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Ômega-3 teria potencial de evitar a ansiedade

Estudo brasileiro sugere que o consumo da gordura vinda de peixes, linhaça e chia poderia afastar o problema

Por Thaís Manarini - 21 set 2018, 17h36

A nutricionista Lara Natacci, diretora clínica da Dietnet, em São Paulo, tem observado que, hoje, não faltam estudos científicos sobre o papel do ômega-3 contra a depressão. Afinal, trata-se de uma gordura com ação anti-inflamatória e protetora do sistema nervoso. Em paralelo, em sua prática clínica, a expert percebe que outro distúrbio mental tem afetado cada vez mais gente: a ansiedade.

“Muitas pessoas relatam que, por causa dela, comem demais”, conta. Juntando uma coisa e outra, ela resolveu investigar, em seu trabalho de doutorado, se o tal do ômega-3 teria alguma influência na ocorrência de transtornos ansiosos.

Para isso, ela analisou os hábitos alimentares de 12 268 adultos – registrados através de questionário alimentar. “Não incluímos, na pesquisa, pessoas que consumiam o nutriente por meio de suplementos”, avisa.

Com base nesses dados, ela conseguiu separar os indivíduos por níveis de ingestão de ômega-3. Foi aí que percebeu que os maiores consumidores da gordura apresentavam menor risco de sofrer de ansiedade em relação às pessoas com baixa ingestão.

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De acordo com Lara, por causa do modelo do estudo, é cedo para cravar que o nutriente de fato evita que alguém desenvolva o transtorno. “Esse tipo de trabalho é similar a uma foto. A gente vê o que está acontecendo naquele momento”, diz. “Só que ele ainda não mostra uma relação de causa e efeito”, completa.

De qualquer maneira, é um achado que empolga e abre as portas para pesquisas mais robustas e capazes de analisar esse elo com um maior grau de detalhes. “Nesse momento, com base nas informações que temos, meu conselho é que as pessoas obtenham o ômega-3 por meio da alimentação”, diz Lara. Chia, linhaça, algumas oleaginosas e peixes como salmão, atum e sardinha são os grandes aliados nessa empreitada.

Além de turbinar o consumo de ômega-3, Lara lembra que é importante maneirar nas fontes de ômega-6, como óleos de milho e girassol. É que essa gordura, tão comum em nosso dia a dia, tem sido engolida aos montes. Aí, o resultado é o oposto do desejado: o organismo se torna mais inflamado. Portanto, para realmente tirarmos proveito dos benefícios do ômega-3, as duas gorduras precisam estar em equilíbrio.

E lembre-se: o melhor é ajustar a dieta. “Os suplementos só devem ser usados após avaliação. Há diretrizes indicando que as cápsulas de ômega-3 são bem-vindas apenas em casos de triglicérides elevados”, ensina Lara.

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