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foto de Maisa Kairalla Chegue Bem Por Blog Você pode (ou melhor, deve) se preparar para um envelhecimento saudável. A geriatra Maisa Kairalla, da Universidade Federal de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, ensina como

Envelhecimento pós-Covid: como ficam os idosos que tiveram a infecção?

Sequelas do coronavírus são comuns entre idosos que venceram a Covid-19. Nossa colunista aborda a importância de atenuar e reverter os estragos

Por Maisa Kairalla 12 mar 2021, 09h37

Já ouviram aquela expressão “só acaba quando termina”? Talvez, para quem é amante de jogos de futebol, ela se aplique como uma luva. Afinal, significa que a partida só é definida nos 45 do segundo tempo (ou nos acréscimos). Enquanto a bola está em campo, tudo pode acontecer.

Mas, se transpormos essa ideia para o universo dos pacientes que travaram batalha contra a Covid-19 e venceram a infecção, será que ela se aplica? Em outras palavras: a doença “acaba quando termina” mesmo?

Temos celebrado a vitória de cada idoso que deixa a UTI após a alta. Sem dúvida, é um sopro de esperança. Mas o que acontece quando eles cruzam a porta de saída do hospital? Há consequências? Para muitos desses idosos, a vida jamais será a mesma após cruzarem seus caminhos com o vírus Sars-CoV-2.

Estudos vêm demonstrando que, quanto mais avançada a idade e debilitado o organismo, maior a propensão a sequelas da infecção pelo coronavírus. Maior o risco de desenvolver o que se chama de síndrome pós-Covid.

O quadro abrange impactos sobretudo na função respiratória e motora. Muito tempo internado, com o corpo lutando com o vírus, a inflamação e outras complicações, pode abrir caminho à fibrose muscular, situação que costuma vir acompanhada de dificuldade para respirar e se locomover e, às vezes, é seguida por uma insuficiência cardíaca.

Não são raros os relatos de pacientes que saem da Covid-19 com fadiga crônica, dor no peito, problemas respiratórios… Sem falar na saúde mental, fragilizada com o medo da doença e a necessidade do isolamento social.

Pesquisa realizada em países europeus, como a Itália, aponta que 87% dos pacientes apresentaram a persistência de pelo menos um dos sintomas da Covid-19. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) americano estima que um em cada três infectados pode desenvolver algum problema crônico decorrente do coronavírus.

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Temos dados nacionais recentes, do estudo Coalizão Covid Brasil, grupo formado pela aliança de oito hospitais, mostrando que, por aqui, 25% dos pacientes que passaram por uma UTI e foram entubados morreram seis meses depois de sair do hospital. Sim, a Covid-19 pode ter árduas consequências.

Minimizando e revertendo estragos

Como podemos reduzir esses índices e ajudar a reverter a situação? Acredito que a palavra de ordem é reabilitação. É preciso ter em mente que, para o idoso e sobretudo para aquele que já apresentava comorbidades, a infecção tem potencial limitante. Idosos que sobrevivem à Covid-19 estão mais sujeitos a várias situações de fragilidade — da dificuldade respiratória ao maior risco de quedas e fraturas.

Precisamos promover medidas de intervenção de reabilitação respiratória a fim de otimizar o prognóstico do paciente e preservar sua capacidade funcional, melhorando sua qualidade de vida e contribuindo para que ele de fato possa ter motivos para comemorar a alta hospitalar. Não dá para deixarmos esses idosos à própria sorte.

Tampouco dá para concordar com aqueles que pensam que “é a lei da vida, quando velhos, morreremos de uma maneira ou outra”. Quem somos nós para dizer que um idoso de 80 anos, sem ter deparado com a Covid-19, não poderia chegar aos 100?

A era da Covid tem nos transformado diariamente. Acredito que todos nós jamais seremos os mesmos ou encararemos o envelhecimento da mesma maneira que antes da pandemia. Essa experiência dura tem aberto os olhos do mundo para o fato de que, como qualquer outra pessoa, a vida do idoso importa.

E, com a vacinação e as medidas de reabilitação, podemos manter a esperança de que, no jogo da Covid-19, seremos capazes de vencer… e a pandemia irá acabar quando terminar. Com um final feliz!

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