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Morte do lutador Allan “Puro Osso”: é possível ter um infarto dormindo?

Segundo o UFC, o atleta, de 34 anos, pode ter sofrido um ataque cardíaco durante o sono; entenda causas, riscos e sinais de alerta

Por Layla Shasta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 ago 2026, 13h59
Homem sorrindo, com barba rala, ombros nus e uma luva preta de MMA com o logo UFC no ombro esquerdo, em preto e branco
Allan era lutador de MMA e foi homenageado nas redes sociais do UFC. (UFC/Instagram/Reprodução)
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O lutador brasileiro do Ultimate Fighting Championship (UFC) Allan Nascimento, conhecido como Puro Osso, faleceu nesta segunda-feira, 3, aos 34 anos.

A notícia foi divulgada pelo perfil oficial do campeonato no Instagram. Segundo a página, o atleta foi encontrado irresponsivo após sofrer um “aparente ataque cardíaco enquanto dormia“.

“Apesar dos esforços da equipe médica que prestou o atendimento, ele foi declarado morto no local. Nossos pensamentos e mais profundas condolências estão com a família de Allan, amigos, companheiros de equipe e entes queridos durante este momento incrivelmente difícil”, lamentou o UFC, em nota.

+Leia também: Infarto em jovens: entenda a diferença entre morte súbita e artéria entupida

É possível ter um infarto dormindo?

O médico Thiago Marinho, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, explica que sim.

“E não é um evento raro“, diz o especialista. Para ter ideia, estudos apontam que até 20% dos infartos podem ocorrer durante o sono.

Segundo o médico, essas ocorrências podem ser explicadas por alterações hormonais e do sistema nervoso autônomo (aquele que controla as funções involuntárias do corpo) que ocorrem enquanto dormimos.

Tais mudanças podem causar variações na pressão arterial, na frequência cardíaca e na coagulação sanguínea. O cenário favorece a ruptura de placas de aterosclerose, o acúmulo de gordura, colesterol e células inflamatórias na parede das artérias, cujo rompimento é a principal causa de infartoacidente vascular cerebral (AVC).

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“Além disso, distúrbios como a apneia do sono aumentam o risco de eventos cardiovasculares durante a noite”, destaca o médico.

A apneia é uma doença grave que tem como principais sintomas são o ronco e a pausa na respiração diversas vezes ao longo da noite. 

“Com esse quadro, o corpo recebe menos oxigênio, ocorre uma ativação intensa da adrenalina, a pressão arterial aumenta e o coração passa por um esforço maior”, explica o cardiologista Luciano Drager, assessor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP).

Esse conjunto de fatores pode favorecer a baixa oxigenação do músculo cardíaco e desencadear um infarto. Pacientes com a condição que apresentam quedas acentuadas dos níveis de oxigênio durante a noite têm um risco cerca de duas vezes maior de morte súbita.

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Inclusive, uma revisão publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) concluiu que, entre mais de 5 mil pacientes diagnosticados com a condição, 12,7% sofreram infarto.

Nem sempre, porém, isso será fatal. “Mas, por essa razão, quando alguém sofre um infarto enquanto está dormindo é importante investigar se existe apneia obstrutiva do sono”, explica Drager.

Há horários em que o coração fica mais vulnerável?

Sim. Embora um infarto possa acontecer em qualquer horário, o nosso organismo é influenciando por um relógio biológico, chamado de ritmo circadiano, que influencia o funcionamento do coração ao longo das 24 horas do dia.

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Assim, Drager explica que, na população em geral, os infartos são mais frequentes entre seis horas da manhã e meio-dia.

“Porque esse é o período em que ocorre um aumento natural de hormônios do estresse e uma maior tendência de formação de coágulos”, diz.

Já para quem tem apneia, análises sugerem que aproximadamente 27% dos infartos acontecem na madrugada, entre meia-noite e seis da manhã.

O que explica esse quadro em um atleta?

Até o momento, a causa da morte de Allan não foi completamente confirmada. Marinho ressalta, portanto, que é importante evitar conclusões antes da investigação médica.

Ainda assim, o médico explica que, em pessoas jovens, especialmente entre aquelas com uma rotina aparentemente saudável, a morte súbita costuma estar relacionada algumas condições pré-existentes.

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As mais comuns são doenças cardíacas hereditárias, anomalias nos vasos que irrigam o coração, inflamação do músculo cardíaco e cardiomiopatias (doenças que alteram a estrutura ou o funcionamento do músculo do coração).

Com menos frequência, também pode ocorrer doença arterial coronariana precoce, caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias que levam sangue ao coração.

O uso de substâncias que podem causar danos ao coração, como drogas ilícitas e esteroides anabolizantes, também está entre as possíveis causas desse tipo de ocorrência. Mas confirmação do que levou à morte depende da necropsia e de uma avaliação clínica detalhada.

Sinais de alerta

Os sintomas mais conhecidos do infarto são dor ou pressão no peito, que pode se espalhar para a mandíbula, braço, ombro ou costas.

Também podem surgir falta de ar, suor intenso, náuseas e tontura.

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“Mas é importante lembrar que o infarto nem sempre se manifesta da forma clássica”, alerta Drager.

Algumas pessoas podem sentir apenas palpitações, cansaço intenso ou falta de ar.

Em alguns casos, principalmente entre mulheres e pessoas com diabetes, o infarto pode até ocorrer sem sintomas evidentes.

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