito bem o que fazer com esses resultados, como pontuou Santucci. Para o médico da Hemomed, quando a técnica for barateada e outras perguntas esclarecidas, será uma evolução sem precedentes.

Hoje, a biópsia líquida, análise sanguínea semelhante, é utilizada para identificar o tipo de mutação do câncer e, assim, personalizar o tratamento com terapias-alvo. Ela já é praticada, mas também tem alto custo.

Câncer de reto localmente avançado

Quem sofre de câncer de reto localmente avançado já pode se valer de uma nova estratégia de terapia.

Um estudo de fase 3 colocou à prova a combinação de radioterapia e quimioterapia após a cirurgia, que costuma dar uma lista de efeitos colaterais bastante incômodos.

+ Leia também: Entenda o que é o câncer colorretal, diagnosticado em Preta Gil

Um grupo de pacientes foi acompanhado apenas com quimioterapia. Eles relataram diminuição de diarreia, vômito, depressão, fadiga, náusea e melhor função intestinal, entre outros detalhes.

Um ano depois, os pesquisadores concluíram que é a resposta geral dos pacientes não foi diferente dos que passaram pela combinação da quimio com a radioterapia.

“Dá para poupar esse subgrupo de pacientes de custos de radioterapia e de seus efeitos, que incluem mau funcionamento intestinal e limitações da vida sexual”, afirma Anelisa.

Cérebro

Gliomas são tumores que se originam no cérebro, e um estudo revelou uma terapia para o grau 2 desse tipo de câncer, que não tinha nenhuma opção de tratamento antes.

“Ele acomete mais jovens, entre 30 e 40 anos, e é raro, mas é um campo que precisava evoluir, e agora há uma medicação que reduz o risco de morte”, afirma Bruno.

O tratamento com vorasidenib é para gliomas de baixo-grau que tenha uma mutação genética chamada IDH1/2 -,  já que esse remédio é um inibidor da substância.

“Esse tipo representa 80% dos gliomas, que são um câncer que volta muito fácil. O tratamento reduziu em 60% o risco de progressão da doença ou de morte”, afirma Anelisa.

Ovário

Uma nova droga reduziu em 33% o risco de morte para quem enfrenta câncer de ovário resistente ao tratamento ou em estágio avançado. Chamada de mirvetuximab soravtansine, o fármaco já está aprovado pela agência americana de saúde, o FDA.

“Ele é direcionado às pacientes chamadas de resistentes à platina, porque não tiveram resultados à quimioterapia feita com essa substância”, explica Anelisa.

Trata-se de um anticorpo conjugado à droga, categoria moderna que tem feito sucesso na oncologia.

+ Leia também: Novas fronteiras no cerco ao câncer

Em comparação com a quimioterapia, o medicamento foi mais eficaz para 26% das mulheres que participaram do estudo.

A dúvida sobre o câncer de mama

Reduzir as chances de o câncer de mama voltar está atrelado a mais efeitos colaterais, segundo pesquisas que envolvem os inibidores de ciclina, categoria que tem feito sucesso nos últimos anos.

Um dos estudos apresentados no encontro da Asco avaliou mulheres diagnosticadas com o tipo de câncer hormonal positivo e HER2-negativo, bastante incidente, nos estágios 2 e 3. Ele compara a ação da molécula ribociclibe (um inibidor de ciclina) a uma terapia hormonal.

Combinar as duas terapias levou a um risco reduzido de 25,2%  de a doença invasiva voltar, mas em três anos essa diferença caiu para 3,3% – o que demonstra pouca diferença entre adotar apenas a terapia hormonal.

“Há benefícios, mas a redução de risco é baixa frente aos efeitos colaterais que a mulher sofrerá. É claro, contudo, que decisões sobre tomar ou não requerem uma discussão entre médico e paciente”, avalia Santucci. 

+ Leia também: Novas fronteiras no cerco ao câncer

Reações como até quatro diarreias diárias estão entre as possibilidades de reações ao uso dessa medicação, que afeta o fígado de maneira drástica.

Outra investigação semelhante utilizou a droga abemaciclibe, que mereceu os mesmos poréns.

 

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