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Nutrição na gravidez: é preciso suplementar?

Uma dieta rica em nutrientes específicos para cada fase da gestação pode ajudar no desenvolvimento de um bebê mais saudável e livre de doenças no futuro

Por Alessandra Bedin, ginecologista e nutróloga* 2 mar 2022, 19h09

A rotina acelerada e a necessidade de desempenhar vários papéis ao mesmo tempo influenciam diretamente em nossos hábitos alimentares. Após um dia agitado, é comum fazermos cada vez mais refeições fora de casa e optarmos por fast-food, por exemplo, o que pode deixar a dieta desequilibrada.

Quando uma gravidez entra nesse cenário, a situação é mais delicada. Afinal, a partir de uma célula, o corpo da mulher trabalhará para gerar um bebê com cerca de três quilos – e o organismo dela precisa fornecer todos os nutrientes necessários para que essa criança se desenvolva de maneira saudável.

Costumo dizer que a gestação deve ser incluída, do ponto de vista nutricional, em um período muito mais amplo que os 9 meses. Além disso, é importante preparar o organismo para cada uma das fases da gravidez, uma vez que as necessidades (tanto da mãe quanto do bebê) são distintas em cada uma delas.

Vale salientar que, muitas vezes, não conseguimos ingerir a quantidade de nutrientes adequada. Daí a importância de recorrer a uma suplementação personalizada em cada uma dessas etapas.

+ Leia também: A dieta parceira da gravidez

Passo a passo

O ideal é que a mulher comece a pensar no aporte nutritivo cerca de 90 dias antes de engravidar, para ajudar a fortalecer sua saúde e deixar o ambiente mais apropriado para a concepção do bebê.

Nessa fase, chamada de planejamento, a recomendação é suplementar nutrientes como ferro, vitamina B12, vitamina D, folato e iodo.

Cabe ressaltar que o folato é a vitamina B9 de origem alimentar, e o ácido fólico é seu equivalente sintético. Para que o ácido fólico cumpra a sua função no organismo, precisa se transformar em metilfolato, o que acontece após ser metabolizado pelo fígado.

A substância pode ser encontrada em vegetais verde-escuros crus ou em suplementos alimentares, e é responsável pela formação do DNA, pela maturação das células hemácias na medula óssea e pelo fechamento do tubo neural do bebê, que acontece em torno do 28° dia de gravidez.

Depois, há o período da gravidez propriamente dita. No primeiro trimestre, as necessidades nutricionais são praticamente as mesmas da fase anterior.

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+ Leia também: A dieta ajuda a afastar o diabetes gestacional

Já no segundo e no terceiro trimestres, o ferro se torna ainda mais importante. Entram ainda o cálcio e outras vitaminas. O ômega-3, uma gordura, mostra-se essencial para a prevenção de doenças cardiovasculares, trabalho de parto prematuro e depressão pós-parto. Ele também é valioso para o neurodesenvolvimento fetal.

Já no período de amamentação, nós, médicos, costumamos focar na vitamina D, na vitamina A e no cálcio. Eles ajudam a fortalecer o sistema imunológico e no combate a infecções, além de contribuírem para a manutenção de ossos e articulações tanto da mãe quanto do bebê.

Todas essas recomendações corroboram indicações de órgãos regulatórios, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sociedades médicas.

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Outra orientação de sociedades internacionais diz respeito à ingestão da colina, um micronutriente reconhecido desde 1998 como essencial durante a gravidez e importantíssimo para o desenvolvimento do cérebro. Vale ressaltar que, apesar disso, a substância está ausente na maioria dos suplementos pré-natais.

Todos esses nutrientes, quando balanceados, podem influenciar na manifestação de diversas doenças, impactando inclusive a vida adulta do bebê.

É o que chamamos de “epigenética”, um termo para designar como nossos hábitos interferem na expressão clínica de um gene, sem modificação crítica do DNA, aumentando ou diminuindo o risco de problemas de saúde.

Em resumo, existem metas nutricionais específicas para cada fase da gravidez. E, se conseguirmos atingir essas necessidades de maneira personalizada – por meio de dieta balanceada e suplementação – os riscos das consequências de deficiência, comuns durante a concepção e o desenvolvimento do bebê, serão reduzidos, garantindo uma gestação saudável.

*Alessandra Bedin é médica ginecologista, obstetra e nutróloga, e professora da Pós-Graduação em Nutrologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

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