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Ainda vamos conviver com a pandemia em 2022?

Infectologista discute essa questão e elenca as variáveis capazes de definir os rumos globais da pandemia

Por Estêvão Urbano Silva Filho, infectologista* 21 jan 2022, 11h53

A partir do segundo semestre de 2021, com o avanço da vacinação e a melhora progressiva nos números da pandemia, os brasileiros, esgotados, começaram a se perguntar: em 2022 estaremos livres da Covid-19? Voltaremos a um estado de normalidade? Ou não?

Essas também são indagações que reverberam no cérebro de infectologistas, epidemiologistas e outros estudiosos pelo mundo todo. Eles se debruçam sobre dados, tendências e descobertas científicas e se envolvem em debates inesgotáveis, chegando muitas vezes a conclusões mutantes, tais quais as variantes do vírus que brotam por aí.

Independentemente do cenário, as seguintes variáveis é que vão definir os rumos globais da pandemia:

  • Disponibilidade de vacinas, incluindo as doses de reforço, sobretudo nos países em desenvolvimento, potenciais celeiros de variantes;
  • Nível de adesão aos imunizantes;
  • Duração da resposta imunológica induzida pela vacina ou pela infecção em si;
  • Surgimento, ou não, de variantes mais transmissíveis, agressivas e/ou que escapem da nossa imunidade;
  • E a maior ou menor capacidade de os gestores públicos coordenarem movimentos de flexibilização ou recrudescimento do isolamento social com base nos indicadores epidemiológicos, bem como a resiliência e a disposição dos cidadãos a respeitar essas normas.

+ Leia também: Variante Ômicron é boa notícia e pode representar o fim da pandemia?

Questões de ordem política, religiosa ou filosófica terão de ficar em segundo plano para que, de forma racional, possamos caminhar a passos largos e evitar pagar um preço inflacionado de ondas sucessivas de Covid-19. Isso exige maturidade dos governantes!

Em um cenário ideal, com o avanço da vacinação e do controle do vírus, migraremos para uma endemia. Ou seja, vamos conviver com baixos níveis de coronavírus circulantes indefinidamente, mas sem risco de saturar o sistema de saúde e com tratamentos capazes de reduzir formas graves e mortes.

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Nesse contexto, reforços vacinais em intervalos regulares poderão ser necessários, mas o fato é que ainda não sabemos. Retomaremos uma normalidade já em 2022? Provavelmente, não.

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Idosos, obesos, imunossuprimidos, entre outros, continuarão sendo grupos de risco para quadros mais severos da doença até que se conheçam melhor as respostas imunológicas à infecção.

De forma geral, iremos correr riscos relativamente altos se subestimarmos o vírus, que segue à espreita. O fluxo da Covid-19 na Europa é um aprendizado contínuo, e perder vidas como ocorreu em 2020 e 2021 já seria inaceitável.

O legado de ensinamentos desta pandemia nos incita a enfrentá-la com responsabilidade. Seguir a ciência com cidadania e implementar ações políticas nesse sentido nos ajudará a superá-la mais rapidamente. Tomara que seja já em 2022!

Estêvão Urbano Silva Filho é infectologista, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e consultor do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de Belo Horizonte

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