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A dor de cabeça em crianças e adolescentes

A dor de cabeça também atormenta os mais jovens, comprometendo a atenção, a memória e, inclusive, o desempenho escolar

Por Redação M de Mulher - Atualizado em 17 mar 2017, 18h19 - Publicado em 31 jan 2012, 22h00

Manter um diário de episódios ajuda a identificar o tipo de cefaleia
Foto: Getty Images

É comum encontrar por aí pais que entendem a queixa de dor de cabeça dos filhos como uma desculpa para se livrar das aulas. Mas a verdade é que a reclamação, na maioria das vezes, tem fundamento. Uma análise da Sociedade Brasileira de Cefaleia, a SBCe, concluiu que mais de 5 milhões de crianças e adolescentes do país sofrem com dores de cabeça. “Esse problema com as crianças não é de hoje, mas sempre foi menosprezado”, lamenta o neurologista Marco Antonio Arruda, da SBCe.

Com uma incidência tão alta assim, não é de espantar que várias instituições tenham passado a investir em pesquisas sobre o tema. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acompanhou 60 crianças entre 8 e 12 anos de idade durante 24 meses. Elas foram divididas em dois grupos. Um deles reunia quem nunca havia reclamado da chateação. No outro, ficaram os meninos e as meninas que sofriam de enxaqueca, um tipo de cefaleia que vem acompanhado de náuseas e sensibilidade à luz e ao barulho. “Analisamos a performance de todos na sala de aula”, conta a neuropediatra e autora do trabalho, Thaís Rodrigues Villa. No segundo grupo, era preciso esperar pelo menos três dias após a última crise para que a pesquisadora pudesse observar a real repercussão do incômodo. “Descobrimos que esses pequenos, até mesmo naqueles dias sem dor nenhuma, apresentavam dificuldades de atenção visual, retenção de memória e velocidade no processamento das informações”, completa Thaís.

Mais atenção!

O pai e a mãe geralmente demonstram uma preocupação maior quando o pequeno apresenta crises tão fortes que precisa ser levado ao hospital. Mas não devemos esquecer que qualquer lamento, por mínimo que seja, já é um sinal de encrenca.

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Manter um diário de episódios ajuda a identificar o tipo de cefaleia e, assim, auxilia o profissional a decidir a abordagem mais apropriada. Para um alívio imediato durante os picos de dor na infância, é recomendado que a criança se deite em um ambiente silencioso, escuro e bem ventilado. Caso a cefaleia persista, indicam-se remédios como o ibuprofeno e o paracetamol, sempre com orientação médica, mas, ainda assim, não mais do que duas doses por semana. “O excesso medicamentoso diminui a produção dos nossos analgésicos naturais, também conhecidos como endorfina”, esclarece o médico Marco Antonio Arruda. Essa prática torna a dor cada vez mais frequente, além de causar dependência e outros efeitos colaterais.

Além disso, a alimentação tem o potencial para agravar ou aliviar uma crise. A cafeína, substância encontrada no chocolate, estimula a contração dos vasos sanguíneos que nutrem a membrana do cérebro e, daí, o risco de sentir aquela pressão na cabeça vai às alturas.

Agora, você já sabe: se seu filho reclamar de dor de cabeça, não custa levá-lo ao médico. Muito sofrimento e notas baixas podem ser evitados.

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