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O açúcar é mesmo um vilão para os dentes?

Especialista explica até que ponto o doce pode ser responsabilizado por cárie e outras encrencas

Por Dra. Sofia Takeda Uemura, cirurgiã-dentista*
Atualizado em 10 out 2019, 17h08 - Publicado em 9 out 2019, 18h22

Encontrado nos mais diversos alimentos, o açúcar nos presenteia com o prazer que oferece ao paladar, ainda que na maioria das vezes esteja associado às receitas mais calóricas. Seu consumo, portanto, deve ser racional. Inclusive porque consumir demais pode provocar cárie, doenças gengivais, entre outros agravos que não se limitam à boca.

O consumo inteligente de açúcar exige disciplina e pondera a quantidade de ingestão diária, o horário, a frequência e os tipos de alimentos. Sabemos que sua eliminação total na dieta dificilmente será alcançada, mas um consumo racional pode ser abraçado por muitas pessoas que buscam uma alimentação mais saudável.

No contexto da saúde bucal, além do volume ingerido, devemos levar em conta o tipo e a consistência dos alimentos escolhidos. Esses fatores determinam o tempo necessário para a ingestão e quanto os dentes ficarão mais ou menos expostos a um pH da saliva mais baixo, o que aumenta o risco de descalcificação do esmalte dentário.

O açúcar está classicamente ligado à cárie. Doença que mais acomete a população, independentemente de faixa etária, ela interfere na qualidade de vida, uma vez que causa dor e contribui para outros problemas de saúde. Falamos de um quadro crônico, multifatorial, não transmissível e que se estabelece com a exposição frequente ao açúcar (principalmente na forma de sacarose).

Dentro da boca, as bactérias da placa bacteriana fermentam o açúcar dos alimentos, resultando na produção de substâncias ácidas que, por sua vez, dissolvem o esmalte que protege os dentes. Esse desgaste, quando constante, possibilita a formação da cárie, que se inicia nas camadas mais externas do dente e, em casos extremos, compromete toda a coroa dentária.

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Para prevenir o problema, é imprescindível que o consumo do açúcar seja disciplinado, bem como a rotina de higiene bucal seja adequada. Isso envolve o uso de cremes dentais com pelo menos 1 000 ppm (partes por milhão) de flúor, informação que pode ser verificada na embalagem do produto. Em paralelo, é fundamental se consultar regularmente com um cirurgião-dentista a fim de receber orientações personalizadas e o tratamento correto, se necessário.

Quais as orientações para as crianças?

Com relação ao público infantil, quanto mais tarde se introduzir o açúcar na dieta, melhor. Seu consumo, em especial o da sacarose (típica do açúcar de mesa, por exemplo), deve ser evitado em crianças menores de 2 anos.

A escovação dentária deve ser iniciada assim que os primeiros dentes irromperem na cavidade bucal, com a utilização de escova e de creme dental fluoretado.

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Apesar do risco de fluorose (quando ocorre ingestão involuntária da pasta dental e há repercussões na dentição), a indicação é que os pequenos utilizem creme fluoretado, com no mínimo 1 000 ppm de flúor, pelo menos duas vezes ao dia, controlando-se a quantidade utilizada na escovação.

Cabe lembrar que, mesmo após o segundo ano de vida, a ingestão de açúcar deve ser orientada pelo pediatra e pelo dentista e os abusos precisam ser evitados desde cedo.

*Dra. Sofia Takeda Uemura é cirurgiã-dentista e presidente da Comissão de Ética do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP)

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