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Por que os relógios e outros wearables esportivos vieram para ficar

Tecnologias que permitem acompanhar evolução do treino e da saúde devem seguir em ascensão no país, analisa executivo

Por André Bandeira, country manager da Polar Brasil* 6 mar 2021, 12h17

O isolamento social imposto pelo coronavírus em 2020 impulsionou uma parcela expressiva da população a se preocupar ainda mais com a saúde, a alimentação, a prática de atividade física e a qualidade do sono. Isso gerou uma crescente procura por treinos funcionais, que poderiam ser realizados dentro de casa e, posteriormente, modalidades ao ar livre com os devidos cuidados. A intensificação do home office, por sua vez, permitiu que algumas pessoas pudessem ter mais tempo livre para o relaxamento e o repouso geral.

A prova disso é que, segundo dados levantados e divulgados pela Polar Electro Oy, durante o isolamento social em 2020 foi possível observar um crescimento na frequência de treinos funcionais (+94%) e ciclismo indoor (+42%), por exemplo. Também ocorreu um aumento nas horas de sono, com um ganho de cerca de 14 minutos a mais nos dias da semana, em comparação com os meses de janeiro e fevereiro de 2019.

Em meio à quarentena e com as academias fechadas, a saúde mental se tornou outra prioridade. Além das atividades físicas, as técnicas de relaxamento ganharam espaço e se tornaram fundamentais para combater a ansiedade e garantir saúde, bem-estar e qualidade de vida em um momento de fragilidade provocado pela pandemia.

Nesse cenário, também houve um grande incentivo da comunidade científica e médica para que a população assumisse a responsabilidade de se cuidar melhor, lavar regularmente as mãos, fortalecer a imunidade e manter um peso saudável. E uma tendência que se consolidou nesses meses e deve se expandir em 2021 é a dos wearables, tecnologias vestíveis que ajudam a monitorar o grau de atividade física e repouso.

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A maior atenção com a prática de exercícios e com a qualidade do sono, além de mudanças de comportamento, contribuem para o crescimento do mercado de wearables no Brasil. Hoje as pessoas estão mais curiosas e querem mais dados para checar seu progresso individual e sua saúde. Notamos um aumento significativo no uso desses dispositivos principalmente de julho até o fim de 2020.

Os wearables ajudam a transformar atividades em hábitos e permitem que as pessoas compreendam melhor sua evolução, atinjam suas metas de bem-estar e consigam prevenir problemas de saúde.

Mesmo com o mercado brasileiro de wearables enfrentando a volatilidade do câmbio, o que dificultou as operações de muitas marcas aqui presentes, foi necessário manter estratégias para evitar o aumento nos preços dos equipamentos. Normalmente, o maior concorrente do Brasil nesse sentido são os Estados Unidos, já que muitas pessoas escolhiam comprar seus produtos no exterior para, posteriormente, trazê-los para cá. Entretanto, com a restrição de viagens, mais consumidores passaram a comprar diretamente no Brasil. Esse foi um fator que estimulou a economia interna mesmo sob a instabilidade da taxa cambial, contribuindo para o crescimento do mercado local.

A experiência do último ano sugere que o crescimento do mercado e a busca por atividades físicas monitoradas se mantenham em ascensão em 2021. Apesar dos impactos da Covid-19, a expectativa é que o número de acessórios inteligentes cresça 32% neste ano no mundo, chegando à marca de 558,3 milhões de unidades, segundo relatório publicado pela empresa Canalys.

Portanto, a consciência sobre a saúde e a compreensão da responsabilidade individual apontam para uma mudança positiva, já que medidas que incentivam a busca por atividades físicas e cuidados com o bem-estar mental e o sono devem continuar como uma prioridade neste e nos próximos anos. Nesse contexto, os wearables servirão de apoio e incentivo para mensurar e potencializar os sucessos de cada jornada.

* André Bandeira é country manager da Polar Brasil

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