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Comer é muito mais do que ingerir nutrientes. Na receita de uma alimentação equilibrada, também há ingredientes comportamentais, emocionais, culturais e ambientais, como mostra a nutricionista Lara Natacci

Por que ninguém mais sabe o que comer?

A sobrecarga de informações e extremos na nutrição gera ansiedade alimentar. Entenda como a ciência foca em equilíbrio, variedade e constância

Por Lara Natacci 13 abr 2026, 13h56 •
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A alimentação que promove saúde é mais simples do que parece  (Editoria de arte/Veja Saúde)
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  • Se você já ficou em dúvida se o pão é vilão, se a fruta engorda, se o leite inflama ou se o café faz mal, você não está sozinho.

    A verdade é que, hoje, comer ficou mais difícil. Nunca tivemos tanta informação sobre alimentação. E, ainda assim, nunca estivemos tão perdidos.

    Um dia o carboidrato é o problema. No outro, é a solução. O açúcar vira veneno. Depois, aparece alguém dizendo que o problema é cortar demais.

    E no meio disso tudo, sobra uma sensação incômoda: “será que eu estou fazendo tudo errado?”

    Essa confusão não é por acaso. A nutrição virou conteúdo, e conteúdo precisa chamar atenção. Para isso, a regra é simples: quanto mais radical, melhor. “Corte isso”, “nunca coma aquilo”, “isso destrói sua saúde”. Funciona. Dá clique. Viraliza.

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    Mas quase nunca representa a realidade.

    A ciência da nutrição não é feita de certezas absolutas. Ela é cheia de nuances, depende de contexto, de padrão alimentar, de estilo de vida. Só que nuance não viraliza. O que viraliza é a simplificação, e, muitas vezes, o medo.

    +Leia também: As mentiras do Dr. TikTok: como a desinformação das redes sociais coloca sua saúde em risco

    O problema é que o medo prende. De repente, comer deixa de ser um ato automático e vira um campo minado. Você começa a pensar demais. Duvida de tudo. Sente culpa por coisas pequenas. E o que era para ser cuidado vira tensão.

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    Muita gente, tentando acertar, acaba entrando em ciclos difíceis: corta alimentos demais, não sustenta, perde o controle, se culpa, e recomeça tudo de novo na segunda-feira.

    O que a ciência realmente diz sobre alimentação

    Do ponto de vista da ciência, existe um consenso que quase ninguém fala: o maior problema não é um alimento específico. São os extremos. Nem o excesso descontrolado, nem a restrição severa. Os dois fazem mal, inclusive para a saúde mental.

    Outro ponto importante: alimentação não é só biologia. É rotina, cultura, acesso, preferência, emoção. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Mas a internet insiste em tratar tudo como regra universal. E isso só aumenta a confusão.

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    Enquanto isso, o básico, que realmente funciona — continua sendo ignorado porque parece simples demais: variedade, equilíbrio, constância. Nada disso é radical. Nada disso promete resultado rápido. Mas é isso que sustenta a saúde no longo prazo.

    Talvez a pergunta que a gente precise fazer não seja mais: “isso pode ou não pode?” Mas sim: “isso faz sentido na minha vida, ou só está me deixando mais ansioso em relação à comida?”

    No meio de tanto ruído, comer bem não deveria ser complicado. Mas, hoje, talvez o maior desafio não seja saber o que comer, e sim desaprender o excesso de regras que nos afastaram do básico.

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