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Anticoncepcional e reposição hormonal causam câncer de mama?

Apesar dos benefícios, os dois métodos usados pelas mulheres já foram associados a esse tumor por alguns estudos. Descubra como utilizá-los com segurança

As pílulas anticoncepcionais e a reposição hormonal colocam grandes pontos de interrogação na cabeça das mulheres. Entre outras questões, paira no ar aquela possibilidade de causarem câncer de mama.

Mas é importante avisar logo de cara: não há consenso nesse debate dentro da própria comunidade médica. “São temas bastante controversos”, reforça a oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO), Mariana Laloni. SAÚDE conversou com a especialista para esmiuçar essas questões.

A pílula anticoncepcional

Os primeiros contraceptivos criados de fato elevavam o risco de você ter um tumor de mama. Isso porque continham altas doses apenas de estrógeno – um hormônio feminino que estimula a multiplicação desordenada das células.

Atualmente, os anticoncepcionais orais são compostos por uma quantidade bem menor de vários hormônios combinados. Essa particularidade minimiza a possibilidade de a doença dar as caras.

Agora vamos colocar lenha na fogueira. Um estudo da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, publicado no fim de 2017, revelou que, ainda assim, é preciso contemplar esse risco no consultório. Os cientistas analisaram 1,8 milhão de dinamarquesas de 15 a 49 anos de idade.

Ao longo de 17 anos, foram detectados 11 517 tumores de mama. Comparando as mulheres que haviam usado algum anticoncepcional com as que nunca o fizeram, concluiu-se que a probabilidade de desenvolver a enfermidade era 20% maior no primeiro grupo. E a situação se agravou para as voluntárias que engoliram as pílulas por mais de dez anos.

“O estudo sugere que, em certos subgrupos de mulheres, o anticoncepcional, mesmo combinado e em dose baixa, pode aumentar discretamente o risco”, pondera Mariana Laloni.

Mas atenção: os próprios autores concluem o artigo ressaltando que o perigo é relativamente baixo e está ligado ao uso prolongado do medicamento. Então não é preciso entrar em pânico, até porque esses comprimidos, quando bem empregados, rechaçam um problema de saúde pública grave: a gestação indesejada.

De acordo com Mariana, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC) recomendam que o contraceptivo oral seja consumido com acompanhamento do ginecologista. “Hoje, ele é seguro”, conclui.

Para afastar o câncer de mama, o ideal é dar atenção a outros fatores mais significativos. Estamos falando de obesidade, sedentarismo, dieta inadequada e consumo elevado de álcool.

“A prevenção é relacionada aos hábitos. Por isso, a decisão final sobre a pílula depende da avaliação médica”, orienta a especialista.

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Mariana lembra que, além de evitar uma gravidez indesejada, o anticoncepcional diminui a possibilidade de desenvolver câncer de ovário. “Portanto, se a gente for olhar de uma maneira geral, ele tende a ser mais benéfico”, complementa.

Pois é. Outra pesquisa, também conduzida na Dinamarca, analisou 1 879 227 mulheres na mesma faixa etária do trabalho que citamos antes. Em 20 anos, 1 249 casos de tumor de ovário foram diagnosticados. Os experts concluíram que a pílula preveniu 21% dos tumores ovarianos na população estudada.

Isso se deve ao fato dos contraceptivos suprimirem a ovulação. E com esse órgão trabalhando menos, assim por dizer, a ameaça de algo dar errado por ali e ocasionar um tumor maligno é menor.fatores risco para cancer de mama

A reposição hormonal

Esse é um tema mais delicado. “Os oncologistas se posicionam, na maioria das vezes, contrários ao método. Ele deve ser feito estritamente sob recomendação médica e não pode ser indicado para todas as mulheres”, pontua Mariana.

A doutora explica que, conforme envelhecemos, há uma queda da produção hormonal característica do climatério. Essa alteração tem efeitos colaterais, como fogachos, alterações de humor e ganho de peso. São, enfim, os sintomas típicos da pós-menopausa, o que leva a população feminina a recorrer à reposição.

Entretanto, lembre-se de que o excesso de hormônios femininos no corpo pode fomentar um câncer de mama, especialmente em mulheres mais velhas. “Se formos pela teoria, temos que ser contra a terapia hormonal na terceira idade. A medida que aumentamos o estímulo, cresce o risco de um tumor aparecer”, justifica a oncologista do CPO.

Um estudo realizado entre 1980 e 2006 pelo Centro de Pesquisa para Saúde Kaiser Permanente, nos Estados Unidos, revelou que os casos de tumor mamário do país cresceram na mesma proporção da quantidade de mulheres que passaram a repor os hormônios. Da mesma maneira, o primeiro evento diminuía com a queda do número de americanas que faziam terapia hormonal.

Só que, de novo, não podemos nos entregar ao alarmismo. “Estamos falando de um tratamento que, ao longo das décadas, mudou muito. Fomos do uso de estrógeno conjugado para outras drogas e formas de reposição até a de baixa dose”, avalia Mariana.

Em outras palavras, a técnica também evoluiu. Além disso, pode auxiliar contra a osteoporose, a perda de libido e por aí vai. Daí porque Mariana conclui que as terapias modernas, se usadas por um tempo restrito em pacientes avaliadas minuciosamente, são seguras – desde que haja um acompanhamento mamográfico de rotina.

Resumindo, converse com um médico e não saia do consultório sem resolver todas as suas dúvidas!

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