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câncer Câncer sem tabu & com ciência O médico e CEO do A.C. Camargo Cancer Center, Victor Piana de Andrade, desfaz os mitos e compartilha as descobertas e inovações na prevenção, no diagnóstico e no tratamento do câncer

O que a pandemia deixa de herança para o tratamento do câncer

Nosso colunista defende um plano de ação para lidar com o câncer no cenário pós-Covid – e elenca algumas lições que não devem se perder

Por Victor Piana de Andrade 29 abr 2022, 10h50

A Covid-19 é uma doença aguda com consequências individuais conhecidas em dias ou semanas. O câncer é uma doença crônica, que pode exigir tratamento por anos e com novos casos se acumulando continuamente.

Em 2020, registramos 19,3 milhões de novos casos de câncer, um crescimento de 26% na última década. E o crescimento estimado é de 40% nos próximos 20 anos. Ainda em 2020, foram 9,9 milhões de mortes, ou uma em cada seis mortes no mundo, mais do que o acumulado de óbitos pela Covid-19.

Com essa dimensão, já esperávamos impactos negativos da pandemia no cenário do câncer. Ao longo destes dois anos, pacientes com a doença viveram dilemas adicionais aos da população em geral, como sair ou não sair de casa para investigar um sintoma, realizar ou não a cirurgia, continuar ou não em quimioterapia ou radioterapia.

Um em cada três relatou reflexos em seu tratamento, sendo o impacto mais sério no setor público do que no privado.

Unidades básicas e hospitais sobrecarregados reduziram em 25% o volume de mamografias, colonoscopias e biópsias de próstata, e 40% de endoscopias. Pelos próximos anos, somaremos ao volume esperado de câncer do ano corrente aqueles casos não diagnosticados em anos anteriores, desafiando ainda mais nosso sistema de saúde.

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No Canadá, a projeção é que pode levar até sete anos para dissipar todo o excedente de casos de câncer que está por vir. Se o país investir na ampliação de serviços nessa área, pode reduzir o impacto para três anos. O fato é que, tanto lá como cá, teremos aumento no número de pacientes necessitando de terapias e, infelizmente, nas taxas de mortalidade.

Os tumores diferem no comportamento e isso pode nos ajudar a pensar políticas públicas para este momento de crise. Alguns cânceres têm crescimento mais lento e as repercussões do retardo nas investigações são menores, enquanto outros progridem rápido e com agressividade.

O SUS tem uma organização hierarquizada de serviços invejável, mas precisa estudar estratégias distintas levando em conta os tipos da doença, as regiões e as infraestruturas disponíveis em cada local, adaptando protocolos de rastreamento, estadiamento e tratamento.

Estamos discutindo isso a fundo no Brasil? Que podemos propor? Mutirões de exames a fim de evitar o alto percentual de casos diagnosticados em estágio avançado? Capacitação de médicos nas unidades básicas de saúde (UBS) para reconhecer sintomas e agilizar o tratamento? Ampliação da telemedicina para levar orientação especializada a todos os municípios? Contribuições do setor privado ao setor público?

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Um plano nacional que organize todas as ações é muito bem-vindo. Não atuar custará muito mais vidas e recursos públicos e privados.

A pandemia nos desafiou, mas também deixou um legado positivo para enfrentar o câncer. Devemos utilizar alguns aprendizados, que resumo abaixo, nesta nova etapa para a pesquisa e a assistência médica.

1. O SUS demonstrou resiliência, organização hierarquizada exemplar e articulação com o poder privado nos momentos de crise;

2. Estamos mais conscientes da importância da segurança sanitária, que depende de mãos limpas, distanciamento e máscaras diante de sintomas gripais;

3. A tecnologia deu um salto: teleconsultas, receitas digitais e algoritmos de inteligência artificial simplificam, viabilizam e barateiam atendimentos, além de levar apoio especializado a distância;

4. Valorizamos mais as vacinas na prevenção das infecções. Os imunizantes contra o vírus HPV e o da hepatite B, que ajudam a evitar alguns tumores, estão disponíveis e subutilizados na rede pública. Vacinas também são fundamentais para pacientes oncológicos em quimioterapia ou transplante de medula óssea;

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5. Confiamos mais na ciência: vigilância epidemiológica, sequenciamento genômico, novas vacinas de RNA, estudos clínicos mais ágeis e rigor nos protocolos baseados em evidências são bem-vindos também nos cuidados com o câncer;

6. Fortificou-se o espírito de grupo. Todos fomos convocados a exercer responsabilidade social e sensibilidade para as questões humanas, um legado que precisa permanecer ativo para lidarmos (ainda melhor) com desafios como o câncer.

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