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Notícias quentes do maior congresso sobre câncer do mundo

Conversamos com especialistas para entender o que o congresso da Asco, o mais importante da oncologia, apresentou de novidades no tratamento da doença

Por Fabiana Schiavon Atualizado em 10 jun 2022, 17h16 - Publicado em 10 jun 2022, 15h06

O maior congresso sobre câncer do mundo aconteceu entre os dias 2 e 6 de junho, nos Estados Unidos, promovido pela Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês). Para trazer a você as discussões e novidades mais relevantes, consultamos dois grandes especialistas no assunto: o oncologista Paulo Hoff, presidente da Sboc (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), e Raphael Brandão, diretor da área de Oncologia do Hospital Moriah, em São Paulo.

Ambos destacaram uma tendência que já vem protagonizando os últimos congressos da Asco: a personalização dos tratamentos. Embora ainda seja uma aliada importantíssima, a quimioterapia tradicional, uma espécie de bomba utilizada para diferentes tipos de câncer com efeitos colaterais consideráveis, vem perdendo terreno para estratégias como as terapias-alvo.

Essas drogas mais modernas miram mutações específicas das células tumorais, sem provocar tantos danos às células saudáveis. Cada fármaco desenvolvido, portanto, funciona como um míssil teleguiado, que é prescrito de acordo com particularidades do quadro.

A notícia ruim é que o acesso a esse tipo de estratégia ainda é precário, principalmente nos sistemas públicos de saúde, como o SUS.

Ao longo das palestras do congresso da Asco, médicos lembraram que a pandemia do coronavírus ainda atrapalha o tratamento da doença. Só em 2020, 50 mil diagnósticos deixaram de ser feitos no Brasil. Ou seja, quando a doença é descoberta, já está em estágios mais avançados.

O medo da Covid, que fez pacientes com câncer desistirem de buscar tratamento em clínicas ou hospitais, e a falta de vagas em hospitais e unidades de atendimento foram outros desafios.

Confira, agora, grandes discussões e estudos apresentados nesse evento que podem influenciar o tratamento oncológico.

Equidade e diversidade no tratamento

Se a máxima do câncer hoje é individualizar o tratamento, não faz sentido desenvolver estudos que não contemplem diferentes populações. Mas isso infelizmente acontece.

Em uma pesquisa nos Estados Unidos, foi constatado que apenas 40% das pessoas negras com câncer de mama metastático foram informadas sobre a chance de participarem de novos estudos. Os números também identificaram uma baixa representatividade de recrutamento para experimentos entre a população latina que vive por lá.

Isso indica que a eficácia e a segurança de diferentes fármacos é medida preponderantemente a partir de dados de pessoas brancas. É possível que, ao incluir outras etnias, esses desfechos fossem outros. Será que uma droga funcionaria mais (ou menos) em indivíduos com uma genética diferente? Não sabemos até o momento.

Além disso, o paciente que entra em um estudo com uma terapia experimental recebe o melhor tratamento possível no momento – e, talvez, um fármaco inovador, ainda em teste. Dito de outra forma, as minorias estão recebendo menos oportunidades para acessar terapias modernas sem custos exorbitantes.

Até por isso, associações publicaram um tratado no periódico Journal of Clinical Oncology com recomendações para que o cenário mude. No documento, os envolvidos alertam sobre preconceitos vindos dos próprios médicos e também de pacientes.

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Câncer colorretal

Um dos estudos mais comentados vem de uma pesquisa pequena em número de participantes, mas grande em resultados. Nela, 12 pessoas com câncer colorretal em estágio avançado receberam dostarlimabe, um anticorpo monoclonal que caça a proteína PD-1 da doença.

E… todos entraram em remissão total. Ou seja, em exames de imagem não havia mais traços de tumores. Os resultados têm se sustentado ao longo de um ano.

Sem o fármaco, essas pessoas passariam por métodos agressivos, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, após tratamento com imunoterapia.

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A pesquisa em questão ainda está em andamento. E, mesmo se os dados forem confirmados, deve demorar um pouco até que o medicamento seja aprovado para esse uso – ele já está no rol de terapias contra outros tipos de câncer, como o de endométrio.

E tem outra boa notícia para as pessoas com câncer colorretal em metástase (quando a doença se espalha), dessa vez para as que possuem uma alteração no gene KRAS. Entre elas, só havia a opção de tratamento com a medicação bevacizumabe. Mas um novo estudo mostra que outro anticorpo monoclonal (panitumumabe), quando aliado à quimioterapia, reduz em 18% o risco de morte.

Leia também: As boas notícias do maior congresso sobre câncer do mundo

Câncer de mama

Há um subtipo desse tumor chamado HER2 positivo. Ou seja, ele apresenta uma proteína específica em sua superfície que é batizada de HER2. Para esses casos, os profissionais de saúde podem indicar fármacos que atacam essa molécula. É o caso do anticorpo monoclonal trastuzumabe deruxtecan.

Mas aí que está: mesmo entre as mulheres com câncer de mama HER2 positivo, há aquelas com alta expressão dessa proteína, e outras em que ela aparece pouco ou quase nada. Para essas, esse fármaco acabava sendo deixado de lado, uma vez que se acreditava que ele surtiria pouco efeito. Aí, só partindo para a químio convencional mesmo.

No entanto, um novo teste com o trastuzumabe deruxtecan pode mudar as coisas. Mesmo entre voluntários com câncer de mama avançado e com baixa expressão dessa proteína, o uso desse anticorpo monoclonal aumentou o tempo de sobrevida em 40% (de 16,8 para 23,4 meses).

Biópsia líquida na equação

Já disponível no Brasil, a biópsia líquida é um exame de sangue que ajuda a detectar o DNA do câncer na circulação sanguínea. Isso favorece o diagnóstico, facilita a tomada de decisões dos médicos e minimiza chateações da biópsia tradicional.

A metodologia, porém, ainda é limitada a certos tumores. Pois estudiosos avaliaram se o acompanhamento da progressão do câncer de cólon com a biópsia líquida seria vantajoso. Resultado: sim, ao realizar esses testes de tempos em tempos, os médicos conseguiram reduzir o uso de quimioterapia sem afetar o sucesso do tratamento. Mais qualidade de vida em um momento delicado.

+ Leia também: Afinal, o que é a cura do câncer?

Câncer de pulmão

No início deste ano, foi anunciado que o sorotazibe era a primeira opção de terapia-alvo contra o câncer de pulmão do tipo KRAS G12C (mais uma doença com nome e sobrenome genético). Meses depois, desponta outra novidade: o adagrazibe.

Os testes ainda estão em andamento, porém o estudo apresentado no congresso da Asco apontou bons resultados. Ambos os tratamentos visam aumentar a sobrevida de indivíduos que já passaram por outros tratamentos, como a quimioterapia.

Esperança contra câncer no pâncreas

O câncer de pâncreas em estágio avançado é um dos mais letais. Os melhores tratamentos disponíveis garantiam uma sobrevida de seis a oito meses, em média, às pessoas com a doença.

Felizmente, um estudo que combinou as medicações nimotuzumabe e a gentamicina em um subgrupo de pacientes fez subir essa média para pouco mais de dez meses. O ganho parece pequeno, mas é significativo. E aponta um caminho para melhorar ainda mais a vida das pessoas com esse tumor.

Fontes: Paulo Hoff, professor titular da Faculdade de Mecicina da USP e presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica);  Raphael Brandão, diretor da área de Oncologia do Hospital Moriah em São Paulo e médico fundador da Clínica First.

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