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Você pode (ou melhor, deve) se preparar para um envelhecimento saudável. A geriatra Maisa Kairalla, da Universidade Federal de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, ensina como
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Memes escancaram preconceito a idoso na pandemia da Covid-19

De "cata-velho" a "gaiola para idoso teimoso", o ageismo se disseminou na forma de memes e posts pelas redes sociais durante a pandemia

Por Maisa Kairalla
24 Maio 2022, 14h56

Independentemente de qualquer crise financeira, sanitária, política ou social, a chamada “indústria dos memes” funciona a todo vapor. Os memes, essas mensagens em tom jocoso ou irônico que são compartilhadas na internet, muitas vezes acompanhadas por imagens ou vídeos, já são uma marca registrada destes tempos.

E estiveram bem presentes durante a pandemia do coronavírus, um episódio de tanta angústia e incerteza para a humanidade.

No início de 2021, o isolamento social, uma das principais medidas adotadas para frear o contágio pelo vírus, era um dos assuntos mais abordados no dia a dia e, claro, foi intensamente explorado pelos memes.

É natural que, em momentos de tanto estresse, recorra-se ao humor em busca de algum alívio ou escapismo. Porém, alguns desses memes focavam em ilustrar estereótipos de uma minoria já abalada pelas consequências da pandemia: os idosos, um dos grupos de maior risco para a doença.

Esse fenômeno foi tema de um artigo publicado na revista científica Estudos da Linguagem sob o título “Memes de pessoas idosas no contexto da pandemia de Covid-19: estereótipos e simulacros”, de autoria da professora Anna Flora Brunelli, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Sua pesquisa se debruçou sobre memes com idosos bastante difundidos. Um deles, conhecido como “cata-velho”, buscou fazer humor com a necessidade de se tirar a população idosa de circulação e, para isso, propõe a utilização de um caminhão que recolheria os mais velhos nas ruas.

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Com mais de uma versão circulando pela internet, esse meme parece ignorar que, por mais que fosse necessário evitar aglomerações e ficar em casa, há motivos que poderiam justificar que um idoso saísse às ruas, como ir ao médico e comprar comida ou medicamentos. Traz à memória, ainda, a prática da carrocinha, veículo usado pelos serviços de controle de zoonoses para retirar animais das ruas.

exemplo de meme de cata véio
Exemplo de meme que circulou no país em meio à pandemia. (Imagem: Domínio público/Divulgação)

Um segundo meme, também popular, era composto pela foto de uma idosa e pelos dizeres “vendo gaiola para idoso teimoso: parcelo em 10 vezes”, associando velhice a teimosia. Não tem graça: a pretensa solução viola inclusive o Estatuto do Idoso.

Mas quais são os problemas com esses memes, afinal? Além de claramente trabalharem em cima de estereótipos negativos acerca da população idosa, eles violentam a humanidade, a dignidade e a autonomia desse grupo ao retratá-lo como seres teimosos, que devem ser enjaulados e marginalizados.

+ LEIA TAMBÉM: A nova cara e os desafios da velhice

A criação e o compartilhamento dessas piadas de mau gosto só colaboram para o aumento do ageismo, o preconceito contra os mais velhos. Essa discriminação parte da ideia de que todos os idosos são frágeis, dependentes e limitados, fomentando práticas como segregação, tratamento infantilizado, preterimento no mercado de trabalho e negligência nos serviços de saúde.

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É preciso compreender que a velhice é heterogênea e cada um irá experimentá-la de uma maneira distinta. Há aqueles que precisam de mais suporte, enquanto outros chegam aos 90 anos lúcidos e independentes. O fato é que muitos memes, no intuito de divertir, acabam insuflando preconceitos. No mínimo, devemos ponderar e refletir a respeito antes de passá-los para a frente.

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Não estou aqui para ser uma inimiga do humor. Rir é fundamental para chegar bem à velhice: a alegria e a diversão fazem o corpo liberar hormônios que contribuem para o nosso bem-estar. Mas temos responsabilidade com aquilo que produzimos e compartilhamos pela internet, e ela também é reflexo de nossa sociedade.

Assim, fica a pergunta: que sociedade queremos ser e como queremos tratar os nossos idosos? Lembre-se de que você mesmo, se ainda não é, um dia será um deles!

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